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quarta-feira, 11 março, 2026
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Raízen pede recuperação extrajudicial para renegociar dívida de R$ 65 bilhões

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A Raízen protocolou na madrugada desta quarta-feira (11) um pedido de recuperação extrajudicial com o objetivo de renegociar aproximadamente R$ 65 bilhões em dívidas. A proposta da empresa, uma joint venture entre a Shell e a Cosan, conta com o apoio de credores que representam cerca de 40% do total devido. Para que o acordo seja homologado pela Justiça, é necessário o aval de mais da metade dos credores.

Na recuperação extrajudicial a companhia escolhe um grupo de credores para fechar uma negociação e homologá-la depois junto ao Judiciário.

O plano contempla apenas obrigações financeiras da companhia, que atua na produção de etanol e açúcar e na distribuição de combustíveis, produtos e serviços por meio da marca Shell, e não inclui compromissos correntes, como pagamentos a fornecedores. Os principais bancos credores — entre eles Itaú Unibanco, Banco Santander e Bradesco — além de investidores detentores de títulos da empresa, já aceitaram a proposta.

No fim de dezembro, a Raízen tinha R$ 17,3 bilhões em caixa. O endividamento inclui cerca de US$ 5 bilhões em bonds emitidos no exterior, outros US$ 5 bilhões junto a bancos e aproximadamente US$ 3 bilhões em títulos no mercado local.

Um fato relevante divulgado anteriormente indica que os controladores analisam um aporte de capital de cerca de R$ 4 bilhões, sendo R$ 3,5 bilhões da Shell e R$ 500 milhões do empresário Rubens Ometto, por meio da holding Aguassanta, ligada à Cosan. Com a recuperação extrajudicial, a companhia ganha proteção por 90 dias para negociar com credores e preservar seu caixa.

A reestruturação pode se tornar uma das maiores do país, comparável aos processos envolvendo a Oi e a antiga Odebrecht. A Raízen é assessorada pelos escritórios E.Munhoz Advogados e Pinheiro Neto, além da consultoria financeira da Rothschild & Co.

Nas últimas semanas, representantes de Shell, Cosan, Raízen e do BTG Pactual, acionista da Cosan,  participaram de diversas reuniões para discutir o tamanho do aporte necessário. As conversas chegaram a incluir um encontro em Brasília com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Entre as alternativas em análise está a conversão de cerca de R$ 16 bilhões em dívidas em ações, o que poderia levar credores a se tornarem sócios da companhia. Nesse cenário, a participação da Cosan seria diluída, enquanto a Shell passaria a exercer o controle da Raízen, já que a Cosan enfrenta limitações financeiras para acompanhar o aporte maior da parceira.

A situação financeira da Cosan também tem pressionado o grupo. A empresa registrou prejuízo líquido de R$ 5,8 bilhões no quarto trimestre de 2025. Mesmo assim, a administração afirma ter avançado em medidas para reduzir o endividamento e reforçar a estrutura de capital, incluindo a entrada de novos sócios estratégicos.





ICL Notícias

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