A campanha à Presidência da República ainda nem começou oficialmente, mas Flávio Bolsonaro e sua equipe já dão demonstração dos recursos ilegais e das mentiras que usarão para tentar superar Lula na corrida eleitoral. Na sexta-feira (10), o ICL Notícias denunciou a circulação nas redes sociais de um vídeo produzido com inteligência artificial simulando de forma realista pastores evangélicos agredindo e demonizando mulheres com camisas do PT. No dia seguinte, o filho 01 de Jair Bolsonaro postou um vídeo em que critica a política econômica do governo, e para ilustrar exibe vídeo da época do governo do pai, em que pessoas buscam comida em um caminhão de lixo, como se fosse atual.
Para o analista de redes Pedro Barciela, esse tipo de expediente não vai ser utilizado apenas pelas equipes das campanhas. “O uso desse tipo de ferramenta durante o período eleitoral será feito pelas mais diversas frentes do debate público, não apenas atores ligados às campanhas ou algo do tipo”, diz ele. Barciela acredita, no entanto, que os alertas feitos pelas diferentes mídias poderão amenizar os efeitos dessa estratégia. “Ainda que as tecnologias para esse tipo de conteúdo tenham evoluído, as discussões públicas sobre os malefícios e os efeitos disso também”.
O PT acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a circulação de vídeos gerados por IA com cenas de agressão a mulheres vestindo a camisa do partido. No meio da tarde deste sábado (11), o perfil no Tiktok criador dos vídeos foi removido.
As publicações circulam também em plataformas como Facebook e Instagram incitando a violência política dentro de supostas igrejas evangélicas — onde os agressores seriam pastores.
O secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares defende a mobilização da sociedade no combate à desinformação. Ele classificou o caso como “grave, chocante e inadmissível”.
“As denúncias escancaram o nível de degradação a que chegamos: o uso de tecnologia para fabricar ódio, distorcer a realidade e alimentar a violência contra adversários políticos. Isso não é liberdade de expressão. É crime. É violência política. É ataque direto à democracia”, afirmou.
A denúncia foi feita pelo jornalista Leandro Demori, do ICL Notícias, Ele criticou a utilização de recursos tecnológicos avançados para simular falas e situações, criando narrativas falsas com potencial de incentivar a violência contra o Partido dos Trabalhadores.
De acordo com Edinho Silva, presidente nacional do partido, “esses conteúdos inaceitáveis são um ataque à democracia, à integridade do debate público e à segurança de pessoas e instituições”. A deputada federal Duda Salabert também se manifestou sobre o caso e relatou ter acionado o Ministério Público e a Polícia Federal para investigar os responsáveis. Segundo ela, os vídeos mostram cenas falsas de supostos pastores agredindo mulheres que usam camisas do PT — conteúdo que classificou como criminoso e incitador de ódio e violência.

Imagens de famintos no governo Bolsonaro
Outro caso que ilustra a falta de escrúpulos do pré-candidato do PL à Presidência é a postagem feita neste domingo (12) em que ele faz críticas à gestão econômica de Lula, argumentando que o povo estaria passando fome. Durante a fala, a postagem exibe o vídeo com pessoas famintas pegando restos de comida em um caminhão de lixo. As cenas foram originalmente divulgadas em outubro de 2021, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, em reportagem que mostrava o aumento da fome no país à época.
A utilização do material fora de contexto gerou críticas nas redes sociais. O ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, afirmou que o conteúdo divulgado pelo senador é enganoso e acusou a publicação de disseminar desinformação.
O Brasil voltou ao Mapa da Fome em 2021, depois de cinco anos sem estar na lista. No governo de Jair Bolsonaro o Brasil teve mais de 33 milhões de brasileiros passando fome. O número apontava um crescimento de 7,2% em comparação com 2020.
Pedro Barciela dá algumas dicas de como o eleitor pode se prevenir desse tipo de farsa digital. “Da mesma maneira que ele se previne de cair em um golpe do pix a partir de um telefone novo de um parente ou de um pedido de informações não solicitadas por um golpista que quer acesso aos dados bancários da vítima: se informando, consultando amigos e parentes, buscando fontes seguras de informação para elucidar possíveis dúvidas”, sugere.
“É importante termos em mente que parte dos conteúdos que circulam nas redes sociais produzidos por IA que buscam desinformar os usuários acabam reverberando também naqueles que ‘querem ser enganados’ ou, pior ainda, ‘querem enganar os outros’. Esse viés de confirmação como alguns pesquisadores chamam é essencial na análise. Precisamos sempre distinguir o que é um engano e o que é campanha”, destaca.



