O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender o fim da jornada 6×1 e inseriu a pauta trabalhista no centro da estratégia política do governo para os próximos meses. Durante participação no Encontro Internacional da Indústria da Construção Civil (Enic), realizado na terça-feira (19), em São Paulo, Lula afirmou que a mudança é necessária porque “o povo quer mais tempo para namorar”, além de mais espaço para lazer, estudo e convivência familiar.
A declaração foi feita diante de empresários do setor da construção civil e ocorre em meio à tramitação, no Congresso Nacional, da proposta que prevê alterações na escala de trabalho. O tema passou a ser tratado pelo Palácio do Planalto como uma das bandeiras sociais com potencial de ampliar a popularidade do governo às vésperas do ciclo eleitoral de 2026.
Ao abordar o tema, Lula buscou sinalizar moderação ao setor produtivo. Segundo o presidente, a eventual redução da jornada deverá considerar as particularidades de cada categoria profissional e atividade econômica.
“Ninguém vai impor na marra”, afirmou o petista, ao defender negociações que levem em conta as diferentes realidades do mercado de trabalho brasileiro.
A fala reforça uma estratégia do governo de aproximar pautas trabalhistas de debates ligados à qualidade de vida e ao equilíbrio entre trabalho e tempo livre — temas que têm ganhado espaço entre trabalhadores urbanos e setores mais jovens da população.
Sete em cada dez brasileiros apoiam o fim da jornada 6×1 — seis dias de trabalho e um de descanso –, segundo pesquisa Genial Quaest realizada entre os dias 8 e 11 de maio. O levantamento ouviu 2.004 brasileiros acima de 16 anos em todas as regiões do país.
O fim da escala recebeu o apoio de 68% dos entrevistados. Em dezembro, 72% haviam sido a favor de reduzir a jornada. São contra a mudança 22% dos entrevistados e 7% não sabem ou não responderam.
Habitação segue como vitrine do governo
Além da pauta trabalhista, Lula voltou a destacar programas habitacionais como eixo central da agenda econômica e social do governo. O presidente citou a expansão do programa Minha Casa, Minha Vida, que recentemente ampliou o teto de renda das famílias atendidas e elevou o limite dos imóveis financiados com juros reduzidos.
Durante o evento, o presidente também criticou entraves burocráticos em linhas de crédito voltadas para pequenas reformas residenciais financiadas pela Caixa Econômica Federal. Segundo Lula, apesar dos R$ 30 bilhões disponibilizados para reformas, parte dos recursos ainda não chega à população devido à dificuldade de acesso ao financiamento.
O presidente usou exemplos de pequenas ampliações domésticas — como construção de quartos, garagens e áreas de lazer — para defender maior agilidade na concessão de crédito popular.
Crédito imobiliário cresce
Lula elogiou o desempenho da Caixa no financiamento imobiliário, setor considerado estratégico para geração de empregos e estímulo à economia. O banco público alcançou R$ 966,2 bilhões em crédito imobiliário no primeiro trimestre do ano, crescimento de 13,9% em relação ao mesmo período de 2025.
Apesar da expansão da carteira, o resultado financeiro da instituição foi pressionado pelo aumento das provisões contra inadimplência. O lucro líquido recorrente da Caixa somou R$ 3,5 bilhões no período, queda de 34,4% na comparação anual.
Presente no evento, o presidente da Caixa, Carlos Antônio Vieira, afirmou que o crédito imobiliário atingiu participação equivalente a 10% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
Governo amplia ações de apelo popular
A agenda do presidente em São Paulo também incluiu o anúncio de um programa de R$ 30 bilhões para financiamento subsidiado destinado a motoristas de aplicativo e taxistas interessados na troca de veículos.
A iniciativa integra um conjunto de medidas voltadas a categorias consideradas estratégicas eleitoralmente. Motoristas de aplicativo, em especial, têm sido alvo de sucessivas tentativas de aproximação por parte do governo desde o início do mandato.



