O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta segunda-feira (6) que a condução da política monetária seguirá marcada pela cautela diante das incertezas do cenário econômico. A declaração foi feita durante participação em um evento realizado na sede da Fundação Getulio Vargas (FGV).
Sem discurso escrito, Galípolo destacou que a prudência tem sido a principal diretriz do Banco Central no atual momento. “No BC, usei a palavra ‘cautela’ mais vezes do que usei em toda a minha vida. Cautela acompanhada de serenidade”, disse Galípolo.
Segundo o presidente do Banco Central, a ideia de serenidade está ligada à necessidade de compreender melhor o cenário econômico antes de tomar decisões sobre os juros. Para ele, a cautela permite agir com mais segurança diante de um ambiente global instável.
Galípolo afirmou que essa postura tem ajudado o país a enfrentar os choques econômicos recentes de forma mais equilibrada, com crescimento próximo do potencial e um câmbio relativamente estável. Por outro lado, ele alertou que o mercado de trabalho segue aquecido e as expectativas de inflação ainda preocupam.
Guerra no Oriente Médio muda cenário dos juros
O presidente do Banco Central também destacou que o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã alterou o cenário previsto para a política monetária. A alta do petróleo e dos combustíveis trouxe uma nova pressão inflacionária que não estava no radar no início do ano.
Antes da escalada do conflito, o Banco Central havia sinalizado que iniciaria um ciclo mais consistente de redução da Taxa Selic, atualmente em 14,75% ao ano. No entanto, a disparada dos preços dos combustíveis levou economistas e investidores a reverem as expectativas.
Mesmo com o novo cenário, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu reduzir a Selic na reunião de março, mas em ritmo menor do que o esperado. O mercado previa um corte de 0,5 ponto percentual, mas a redução foi de 0,25 ponto.
Projeções de juros e inflação mudam
A mudança no cenário internacional também afetou as projeções do mercado financeiro. Antes da crise, a expectativa era que a Selic encerrasse o ano em 12%, mas a projeção mais recente já aponta para 12,5%.
As previsões para a inflação também subiram. No início do ano, o mercado estimava alta de 3,91% no IPCA, próximo da meta do Banco Central, de 3,5%. Agora, as projeções já indicam inflação de 4,36% em 2026, próxima do teto da meta, que é de 4,5% considerando a margem de tolerância.



