Integrar o Escudo das Américas, como prometido por Flávio Bolsonaro, submeteria o Brasil a uma aliança militar com os EUA que prevê o controle do abastecimento de terras raras e recursos naturais.
Criado no início do ano, a iniciativa da Casa Branca conta com cerca de 20 países da região e, oficialmente, tem como objetivo combater o narcotráfico na América Latina.
Mas a reunião desta semana do bloco – a segunda realizada desde sua criação – revelou que a guerra contra as drogas é apenas uma camuflagem para o estabelecimento de uma estrutura política e militar dos EUA na região.
A suspeita é de que a principal função da aliança não seja lidar com o crime. Fontes ouvidas pelo ICL Notícias apontam que, nas reuniões, chamou a atenção dos demais governos a insistência dos EUA em incluir temas econômicos e comerciais sem qualquer tipo de vínculo com o narcotráfico. Pela primeira vez, ainda se falou de investimentos.
No texto, elaborado pelo Departamento de Estado e submetido aos demais países para aprovação, o governo norte-americano estabelece que as ambições da aliança vão muito além da questão de segurança.
Segundo o pacto, o fortalecimento da resiliência do hemisfério passa por três pilares. Um deles é o econômico, abandonando a ideia vendida inicialmente de que o Escudo das América lidaria apenas com o crime organizado. Agora, a aliança se compromete a “defender nossas economias mediante o fortalecimento da cooperação econômica”.
Pela primeira vez de forma pública, o governo norte-americano ainda cita na aliança militar que Flávio Bolsonaro quer aderir o acesso aos recursos naturais como estratégico para o grupo. A resiliência do continente, portanto, passaria pela “salvaguarda das cadeias de suprimento de minerais críticos por meio de fontes diversificadas e confiáveis”.
Big Techs e China
O documento também propõe a “promoção de regulamentações sobre fornecedores confiáveis para infraestrutura digital, aplicadas de forma não discriminatória”. Os termos são usados para descrever condições ideias para as empresas americanas de tecnologia.
O pacto ainda usa uma manobra diplomática para falar da necessidade de que a região se afaste da China. Para isso, o texto diz que “a soberania econômica é defendida com sucesso quando o capital que ingressa em nossas nações é transparente e verificável”.
Ou seja, que venha de economias de mercado, e não de governos fechados. A referência soou um alerta de que o pacto esteja sendo criado para dificultar a entrada de investimentos chineses na região.
Outro destaque do pacto é a suposta defesa da “soberania nacional”. O uso do termo, porém, não se refere à ingerência americana, que é plena. Recorrer à defesa da soberania é a forma encontrada para rejeitar qualquer interferência chinesa nos processos políticos da região.
O documento ainda concluiu com um compromisso entre os países de que se comprometem em “fortalecer a cooperação por meio de um maior compartilhamento de inteligência; facilitar o acesso, quando apropriado, a tecnologias e capacidades de segurança; promover o treinamento e o desenvolvimento profissional de recursos humanos; e ampliar o intercâmbio de melhores práticas”.
“Os Estados participantes também pretendem aprofundar a cooperação em questões de investimento e economia, bem como fortalecer a consulta e a coordenação de posições comuns sobre temas de interesse compartilhado em fóruns regionais e multilaterais”, completa.
Nesta semana, ao final do encontro, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, admitiu que não existe mais apenas o foco nos cartéis.
“Esta é uma aliança importante também porque nos proporciona a oportunidade de agir conjuntamente em questões econômicas e diplomáticas. Podemos fazer ouvir nossa voz em uníssono e ganhar força por meio desse tipo de unidade, que é um dos aspectos em que estamos concentrando nossos esforços”, completou.



