24.3 C
Manaus
domingo, 12 abril, 2026
InícioBrasilPF encontra despacho em que Moro manda grampear autoridade com foro, diz...

PF encontra despacho em que Moro manda grampear autoridade com foro, diz site

Date:


A Polícia Federal (PF) encontrou um documento que comprova que o ex-juiz Sergio Moro grampeou autoridades com foro de prerrogativa de função usando delatores no Paraná. A prova foi encontrada durante busca e apreensão na 13ª Vara Federal de Curitiba, onde Moro atuou. A informação é da jornalista Daniela Lima, do UOL.

Segundo o documento, de julho de 2005, Moro exigiu que o colaborador Tony Garcia tentasse gravar “novamente” a autoridade, alegando que as gravações anteriores eram “insatisfatórias para os fins pretendidos”. O material encontrado pela PF estava nas gavetas da Vara Federal de Curitiba e traz a transcrição de escutas a desembargadores do TRF-4 e políticos com foro privilegiado.

O grampo em questão foi do do presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR), Heinz Herwig. A gravação ocorreu em fevereiro de 2005. Assim como desembargadores, o presidente do Tribunal de Contas do Paraná só poderia ser investigado mediante autorização do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Durante as buscas na 3ª Vara Federal de Curitiba, a PF apreendeu registros de gravações envolvendo desembargadores que integravam à época o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), responsável por revisar decisões da Justiça Federal no Paraná. Os magistrados só poderiam ser investigados por decisão do STJ. As escutas foram realizadas pelo advogado Sérgio Costa, colaborador da Vara.

A ordem de busca e apreensão na 13ª Vara Federal de Curitiba foi expedida pelo ministro Dias Toffoli, após sucessivas solicitações do Supremo Tribunal Federal por documentos, fitas e gravações que não haviam sido encaminhados à Corte, mesmo depois da saída de Moro da magistratura. O STF apura denúncias de que delatores teriam sido usados para monitorar autoridades fora do alcance legal do então juiz, com o objetivo de pressioná-las posteriormente. Moro nega as acusações.

PF encontra despacho em que Moro manda grampear autoridade com foro, diz site
Sergio Moro. (Foto: Lula Marques/Agência Brasil)

Atuação de Moro na 13ª Vara Federal de Curitiba

O ex-deputado estadual Tony Garcia, que firmou acordo de delação premiada com Moro há 21 anos após passar cerca de 30 dias preso, foi o primeiro a denunciar o caso ao STF. Entre 2004 e 2005, ele atuou por ordem de Moro realizando gravações telefônicas e ambientais, inclusive com câmeras ocultas. Os relatórios eram enviados a Moro. Parte relevante desse material, no entanto, nunca foi juntada aos autos, segundo a denúncia de Garcia, confirmada pela Polícia Federal após as buscas.

Os relatórios mencionam desembargadores do TRF-4 em situações de foro íntimo. As referências aparecem de forma genérica, como títulos de arquivos. No caso do então presidente do TCE-PR, a íntegra do áudio nunca havia sido revelada.

No áudio, revelado pela jornalista Daniela Lima, do Uol, o presidente do TCE critica a atuação de Moro. “Na verdade, ele é polícia, é promotor e é juiz”, afirma Heinz Herwig. Tony Garcia reclama do método do magistrado: “Tudo o que você fala ele diz que é mentira. Quem cair na mão desse cara está ferrado”.

“Eles estão querendo aparecer”, diz Heinz, em outro trecho.

A investigação apurava o eventual envolvimento do presidente do TCE com uma grande empresa do setor alimentício, hoje em falência. No diálogo gravado, o tema aparece de forma lateral. Autoridades com foro privilegiado voltam a ser mencionadas ao longo da conversa, o que deveria ser submetido aos tribunais superiores, o que não ocorreu.

“Considerando os termos do acordo, reputa este Juízo conveniente tentativas de reuniões, com escuta ambiental, com Roberto Bertholdo, Michel Saliba e novamente com Heinz, visto que as gravações até o momento são insatisfatórias para os fins pretendidos”, escreveu Moro, à época.

Ao Uol, Moro afirmou que a investigação em curso no STF se baseia em “relatos fantasiosos do criminoso condenado Tony Garcia”. Ele disse ainda que a colaboração ocorreu entre 2004 e 2005 e que não teve acesso aos autos atuais do inquérito, razão pela qual não poderia comentar o material.





ICL Notícias

spot_img
spot_img