A manifestação realizada por permissionários do transporte alternativo de Manaus, conhecidos como “amarelinhos”, provocou transtornos nas primeiras horas da manhã desta quinta-feira (2), na Avenida Grande Circular, Zona Leste da capital. O protesto interditou trechos da via, gerou longos congestionamentos e terminou com veículos incendiados. As causas dos incêndios ainda serão apuradas pelas autoridades.
A mobilização começou por volta das 5h e reuniu motoristas, cobradores e representantes do Sindicato das Cooperativas e Permissionários do Transporte Alternativo e Complementar. A categoria reivindica o pagamento de subsídios pela Prefeitura de Manaus, a renovação da frota e o repasse de valores referentes às gratuidades e ao transporte estudantil, que, segundo os trabalhadores, estariam em atraso.
Durante a manifestação, lideranças afirmaram que o sistema de transporte alternativo enfrenta uma grave crise financeira e cobraram o cumprimento de compromissos assumidos pelo poder público. Em uma transmissão ao vivo realizada durante o ato, um dos representantes da categoria declarou:
“Fecharam os olhos para essa categoria. Prometeram ônibus novos, prometeram subsídio e nada foi cumprido. O sistema entrou em colapso.”
Na mesma transmissão, o representante também fez uma ameaça caso não houvesse avanço nas negociações com a administração municipal.
“Se não tiver resposta da prefeitura, nós vamos tacar fogo em dois carros e fechar o Distrito.”
A declaração foi registrada antes dos incêndios que ocorreram durante a manifestação. As autoridades deverão investigar se existe relação entre a fala e os fatos registrados no protesto.
Reivindicações da categoria
Os permissionários afirmam que enfrentam dificuldades para manter a operação devido ao aumento constante dos custos com combustível, manutenção dos veículos e demais despesas operacionais. Segundo os trabalhadores, a situação financeira se agravou em razão do atraso nos repasses referentes às gratuidades concedidas a idosos e outros beneficiários, além dos valores destinados ao transporte estudantil.
De acordo com a categoria, a falta desses recursos compromete diretamente a continuidade do serviço prestado diariamente à população.
Um dos permissionários, identificado como Rui, que atua há mais de 30 anos no transporte alternativo de Manaus, descreveu o cenário enfrentado pelos trabalhadores.
“A gente trabalha praticamente de graça. O dinheiro não dá para abastecer. Tem carro que para no meio da rua porque acaba o diesel.”
Segundo ele, os gastos com combustível podem chegar a aproximadamente R$ 2 mil por veículo diariamente, valor que, conforme os trabalhadores, tem se tornado incompatível com a arrecadação obtida pelo sistema.
Os manifestantes afirmam que muitos permissionários estão acumulando dívidas para manter os veículos em circulação e alertam para o risco de paralisação total caso não haja uma solução por parte do poder público.
Veículos foram incendiados durante o protesto
Durante a mobilização, imagens registradas por participantes e pessoas que passavam pelo local mostraram veículos do transporte alternativo em chamas.
Até o momento, não há confirmação oficial sobre como os incêndios tiveram início nem sobre a responsabilidade pelos atos. A investigação deverá esclarecer as circunstâncias em que os veículos foram incendiados e identificar eventuais envolvidos.
A ocorrência chamou a atenção de quem passava pela Avenida Grande Circular e aumentou o clima de tensão durante a manifestação.
As autoridades ainda não divulgaram informações sobre possíveis prisões relacionadas aos incêndios.
Polícia Militar acompanhou a manifestação
Equipes da Polícia Militar acompanharam o protesto desde o início da mobilização. Os policiais atuaram para preservar a segurança dos participantes e dos demais usuários da via, além de monitorar a situação diante da interdição parcial da Avenida Grande Circular.
Agentes também trabalharam na organização do trânsito para reduzir os impactos causados pelos bloqueios.
Até o encerramento da manifestação, não haviam sido divulgadas informações oficiais sobre confrontos entre policiais e manifestantes.
Trânsito sofreu impacto em toda a Zona Leste
O bloqueio da Avenida Grande Circular provocou reflexos em diversas vias da Zona Leste de Manaus. Motoristas enfrentaram lentidão durante boa parte da manhã e muitos precisaram buscar rotas alternativas para chegar ao destino.
Além dos congestionamentos, passageiros do transporte alternativo foram diretamente afetados. Em alguns momentos do protesto, veículos foram parados pelos próprios manifestantes e os usuários tiveram que desembarcar antes do destino final.
A paralisação também impactou trabalhadores, estudantes e demais pessoas que dependem diariamente do transporte coletivo para se deslocar pela cidade.
Categoria fala em colapso financeiro
Os representantes do transporte alternativo sustentam que o sistema vive um momento de colapso financeiro. Segundo eles, os custos operacionais aumentaram significativamente nos últimos anos, enquanto os repasses públicos considerados essenciais para manter o serviço não acompanharam essa evolução.
A categoria afirma que realiza diariamente o transporte de milhares de passageiros, incluindo idosos, estudantes e beneficiários de gratuidades, mas alega que os valores devidos pelo município não são pagos dentro dos prazos esperados.
Os permissionários também reivindicam a renovação da frota, alegando que muitos veículos já apresentam desgaste elevado e exigem manutenção constante, elevando ainda mais os custos da operação.
Segundo os manifestantes, a situação tornou insustentável a continuidade do serviço sem apoio financeiro da administração municipal.
Prefeitura ainda não havia se manifestado
Até a publicação desta matéria, a Prefeitura de Manaus e o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) ainda não haviam divulgado posicionamento oficial sobre as reivindicações apresentadas pelos permissionários nem sobre os acontecimentos registrados durante a manifestação.
Os trabalhadores informaram que aguardam uma resposta do Executivo municipal e afirmaram que novas mobilizações poderão ocorrer caso as negociações não avancem.
Enquanto isso, as investigações sobre os incêndios registrados durante o protesto deverão prosseguir para esclarecer como os fatos ocorreram e identificar eventuais responsabilidades.



