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Professor da Ufrgs é eleito membro da Academia Mundial de Ciências — Brasil de Fato

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A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) está comemorando mais uma vitória internacional: a eleição do professor Jefferson Cardia Simões, do Instituto de Geociências, 64 anos, como membro da Academia Mundial de Ciências (TWAS), vinculada à Unesco, na área de Ciências da Terra, do Clima e do Meio Ambiente. Entre os 63 novos membros da TWAS, oito brasileiros foram vencedores. Jefferson Simões é o único gaúcho da turma.

Conforme informa a Ufrgs, a eleição é resultado de indicações baseadas em contribuições científicas de excelência. Segundo a TWAS, Simões foi reconhecido por seu trabalho pioneiro na ciência dos testemunhos de gelo, que fornece registros glaciológicos essenciais para o estudo das mudanças climáticas. Ele é considerado um dos principais glaciologistas da América Latina.

Simões está agora em Reykjavik, no litoral da Islândia – capital e maior cidade do país insular nórdico de 350 mil habitantes, com uma paisagem repleta de vulcões, gêiseres, imensas geleiras, fontes termais e campos de lava – participando de uma conferência ambiental. É um país de origem viking, conquistadores dos mares e protagonistas de muitas aventuras e violências pela Europa. De lá, ele falou para o Brasil de Fato RS sobre a sua eleição e as suas pesquisas.

Confira.

Brasil de Fato RS: Quem é Jefferson Simões?

Jefferson Simões: Sou professor e pesquisador da Ufrgs há 33 anos. Leciono Geografia Polar e Glaciologia para o curso de graduação em Geografia e para pós-graduação (mestrado e doutorado) em Geociências e Geografia.

Qual o significado desta eleição, espécie de Nobel de Ciências, para o senhor?

Não, não se equivale a um prêmio (e muito menos a um Nobel). É um reconhecimento pelos pares de um trabalho sério e inovativo que destaca tanto a minha liderança e do grupo de cientistas e alunos do Centro Polar e Climático da Ufrgs. A eleição representa o reconhecimento do meu papel na questão da diplomacia da ciência.

Quantas vezes já foi à Antártica? Sempre através da Ufrgs?

Já fui 27 vezes à Antártica pelo Programa Antártico Brasileiro, sempre associado à Ufrgs. Claro, eu e nossa equipe da universidade.

Quantas vezes a Ufrgs já esteve fazendo experiências por lá?

A nossa universidade participa do Programa Antártico Brasileiro desde 1985. Eu iniciei em 1990 quando voltei do meu doutorado na University of Cambridge, Reino Unido.

Que tipo de experiências? Clima? Gelo?

Desde minha entrada na Ufrgs como professor (1992), a universidade foca as pesquisas em três áreas: Registro da história das mudanças do clima e química da atmosfera em amostras de neve e gelo; impacto das mudanças do clima na massa de gelo da Terra e consequências para o nível do mar; e as relações entre a Antártica e o clima do Sul do Brasil.

Alguma conclusão específica?

Identificamos a poluição global chegando na Antártica (urânio, arsênio), identificação do papel de massas antárticas em alguns dos eventos climáticos extremos no Sul do Brasil, monitoramento e detecção de retração de geleiras.

Quanto tempo ficavam por lá? Meses?

De um a três meses, trabalhando sem parar, observando, fazendo pesquisas, percorrendo distâncias. Uma vida especial, diferente de qualquer coisa.

Pesquisadores de outros países, de outras universidades brasileiras, participavam?

Sim, como disse, fazemos parte do Programa Antártico. As vezes estamos com cientistas de outros grupos nacionais e internacionais. Nossas equipes de campo oscilam entre 4 a 18 cada vez. Exceção foi a Circum Navegação Internacional Costeira Antártica que liderei no verão de 2024/25. Foram 56 pesquisadores de sete países.

Como encaravam o frio? Como sobreviviam com temperaturas tão baixas? Qual a mais baixa que o senhor enfrentou?

Trabalhar no frio extremo requer treinamento específico, evitando riscos desnecessários que podem levar à morte. A equipe da Ufrgs é aquela equipe brasileira que acampa entre -15 graus e -35 graus. A temperatura mais baixa que enfrentei acampando foi 49 graus negativos, sensação térmica de 54 graus negativo.

Qual a sensação de passar tanto tempo por lá?

Sensação de tranquilidade, fora da correria e do stress de viver em grandes cidades. Paz. Geralmente concentrado no trabalho.

O senhor já foi ao Pólo Norte? Outras regiões geladas do planeta?

Sim, já estive três vezes no Ártico (Groenlândia e Svalbard), experiências incríveis e diferenciadas, com outros fenômenos importantes para as nossas pesquisas e estudos.

O que o senhor está fazendo na Islândia?

Estou na Islândia para um grande congresso que discute as mudanças do clima no Ártico e como isso está afetando a sociedade e a política.

Títulos e estudos

Simões é professor da Ufrgs, Comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico e pioneiro da ciência glaciológica no Brasil. Atualmente é vice-presidente do Scientific Committee on Antarctic Research/Conselho Internacional de Ciências (SCAR/ISC) e vice-Pró-Reitor de Pesquisa da Ufrgs. Ele obteve seu PhD pelo Scott Polar Research Institute, University of Cambridge, Inglaterra, em 1990. É pós-doutor pelo Laboratoire de Glaciologie et Géophysique de l’Environnement (LGGE) du CNRS/França e pelo Climate Change Institute (CCI), University of Maine, EUA. Leciona e orienta alunos de graduação e pós-graduação em Geociências e Geografia (42 dissertações de mestrado e 21 teses de doutorado aprovadas).

Toda sua carreira foi dedicada às regiões polares, tendo publicado 210 artigos científicos, principalmente sobre processos criosféricos*. Pesquisador do Programa Antártico Brasileiro (Proantar). É consultor ad-hoc da National Science Foundation – NSF (Office of Polar Programs). Ele também criou o Centro Polar e Climático da Ufrgs, a instituição que lidera no Brasil a pesquisa sobre a neve e o gelo. Ele coordena a participação brasileira nas investigações de testemunhos de gelo antárticos e andinos e faz parte do comitê gestor da iniciativa International Partnerships in Ice Core Sciences (IPICS).

Recebeu o Prêmio Pesquisador Destaque da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs) por sua contribuição à pesquisa antártica. Atualmente é o coordenador-geral do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia da Criosfera (INCT da Criosfera) e professor colaborador do CCI/University of Maine, Orono, EUA. No verão de 2011/2012 liderou a expedição que instalou o laboratório científico latino-americano mais ao sul do Planeta, o módulo Criosfera 1.

Jefferson Cardia Simões é também o pioneiro da Glaciologia no Brasil, membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC), e professor colaborador do Climate Change Institute (CCI), University of Maine, EUA. Foi o primeiro brasileiro a chegar em uma expedição científica ao Polo Sul, por via terrestre. No final de 2004, partiu do Chile junto com uma equipe de pesquisadores chilenos em uma aventura que durou dois meses, percorrendo 2 300 quilômetros, desde a estação chilena Parodi, na Antártica, até o polo e retornando à base chilena. No verão de 2015/2016 liderou a primeira travessia nacional do manto de gelo da Antártica Ocidental.

Em 2024/25, a bordo do navio quebra-gelo Akademik Tryoshnikov, a equipe percorreu mais de 29 mil quilômetros da costa antártica para coletar amostras de gelo e neve, que ajudarão a entender o impacto das mudanças climáticas e a presença de contaminantes na região.

* Criosfera é a parte do planeta Terra onde a água existe em estado sólido, abrangendo todas as formas de gelo e neve, incluindo geleiras, calotas polares, permafrost (solo congelado), gelo marinho, gelo de rios e lagos, e cobertura de neve.

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Fonte: Brasil de Fato

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