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terça-feira, 9 junho, 2026
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Poupança volta a registrar captação positiva em maio

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A caderneta de poupança voltou a registrar entrada líquida de recursos em maio, interrompendo uma sequência de quatro meses consecutivos de saques superiores aos depósitos. Dados divulgados nesta terça-feira (9) pelo Banco Central mostram que as aplicações superaram as retiradas em R$ 2,6 bilhões no período, marcando o primeiro resultado positivo da modalidade em 2026.

Apesar da recuperação pontual, o saldo acumulado do ano ainda permanece negativo. Entre janeiro e maio, a poupança registrou evasão líquida de R$ 39,1 bilhões, refletindo o cenário de elevado endividamento das famílias e a busca dos investidores por alternativas mais rentáveis.

Mas, com o resultado positivo do mês, o estoque total de recursos depositados na caderneta também avançou. O volume aplicado passou de R$ 1 trilhão em abril para R$ 1,01 trilhão ao final de maio.

Possível impacto do Novo Desenrola

Embora o Banco Central não detalhe os fatores que explicam a captação positiva em maio, o resultado coincide com o início do chamado Novo Desenrola Brasil, programa voltado à renegociação de dívidas de pessoas com renda mensal de até cinco salários mínimos.

Até o início de junho, o programa havia movimentado cerca de R$ 20 bilhões em renegociações.

Especialistas avaliam que iniciativas de reorganização financeira podem contribuir para a recomposição da capacidade de poupança das famílias, ainda que não seja possível estabelecer uma relação direta entre os dois movimentos.

Rentabilidade segue como principal desafio

Apesar do alívio observado em maio, a poupança continua enfrentando dificuldades para competir com outras modalidades de investimento. O principal fator é a limitação de sua rentabilidade em um ambiente de juros elevados.

Pelas regras atuais, quando a taxa Selic supera 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês, acrescido da Taxa Referencial (TR). Com a taxa básica de juros em 14,5% ao ano, aplicações de renda fixa atreladas ao CDI, títulos públicos e papéis privados oferecem retornos significativamente mais atrativos.

Esse diferencial tem levado investidores a migrarem recursos para alternativas consideradas igualmente conservadoras, mas com potencial de ganhos superiores.

Mercado financeiro amplia concorrência

Além da renda fixa, investimentos de maior risco também vêm atraindo investidores. Após avançar 34% em 2025 — o melhor desempenho anual desde 2016 — o Ibovespa mantém trajetória positiva em 2026, acumulando valorização de 4,5%.

Ao mesmo tempo, o dólar registra queda de 5,6% no acumulado do ano, em um cenário marcado pela valorização dos ativos brasileiros e pelo interesse de investidores estrangeiros.

Nesse contexto, a captação positiva da poupança em maio é vista como um sinal de estabilização momentânea, mas ainda insuficiente para alterar a tendência de perda de competitividade da modalidade frente às opções de investimento disponíveis no mercado.





ICL Notícias

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