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quarta-feira, 11 fevereiro, 2026
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‘Pós-graduação ainda é espaço majoritariamente branco’, diz professora da Unesp — Brasil de Fato

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O acesso à pós-graduação no Brasil segue restrito a uma pequena parcela da população, marcada por desigualdades de renda, raça e gênero. É o que aponta a professora da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Priscila Leonel, em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato. Um relatório de 2023 da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apontou que só 0,8% da população brasileira entre 25 e 64 anos tinha título de mestrado.

“Durante bastante tempo, tivemos um acesso restrito ao ensino médio, depois à graduação e hoje, infelizmente, ainda temos um acesso bastante restrito à pós-graduação”, afirmou. Segundo ela, as exigências de dedicação exclusiva e a ausência de políticas amplas de permanência dificultam a entrada de quem precisa trabalhar. “Quem dá conta de assumir tantas atividades que são propostas para a pós-graduação normalmente é quem não trabalha. Quem não trabalha hoje em dia?”, questiona.

Apesar de o Brasil ter avançado nas últimas décadas em políticas de inclusão educacional, Leonel destaca que o debate sobre acesso à pós-graduação ainda enfrenta resistências. “É impressionante como parte da população brasileira sempre trata as políticas de acesso como se esse não fosse um debate já vencido e como se essa fosse uma grande novidade que necessitasse de opiniões contrárias. Já sabemos que funcionam e que precisam ser colocadas em prática”, pontuou.

A desigualdade racial também é evidente. “O ambiente da pós-graduação ainda é majoritariamente branco, sem dúvida nenhuma”, disse. Dados da OCDE de 2023 mostram que apenas 7,4% dos professores de pós-graduação no país eram pretos, pardos ou indígenas. “Isso reflete no tipo de pesquisa que vai se fazer naquela universidade, reflete no tipo de alunos que vão adentrar na pós-graduação”, observou.

Dados do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), vinculados ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, divulgados em julho deste ano, mostram que entre 1996 e 2021 quase metade dos títulos de mestrado (49,5%) e mais da metade dos de doutorado (57,8%) foram concedidos a pessoas brancas. No mesmo período, pretos representaram apenas 4,1% dos mestres e 3,4% dos doutores; pardos, 16,7% e 14,9%, respectivamente.

Para Leonel, ampliar a diversidade docente é uma condição essencial para que mais estudantes negros, indígenas e periféricos ingressem nesse nível de ensino. “O aluno muitas vezes precisa se identificar com aquela linha de pesquisa, com aquele professor, o aluno precisa se sentir acolhido para poder prestar o processo seletivo. Para termos mais alunos negros na pós-graduação, mais alunos indígenas, precisamos ter mais professores negros também na pós-graduação”, defendeu.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 9h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

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Fonte: Brasil de Fato

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