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quarta-feira, 25 março, 2026
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PM agride estudantes durante protesto em colégio estadual

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Por Gabriel Gomes

Um policial militar (PM) agrediu pelo menos 2 estudantes durante um protesto de movimentos estudantis dentro de um colégio estadual na Zona Sul do Rio de Janeiro, nesta quarta-feira (25). O caso, que ocorreu na Escola Estadual Senor Abravanel (antiga Amaro Cavalcanti), teve vídeos publicados nas redes sociais. Os alunos acompanhavam um protesto pelo afastamento de um professor da unidade acusado de assédio.

As imagens foram gravadas por João Herbella, 23 anos, diretor do Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (DCE/UFRJ). Ele acompanhava Marissol Lopes, 20 anos, presidente da Associação Municipal dos Estudantes do Rio de Janeiro (Ames Rio), e Theo Oliveira, 18 anos, diretor da Ames Rio. Todos acabaram detidos.

Nas imagens que foram publicadas nas redes sociais, é possível ver o policial militar discutindo com o estudante João Herbella sobre apreender o celular. Marissol tenta intervir e pede para o militar “não encostar” nela. O policial, então, desfere 2 tapas no rosto dela, rasgando-lhe a camisa.

Logo após, Theo se aproxima e tenta ajudar. O PM responde com um soco no rosto e o derruba.

Em nota, a PM afirmou que o policial “foi preventivamente afastado do serviço das ruas”.

Segundo a Ames Rio, os estudantes de movimentos estudantis foram convocados pelo grêmio da Senor Abravanel para um ato na manhã desta quarta. “Os representantes das entidades foram chamados pelos alunos para apoiar um abaixo-assinado pelo afastamento de um professor acusado de assédio”, disse.

De acordo com a Ames Rio, a Secretaria Estadual de Educação autorizou o acesso dos representantes na escola, mas a direção da unidade os impediu de entrar e chamou o Segurança Presente.

“O subtenente agrediu os estudantes ainda dentro da escola, com tapas e socos. Do lado de fora, a agressão continuou com spray de pimenta, bandas, e a presidente da AMES-RJ teve sua camisa rasgada antes de ser detida junto aos outros dois representantes e encaminhada para 9ª delegacia policial”, diz a Associação.

Deputado cobra providências do governo do RJ

O deputado federal Tarcísio Motta (PSOL-SP) acompanha os estudantes que foram levados à 9ª DP, no bairro do Catete. Tarcísio afirma que acionará o Ministério Público.

“Já acionamos o Conselho Tutelar da Zona Sul pedindo providências, vamos fazer uma notícia de fato ao MP cobrando responsabilização desses PMs que estavam nessa ação, cobrar do governo do Estado as câmeras corporais e estamos exigindo um posicionamento político do novo governador do Rio”, diz o deputado.

Tarcísio Motta (PSOL-RJ)
Tarcísio Motta (PSOL-RJ) acompanha os estudantes que foram levados à 9ª DP, no bairro do Catete

“Nós estamos acompanhando de perto o covarde caso de agressão ocorrido na Escola Estadual Amaro Cavalcanti, no Largo do Machado. Nosso mandato está acompanhando de perto porque recebeu os vídeos e ficou estarrecido diante da violência covarde e injustificada de um policial contra dois jovens dentro da escola. A Marisol e o Théo foram agredidos covardemente”, completou.

Nas redes, o deputado Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ), que também acompanhou os estudantes, publicou que vai  oficiar à Corregedoria, ao Ministério Público, à Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, ligada ao Ministério dos Direitos Humanos, à Subsecretaria da Criança e do Adolescente do Estado do RJ e à Secretaria de Educação do Rio. “Não vamos normalizar a violência nem o silêncio diante dessas denúncias”, escreveu.

O que diz o governo do RJ?

Procurada, a Polícia Militar afirma que “o comando da Corporação, diante da gravidade dos fatos contidos nas imagens captadas na referida unidade de ensino, determinou que a Corregedoria-Geral instaure um procedimento para apurar a conduta do agente de maneira imediata”.

“O militar já foi identificado e será encaminhado à 1ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM). Nesse contexto, o policial foi preventivamente afastado do serviço das ruas. A Polícia Militar reitera seu compromisso institucional de atuar em defesa da sociedade e de sempre apurar com a atenção e transparência necessárias a conduta de seus policiais em serviço”, diz a nota.

A Secretaria de Educação do Rio afirmou que “lamenta o ocorrido e reforça que não compactua com qualquer forma de violência no ambiente escolar, prática incompatível com os princípios que orientam a educação pública. A Seeduc prestará todo apoio aos estudantes envolvidos e seus familiares”.

“A direção da unidade acionou a Polícia Militar durante um protesto de alunos de forma preventiva, com o objetivo de garantir a segurança de todos e preservar um ambiente adequado ao diálogo. A Secretaria destaca que toda atuação em espaço escolar deve respeitar rigorosamente os protocolos, os estudantes e o uso adequado dos procedimentos. A Seeduc reafirma seu compromisso com um ambiente escolar seguro, acolhedor e respeitoso para toda a comunidade”, completou.





ICL Notícias

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