(Uol/Folhapress) – Os PMs que mataram os pedreiros Marcelo da Cruz Silva e Edivan Felipe de Assis em São Gonçalo (RJ) anteontem falaram à Polícia Civil que confundiram o material de obra que os homens carregavam com um fuzil.
Em depoimento, os policiais envolvidos no caso afirmaram que confundiram um tripé de medida que os homens carregavam com a arma. A informação é contestada pela defesa da família de Marcelo da Cruz Silva.
Segundo a defesa da família, o tripé que supostamente confundiu os PMs estava dentro de uma mochila. Somente a régua de medição, que tem pouco mais de um metro de comprimento, era levada do lado de fora da mochila, informou a advogada Camilla Guimarães Cristino ao UOL.
A régua serve para nivelar pisos e retirar excesso de argamassa durante construções e estava pintada de branco. Ela foi recolhida com outros objetos apreendidos e passará por perícia policial.

Irmão de Silva, Márcio da Cruz, foi preso por, supostamente, danificar uma viatura após o crime. Ao UOL, a advogada informou que a polícia impôs uma fiança de R$ 10 mil para liberar o homem, reduzindo o valor para R$ 5 mil em seguida. Ele precisou pagar o valor para comparecer ao velório do irmão na tarde de ontem.
“A família, já profundamente abalada pela perda de Marcelo, viu-se submetida a novo sofrimento, inclusive com ônus financeiro significativo em momento de extrema vulnerabilidade”, disse Camilla Guimarães Cristino, ao UOL.
Pedreiros estavam a caminho do trabalho quando foram baleados na frente de uma igreja do bairro de Jardim Catarina. Agentes do 7º Batalhão de Polícia Militar faziam uma operação no local na ocasião.
Juntos, os homens foram atingidos por mais de 40 tiros, segundo as famílias. Os dois morreram na hora e moradores da região fecharam a BR-101 para protestar contra a morte das vítimas, sendo dispersados pela polícia com spray de pimenta.
Os policiais envolvidos na ação tiveram as armas apreendidas e prestaram depoimento, informou a Polícia Civil. A Polícia Militar não informou quantos agentes estavam envolvidos na ação e disse, apenas, que um “procedimento apuratório” está em curso.
Em nota, a corporação também lamentou as mortes dos pedreiros. “A Corporação lamenta a morte do Marcelo da Cruz Silva e do Edivan Felipe de Assis e ressalta que preza pela transparência de suas ações colaborando integralmente com as investigações do caso”, diz trecho do posicionamento.



