32.3 C
Manaus
quinta-feira, 10 setembro, 2026
InícioBrasilPF vê indícios de repasse de dinheiro público para produção do filme...

PF vê indícios de repasse de dinheiro público para produção do filme Dark Horse

Date:


 

 

Por Cleber Lourenço

 

A Polícia Federal identificou indícios de que recursos públicos ligados a uma emenda parlamentar de Mario Frias (PL-SP) possam ter chegado à estrutura financeira da Go Up Entertainment, produtora de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro. A investigação rastreou pagamentos feitos pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), abastecido com dinheiro destinado pelo deputado, a empresas de um mesmo núcleo empresarial que, posteriormente, repassou R$ 750 mil à produtora.

As informações constam na decisão do ministro Flávio Dino que autorizou a operação Make Up nesta quinta-feira (10) que apura o uso de dinheiro público na produção do longa.

A PF ressalva que ainda não é possível afirmar que os R$ 750 mil transferidos à Go Up sejam exatamente os mesmos recursos pagos pelo ICB. Ainda assim, considera relevantes a proximidade dos valores, a sequência das operações e os vínculos entre as empresas envolvidas para levantar a hipótese de que dinheiro originado de contratos financiados com recursos públicos tenha sido direcionado à produtora.

O ponto aparece na decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a Operação Make Up, deflagrada nesta quinta-feira (10). No documento, a PF afirma ter identificado “a possibilidade de que os recursos originalmente associados a contratos executados pelo ICB” tenham sido posteriormente direcionados à Go Up Entertainment.

A investigação apura se dinheiro de emendas parlamentares destinado originalmente a projetos sociais foi desviado por meio de contratos com indícios de simulação, fornecedores ligados entre si e serviços sem comprovação suficiente de execução.

O ICB, presidido por Karina Gama, recebeu R$ 2 milhões em emendas indicadas por Frias. Parte desses recursos foi usada para contratar empresas ligadas a Heric Dias, empresário que também aparece relacionado à NTT Brasil.

As empresas desse núcleo receberam cerca de R$ 700 mil do instituto. Posteriormente, a NTT Brasil transferiu R$ 750 mil à Go Up, também comandada por Karina Gama.

Ao analisar a sequência, a PF afirmou que o repasse poderia representar uma “restituição de valores similares ao próprio núcleo da OSC” e passou a investigar se recursos dos contratos retornaram, por outra via, a empresas relacionadas às pessoas que controlavam as entidades beneficiadas pelas emendas.

Movimentações coincidem com filmagens

A suspeita ganha peso porque as transferências ocorreram no mesmo período da produção de Dark Horse.

A PF identificou que a Go Up movimentou cerca de R$ 19 milhões entre novembro e dezembro de 2025. No mesmo intervalo, a empresa recebeu, além dos R$ 750 mil da NTT Brasil, R$ 645,4 mil enviados diretamente por Mario Frias.

As filmagens do longa ocorreram entre outubro e dezembro de 2025. A própria PF destacou a coincidência temporal entre as gravações e as movimentações financeiras analisadas.

Entre os gastos da Go Up no período estão R$ 906 mil com o Hotel Unique, R$ 653 mil com alimentação e pagamentos a empresas do setor audiovisual. Para os investigadores, a natureza das despesas também é compatível com custos relacionados a uma produção cinematográfica.

O documento, no entanto, ainda não estabelece de maneira definitiva que recursos públicos tenham sido usados diretamente para pagar despesas específicas do filme. O que a PF sustenta é a existência de um possível caminho financeiro entre dinheiro originado de contratos bancados por emendas e a produtora responsável por Dark Horse.

A Operação Make Up investiga suspeitas de peculato, lavagem de dinheiro, falsidade documental, organização criminosa e crimes relacionados a licitações. Mario Frias, Karina Gama e outros investigados foram alvo de mandados de busca e apreensão.

A PF também apura a produção posterior de contratos, orçamentos e outros documentos que teriam sido usados para dar aparência de regularidade a transações já realizadas. Frias e Karina negam irregularidades.





ICL Notícias

spot_img
spot_img
Sair da versão mobile