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sábado, 9 maio, 2026
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Presente de Dia das Mães: o fim da escala 6 x 1

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Por Jandira Feghali *

O Dia das Mães é comemorado no Brasil desde 1918, mas foi oficializado em 1932, após pressão da Federação Brasileira Pelo Progresso Feminino. Havia, na época, uma efervescência de pautas feministas. Meses antes, o mesmo grupo, liderado pela cientista e ativista Bertha Lutz, conquistara um feito histórico para as mulheres do país: o direito ao voto! Também brigaram pela garantia da licença-maternidade remunerada com estabilidade no emprego na Constituição de 1934.

Em 5 de maio de 1932, Getúlio Vargas assinou o decreto nº 21.366, que instituiu o segundo domingo de maio como o Dia das Mães no Brasil. Com a data, a Federação esperava divulgar o papel essencial das mulheres na sociedade. Se as feministas naquele contexto histórico bradavam que era o trabalho materno que sustentava a sociedade, hoje lutamos para que as tarefas do cuidado sejam compartilhadas com os homens. Um trabalho invisibilizado e que recai sobre os ombros das mulheres, fazendo da escala 6 x 1 ainda mais cruel para com elas.

O cuidado com a casa, os filhos, idosos e companheiros, numa jornada que se soma à profissional e torna o dia a dia das mulheres quase que integralmente dedicado aos outros, sejam os patrões ou os familiares que dependem delas.

Se hoje ninguém suporta mais a escala 6 x 1, imagine as mulheres. Se não consegue se colocar no lugar delas, veja o recém-lançado curta “Me Desculpa, Nathan”. Nele, acompanhamos a rotina massacrante de Thamires, mãe solo “aprisionada na escala 6 x 1”, como informa a sinopse do filme, resultado do TCC de alunos da FAETEC Adolpho Bloch, do Rio (rara instituição pública que oferece formação em audiovisual).

Neste momento, quantas Thamires estão presas nesta mesma rotina? São milhões de jovens mulheres exaustas, sem opção de escolher entre um emprego precarizado e a própria vida. Quantas mulheres não se identificam com esta personagem (que é muito real)?

A escala 6 x 1 desrespeita toda a classe trabalhadora, mas é especialmente cruel com as trabalhadoras: para elas, é 7 x 0. Quanto mais se desce a linha da pobreza, maior a desigualdade. No Brasil, onde mais da metade das famílias chefiadas por mulheres com filhos vive abaixo dessa linha, de acordo com o IBGE (dados de 2023), 64,4% são negras. E ainda há quem diga que a pressa pela aprovação do fim da escala 6 x 1 não se justifica. É o contrário. Estamos atrasados demais nesta questão.

Há muito tempo o Dia das Mães foi cooptado pela propaganda. Que neste segundo domingo de maio relembremos sua origem feminista no Brasil e lutemos pelo futuro que desejamos. Queremos vida digna, tempo de qualidade com nossas famílias e uma real valorização por toda a política do cuidado que sobrecarrega ainda hoje as mulheres deste país, especialmente as mães. Parabéns a todas as mães, biológicas ou não! Juntas somos mais fortes e capazes de virar esta página de sobrecarga e cansaço!

 

* Jandira Feghali é deputada federal pelo PCdoB-RJ, Líder do PCdoB e autora do Projeto de Lei do Cuidado Materno





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