Por Arthur Guimarães de Oliveira e Ana Bottallo
(Folhapress) – O PT aprovou neste sábado (25) a candidatura do ex-ministro Fernando Haddad ao Governo de São Paulo para as eleições de outubro. A chancela partidária foi dada em convenção estadual realizada em Campinas, a primeira na história da sigla para um cargo majoritário a ser feita no interior do estado.
A agremiação também aprovou a coligação com o PSB, legenda do vice de Haddad, o ex-ministro e ex-governador Márcio França, e da pré-candidata ao Senado, a também ex-ministra Simone Tebet —ambos estavam presentes.
As candidaturas de Haddad e França também foram oficializadas pela federação do PT com PC do B e PV.
O ato contou com a presença do presidente Lula (PT), do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e da ex-ministra Marina Silva (Rede), pré-candidata ao Senado na chapa de Haddad.

Na convenção, a ministra do Meio Ambiente e Mudança Climática fez críticas à intervenção do governo americano na economia brasileira com o tarifaço. Na última quinta-feira (23), o presidente dos Estados Unidos Donald Trump anunciou nova tarifa de 12,5% contra Brasil, medida que, segundo a pré-candidata da Rede, é fruto da articulação de Flávio Bolsonaro, candidato à presidência pelo PL.
“Não é possível ter um presidente da República que articula, que trama contra o Brasil, que vai atrás de taxação para destruir a indústria [brasileira]. Essas pessoas, elas não estão fazendo mal a uma ideologia, estão fazendo mal a um povo, a uma nação”, afirmou a ministra. Em seguida, ela disse que “não é possível abrir mão da soberania, não é possível abrir mão da democracia”, e também defendeu as ações do presidente Lula ao combate ao desmatamento, que teve o menor índice no primeiro semestre desde 2016.
O presidente Lula falou sobre a importância de manter o processo eleitoral isento. “Quem vai decidir o destino deste país são 157 milhões de eleitores. Quem vai decidir o destino de São Paulo são os eleitores de São Paulo. E por isso o aviso está dado. O Brasil é soberano.”
A fala ocorre no mesmo dia da divulgação do desejo do governo americano de enviar oficiais para questionar as eleições no país, conforme revelado pelo jornal The Washington Post neste sábado (25). “Que não venha ninguém de fora meter o dedo nas nossas eleições”, disse Lula. “Esse país é nosso, e aqui ninguém mete o bedelho!” afirmou o presidente, enquanto era ovacionado pela plateia.
Previsto para as 9h, o evento começou por volta das 11h. Houve intenso congestionamento na entrada do local. No horário marcado para começar, as arquibancadas ainda estavam praticamente vazias, mas foram sendo ocupadas até o início da cerimônia. Ao fim, estavam lotadas. Segundo a equipe de Haddad, o espaço tem capacidade para 4.000 pessoas.
Como mostrou a Folha, o petista, escalado para a disputa em São Paulo para oferecer um palanque a Lula no estado, tem pela frente o desafio de passar para o segundo turno.
Pesquisa Datafolha deste mês de julho mostra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) com 46% das intenções de voto no primeiro turno, uma vantagem de 16 pontos percentuais em relação a Haddad, que tem 30%.
Em São Paulo, eleições altamente polarizadas, como a que se desenha, historicamente terminaram ainda em primeiro turno.
Haddad também enfrenta uma dificuldade do PT no estado, que o partido nunca governou, e tem como maior obstáculo o interior, historicamente antipetista. Em 2022, Haddad venceu na capital, mas perdeu no interior e no litoral.
O presidente do PT de Campinas e pré-candidato a deputado federal, Pedro Tourinho, afirma que a campanha pretende percorrer todo o interior paulista, do Oeste ao Vale do Paraíba, sem priorizar uma região específica. Segundo ele, Haddad e Lula estão construindo um programa de governo, fazendo visitas e tendo reuniões pelo estado para ter um desempenho positivo na região.



