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sexta-feira, 19 junho, 2026
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‘Prova nuclear’: o que há nos celulares que levaram Deolane e Marcola a virar réus

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No processo em que tornou réus a influenciadora e advogada Deolane Bezerra, o líder do PCC Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e outras quatro pessoas por organização criminosa e lavagem de dinheiro, a Justiça de São Paulo se baseou em áudios, conversas pelo Telegram e comprovantes de depósitos extraídos de dois celulares apreendidos pela polícia.

Segundo a decisão do juiz Deyvison Heberth dos Reis, da 3ª Vara de Presidente Venceslau, o conteúdo extraído dos aparelhos é a “prova nuclear” da acusação. Os arquivos se somam a relatórios financeiros, quebras de sigilo bancário e fiscal e análises do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Deolane é investigada por envolvimento com a facção e está presa preventivamente desde 21 de maio de 2026 em Tupi Paulista (SP). Também se tornaram réus Paloma Sanches Herbas Camacho, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior e Everton de Sousa.

Na decisão que aceitou a denúncia do Ministério Público, a Justiça afirma que mensagens, áudios, comprovantes bancários e outros dados extraídos de celulares apreendidos permitiram reconstituir parte da dinâmica financeira investigada. Segundo a acusação, o material indica quem realizava os repasses de dinheiro, quais contas eram utilizadas e quem seriam os destinatários finais dos valores.

Um dos aparelhos analisados foi um Samsung Galaxy J5 apreendido na residência do empresário Ciro Cesar Lemos, apontado pela investigação como responsável por repassar recursos de uma transportadora para contas bancárias ligadas ao PCC.

Deolane Bezerra
Deolane Bezerra. (Foto: Redes sociais)

No celular, foram encontradas conversas no Telegram entre agosto de 2020 e abril de 2021, além de áudios e comprovantes de depósitos. Em uma das gravações transcritas, Ciro afirma ter trabalhado por quatro anos para Alejandro Herbas Camacho Junior, conhecido como “Gordão”, e para Marcola, tratado nas conversas pelo apelido de “Narigudo”. A investigação também cita mensagens que indicariam que Deolane Bezerra mantinha valores pertencentes à facção em imóveis próprios e de familiares.

Já em um segundo aparelho, um iPhone X também apreendido com Ciro, os investigadores localizaram conversas com Paloma Sanches Herbas Camacho, filha de Alejandro e sobrinha de Marcola. De acordo com a decisão, as mensagens mostram o envio de dados bancários para recebimento de recursos e o compartilhamento de comprovantes utilizados para identificar movimentações financeiras.

Para o Ministério Público, o conteúdo dos celulares reforça a hipótese de que familiares e pessoas de confiança dos líderes da organização criminosa eram responsáveis por receber e distribuir valores provenientes de uma empresa de transportes apontada como instrumento de lavagem de dinheiro.

Com base nesse conjunto de provas, a Justiça de São Paulo aceitou a denúncia apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e tornou réus por organização criminosa e lavagem de dinheiro Deolane Bezerra, Marcola, Alejandro Herbas Camacho Junior, Paloma Sanches Herbas Camacho, Everton de Sousa e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho.

Segundo os promotores, relatórios de inteligência financeira, quebras de sigilo bancário e fiscal e os dados extraídos dos celulares apontam para a ocultação e a circulação de recursos ilícitos dentro da estrutura investigada. A denúncia também menciona um plano de reestruturação de empresas ligadas ao grupo, com a transferência de patrimônio para os Emirados Árabes Unidos.

A abertura da ação penal, no entanto, não representa condenação e marca apenas o início da fase de instrução do processo, quando serão produzidas provas e apresentadas as defesas dos acusados.

O que dizem as defesas

A defesa de Marco Willians Herbas Camacho (Marcola), Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Paloma Sanches Herbas Camacho negou as acusações. Em nota, o advogado Bruno Ferullo Rita argumentou que Marcola e Alejandro estão presos em presídios federais de segurança máxima desde 2019, sob rígidas restrições de comunicação, o que, segundo ele, inviabilizaria a participação nos fatos investigados.

A defesa também afirmou que o vínculo familiar entre os denunciados não pode ser tratado como prova de envolvimento criminoso e sustentou que as movimentações financeiras citadas na denúncia serão esclarecidas durante o processo. Por fim, declarou que adotará todas as medidas cabíveis para contestar as acusações e demonstrar a inocência dos clientes.

Já a defesa de Everton de Souza disse que ele não tem qualquer participação nos fatos narrados pelo Ministério Público e, no momento oportuno, demonstrará sua inocência.

 





ICL Notícias

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