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Rede de apoio prepara festa do Dia das Crianças em meio à destruição da Favela do Moinho, em São Paulo — Brasil de Fato

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Moradores e apoiadores da Favela do Moinho, no centro de São Paulo (SP), organizam para este domingo (12) uma festa de Dia das Crianças. O evento contará com brinquedos, guloseimas, bolo, apresentações de palhaços e atividades recreativas, como cama elástica e piscina de bolinhas. Tradicional na comunidade, a celebração será, neste ano, marcada pela dor e pelo simbolismo: pode ser a última a ocorrer dentro do território, hoje sob ataque direto de uma ofensiva do governo estadual.

A mobilização é conduzida pela Associação de Moradores da Favela do Moinho, com apoio de redes solidárias. Para garantir a realização da festa, foi lançada uma vaquinha online. As doações vão cobrir os custos com alimentação e estrutura mínima para as atividades. Em 2024, lideranças da comunidade chegaram a ser presas, o que impactou a organização do evento. Com novos representantes à frente da associação, os moradores retomaram a articulação para manter viva a tradição do 12 de outubro, mesmo diante de escombros, insegurança e repressão.

“O que era para ser uma despedida feliz virou uma despedida triste”, resume Stella Prata, apoiadora da associação. Segundo ela, a infância sempre foi prioridade na Favela do Moinho, e o Dia das Crianças, o momento mais festejado. A iniciativa de 2025, ainda que marcada pelo improviso e por recursos escassos, busca oferecer um alento às famílias que seguem no território ou mantêm vínculos afetivos com ele. “Muitas crianças perguntam às mães por que o Moinho está destruído. Queremos que guardem na memória a alegria, não os escombros.”

A Favela do Moinho é a última grande comunidade da região central de São Paulo. Desde os anos 1990, ocupa uma área entre os trilhos das linhas da CPTM. O território sofreu dois incêndios de grandes proporções e inúmeras ameaças de remoção ao longo das últimas décadas. Em 2023, o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) anunciou a construção de um parque e de um novo centro administrativo estadual na área. Desde então, moradores relatam aumento de ações repressivas, demolições forçadas e criminalização das lideranças populares.

De acordo com a associação, crianças presenciaram o uso de bombas e gás lacrimogêneo durante operações realizadas na comunidade. “Tiveram casa invadida com spray de pimenta, viram o campinho virar entulho. O trauma é enorme”, relata Stella. A situação se agravou com a prisão de lideranças e com a retomada das demolições por parte da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), que teria desrespeitado acordo firmado com o governo federal e passado a destruir casas mesmo com famílias ainda presentes no local.

O governo federal reconheceu a gravidade da situação e notificou extrajudicialmente o Estado de São Paulo. O acordo firmado previa a realocação das famílias por meio de uma linha de financiamento público, com cartas de crédito de até R$ 250 mil para compra de moradias. Segundo o Ministério das Cidades, 552 famílias já foram habilitadas, mas ainda há pendências cadastrais em dezenas de casos. Moradores denunciam que a própria CDHU tem atrasado vistorias e processos de habilitação, e que os critérios para definição de beneficiários têm mudado de forma arbitrária.

Hoje, a Favela do Moinho está parcialmente destruída. Os moradores que permanecem enfrentam, além da instabilidade institucional, a precariedade provocada pelas demolições: falta de iluminação pública, proliferação de ratos e escorpiões e isolamento em um território cada vez mais esvaziado.

Para as crianças, o impacto é profundo – não apenas pelo cenário de guerra urbana, mas pela perda abrupta de vínculos, espaços de convivência e referências afetivas. “É devastador passear pelo Moinho hoje. Virou uma comunidade fantasma, tomada por escombros. As crianças olham e perguntam: ‘por que destruíram tudo?’”, relata Stella Prata.

Em meio a esse contexto, a festa do Dia das Crianças deste domingo será, para muitos, uma despedida do lugar onde nasceram e cresceram. “É a última festa no território, mas também uma celebração da memória”, diz Stella. A vaquinha da Associação de Moradores da Favela do Moinho segue aberta e pode ser acessada pelo link: https://livepix.gg/faveladomoinho.

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Fonte: Brasil de Fato

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