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quarta-feira, 11 fevereiro, 2026
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PL da Dosimetria não é pacificação, é impunidade

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Enquanto todos estamos preocupados com o aumento do risco de apocalipse causado por Donald Trump, aqui no Brasil a extrema direita volta a tentar instalar o seu caos particular. Diante do esperado veto de Lula ao abjeto PL da Dosimetria, bolsonaristas e assemelhados entraram em campanha para convencer que, ao não sancionar o texto, o presidente rejeita a possibilidade de pacificação entre os dois polos opostos da política nacional.

Quem deu o mote foi o relator do projeto na Câmara, o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP). “O Congresso entregou a bandeira branca da paz do Brasil nas mãos do Lula. Sabe o que ele fez? Rasgou e tocou fogo nela”, teve a cara de pau de afirmar.

Como manda o figurino bolsonarista, a matilha entendeu o sinal e engrossou o coro. Personagens cujo currículo lamentável fala por si, como Sóstenes Cavalcante, Espiridião Amin e Rogério Marinho, também repetiram que Lula recusou a tal “pacificação”.

Até aí, estava tudo dentro do roteiro. Integrantes do bolsonarismo e fisiológicos do Centrão unidos contra a democracia não chega a ser uma novidade.

Mas teve até veículo importante da mídia brasileira acolhendo argumentos absurdos que seguem a mesma linha. Houve quem repetisse a asneira de chamar a dosimetria de pacificação, dissesse que Lula agiu com o fígado e se referisse à trama liderada por Bolsonaro como “suposto golpe”.

Ninguém duvida que o péssimo Congresso da atual legislatura vá derrubar o veto de Lula para transformar esse PL absurdo em lei. Mas é preciso que a mídia chame as coisas pelo nome: “PL da Dosimetria” é, na verdade, uma anistia disfarçada.

Abrir na imprensa espaço para quem duvida da tentativa de golpe e chama o PL de “pacificação” não é enriquecer o debate com diversidade de argumentos, mas empobrecê-lo com mentiras.

É como se voltássemos a 2018, quando a imprensa ainda dava espaço para terraplanistas e negacionistas das mudança climáticas falarem a sério sobre suas ideias abiloladas.

Sobre o conceito de que reduzir penas de golpistas equivale a pacificação, que tal estender esse entendimento para outros setores da vida nacional? Alguém imagina que propondo redução de pena a Marcola ou Marcinho VP vai conseguir pacificar as facções de traficantes? Ou que sugerindo dosimetria amigável a corruptos conseguiremos a volta do dinheiro roubado aos cofres públicos?

No Brasil, ataques à democracia nunca foram punidos como deveriam. Temos essa chance histórica agora.

Derrubado o veto no Congresso, espera-se que o Supremo Tribunal Federal cumpra o seu papel e coloque o trem da legalidade de volta aos trilhos.

“PL da Dosimetria” nada mais é que maquiagem para anistia. Ou em uma palavra: impunidade.

O resto é conversa para bolsonarista dormir.



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