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sábado, 14 março, 2026
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Por trás da Perna Cabeluda está o maior escritor do Brasil

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Por trás (ao lado, digamos assim) da Perna Cabeluda que vai ao Oscar com “O Agente Secreto” está o maior escritor do Brasil da atualidade: o pernambucano Raimundo Carrero.

Para o amigo que diz “epa, você está exagerando, isso é mania de quem viveu no Recife”, dou um pequeno desconto. Carrero é o maior ao lado de Raduan Nassar, Conceição Evaristo, Ignácio de Loyola Brandão, Adélia Prado, Antônio Torres e Milton Hatoum. Fico nos bambas vivos, vivíssimos, da velha geração, evidentemente.

Em 1975, boatos e registros no noticiário policial deram conta de uma certa “perna fantasma” rondando sobrados e mocambos. Foi no ano seguinte, porém, que um tímido rapaz procura a redação do “Diário de Pernambuco” — o jornal mais antigo em circulação na América Latina — e lá encontra o repórter Raimundo Carrero para contar sua história.

Era comum, até os anos 1990, um anônimo cidadão invadir os jornais para narrar um crime, uma traição, uma dor canalha ou apresentar um plano para salvar o Brasil do apocalipse.

Carrero ouviu pacientemente o relato do homem que testemunhou a Perna Cabeluda batendo na esposa. Ele chegara ao “DP” ainda com o nariz sangrando e cabelos na roupa, resultado do embate com a assombração.

Caso publicado, a crônica policial do rádio cuidou de espalhar e multiplicar a lenda urbana. O resto é história… e estatueta.

Com uma vasta e reconhecida obra — ganhador do Jabuti, São Paulo, APCA, Machado de Assis, entre outros prêmios —, Carrero, 78, não se incomoda na “fama do momento” em torno da Perna Cabeluda. Ele tira é onda, faz é “gréia” (humor em bom pernambucanês), como você pode conferir em entrevista que o ICL exibirá na transmissão especial do Oscar.

“O mais louco é que nunca apostei na Perna como personagem na minha ficção”, contou Carrero. “Talvez tenha sido um erro”.

Com muito menos teor de assombração, lembra o escritor, a literatura norte-americana usa e abusa da lenda do Pé-Grande.

Para quem ainda não conhece, a obra deste pernambucano de Salgueiro, no sertão central, é uma fartura à disposição nas livrarias: “As Sombrias Ruínas da Alma” (1998), “Ao Redor do Escorpião – Uma Tarântula?” (2002), “O Amor Não Tem Bons Sentimentos” (2008), “A Minha Alma é Irmã de Deus” (2009), “Seria uma Sombria Noite Secreta” (2011), “O Senhor Agora Vai Mudar de Corpo” (2015), “Colégio de Freiras” (2020), “A Vida é Traição” (2025) etc etc.

O meu preferido é, naturalmente, “Sinfonia para vagabundos” (2008). Opa. Tenho uma queda danada pelo livraço-aço-aço “Tangolomango: Ritual das Paixões deste Mundo” (2013).

Leia Raimundo Carrero. Os desobedientes serão submetidos a um encontro com a mitológica Perna Cabeluda, agora uma criatura onipresente que ataca até em Los Angeles.





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