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quinta-feira, 23 abril, 2026
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PT tenta emplacar relatoria da PEC do fim da escala 6×1 e esbarra em Motta

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Por Cleber Lourenço

A tentativa do governo de controlar a tramitação da proposta que trata do fim da escala 6×1 esbarrou na resistência do presidente da Câmara, Hugo Motta. Nos bastidores, o PT tentou garantir ao deputado Rubens Júnior a relatoria da PEC como forma de segurar o conteúdo do texto.

A negociação envolvia uma troca direta. O Palácio do Planalto retiraria a urgência constitucional do projeto de lei que trata do tema, que hoje tem poder de travar a pauta, em troca do comando da relatoria na comissão de mérito.

A leitura dentro do governo é objetiva: quem relata controla o texto. E a comissão de mérito é o ponto onde propostas desse tipo costumam ser alteradas sob pressão de setores empresariais.

Por isso, a escolha de Rubens Júnior era tratada como estratégica. A avaliação era de que, com ele na relatoria, seria possível incorporar pontos do projeto de lei à PEC e evitar mudanças de mérito consideradas sensíveis.

A articulação contou com a participação de Arthur Lira, que tentou construir uma ponte com Motta. Não funcionou.

Deputado Federal Rubens Pereira Junior (PT-MA) – Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

Motta rejeitou a proposta e indicou que prefere um nome do centrão, sem alinhamento direto ao governo. A decisão também passa por um fator político imediato: a irritação com a urgência constitucional enviada pelo Executivo.

A avaliação no entorno do presidente da Câmara é de que o governo tentou impor ritmo à força. A resposta foi endurecer.

Hoje, a aposta de Motta é bancar o confronto. Mesmo com risco de travamento da pauta, ele avalia que o desgaste será dividido com o Planalto.

04/02/2026 - Brasília - O presidente da Câmara, Hugo Motta, durante cerimônia de assinatura do Pacto Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio. Palácio do Planalto. Brasília (DF) - Brasil. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
04/02/2026 – Brasília – O presidente da Câmara, Hugo Motta – Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Do lado do governo, a urgência tem outra leitura. Em entrevista ao Valor Econômico concedida nesta quarta-feira (22), o ministro Guilherme Boulos afirmou que o objetivo foi impedir que o tema fosse empurrado para depois das eleições.

“Quando o governo envia o PL com regime de urgência, não era apenas uma opção entre PL ou PEC. Era uma proposta de colocar um limite de tempo nesse processo”, disse.

“O que o governo quer, seja por PL ou por PEC, é acabar com a escala 6×1”.

Boulos também apontou resistência dentro do Congresso. “A gente sabe que tem gente no Congresso que queria empurrar com a barriga”.

Na prática, o impasse revela duas estratégias em choque. O governo tenta acelerar a tramitação e manter controle sobre o conteúdo. A Câmara reage para preservar o domínio da pauta e evitar precedentes de pressão via urgência constitucional.

Sem acordo, o risco para o Planalto aumenta. Sem relatoria alinhada, a PEC pode ser alterada ainda na comissão de mérito. E, com a urgência mantida, a pauta da Câmara pode travar, cenário que Motta diz estar disposto a enfrentar.





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