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quinta-feira, 14 maio, 2026
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PF aponta pai de Vorcaro como operador e financiador de grupos de intimidação e hacking

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Por Cleber Lourenço

 

A decisão do ministro André Mendonça que autorizou novas prisões na Operação Compliance Zero, dfa Polícia Federal,  elevou o patamar das suspeitas envolvendo o entorno de Daniel Vorcaro e colocou o próprio pai do banqueiro no centro da investigação sobre a estrutura clandestina descrita pela Polícia Federal.

Nas páginas 7 a 12 da decisão, Henrique Moura Vorcaro é apontado como “demandante, beneficiário e operador financeiro” do núcleo conhecido como “A Turma”, grupo acusado pela PF de atuar com ameaças, intimidações presenciais, levantamentos clandestinos, obtenção de dados sigilosos e acessos ilegais a sistemas governamentais.

Segundo André Mendonça, os elementos reunidos pela investigação indicam que Henrique exercia papel estrutural dentro da engrenagem investigada.

“Os elementos até aqui reunidos revelam atuação que se apresenta como estruturalmente relevante para a manutenção do grupo criminoso”, escreveu o ministro.

A decisão afirma ainda que Henrique Moura Vorcaro não aparecia apenas como alguém beneficiado pela atuação do grupo, mas como personagem diretamente ligado à sustentação financeira da estrutura.

“Os indícios reunidos sugerem que Henrique Moura Vorcaro atuava não apenas como destinatário das atividades ilícitas, mas também como financiador e articulador da manutenção operacional do núcleo”, afirma a decisão.

Segundo Mendonça, a investigação aponta que Henrique continuou acionando integrantes da estrutura investigada mesmo após as primeiras fases ostensivas da Operação Compliance Zero.

Um dos trechos destacados pela PF envolve mensagens atribuídas a Henrique em janeiro deste ano. Após insistir por retorno de Marilson Roseno, apontado como liderança operacional da “Turma”, Henrique escreveu: “N momento em que estou é que preciso de vocês”.

Para a Polícia Federal, a mensagem demonstra que o grupo continuava sendo utilizado mesmo depois de a investigação já estar em andamento.

Outro ponto considerado explosivo na decisão envolve a discussão sobre pagamentos milionários ligados ao funcionamento da estrutura.

Segundo o documento, em uma conversa de janeiro de 2026, Marilson Roseno cobra Henrique para que ele não o deixe “à deriva” e afirma estar “segurando uma manada de búfalo”, em referência à pressão financeira para manter o grupo funcionando.

A decisão afirma que Henrique respondeu dizendo que receberia recursos nos dias seguintes e que enviaria “400” imediatamente. Marilson, então, teria respondido que o ideal seria o envio de “800k”.

O documento reproduz ainda trecho de investigação da PF segundo o qual os núcleos investigados receberiam aproximadamente R$ 1 milhão mensais.

“Ele manda o mensal e eu divido entre a turma. Mando pra eles. 400 divido entre 6. Os meninos mando 75 pra cada”, diz trecho citado na decisão.

Segundo André Mendonça, as mensagens e movimentações financeiras analisadas pela PF reforçam a suspeita de que Henrique exercia papel central na manutenção da estrutura.

“A dinâmica identificada evidencia vínculo funcional e permanente com o núcleo operacional investigado, inclusive mediante suporte financeiro reiterado”, escreveu o ministro.

A decisão também afirma que a investigação encontrou indícios de comportamento considerado compatível com tentativa de ocultação e proteção da estrutura clandestina.

Entre os elementos citados estão o uso de número estrangeiro registrado na Colômbia, trocas frequentes de telefone e exclusão de mensagens após fases da operação.

Outro trecho sensível da decisão envolve a suspeita de uso da estrutura para obter informações sobre investigações policiais.

Segundo André Mendonça, Marilson Roseno buscou ajuda de policiais federais para acessar informações sigilosas relacionadas a um inquérito envolvendo Henrique Moura Vorcaro.

A decisão afirma que a estrutura investigada não atuava apenas para intimidação, mas também para obter informações reservadas sobre procedimentos de interesse do grupo.

“Esse episódio reforça, em tese, que a estrutura clandestina mobilizada por Marilson e pela ‘Turma’ não atuava apenas para intimidação ou cobrança, mas também para obter informações sigilosas sobre investigações de interesse direto de Henrique”, diz a decisão.

Outro ponto destacado pelo ministro é que a investigação identificou continuidade do financiamento da estrutura mesmo após fases anteriores da operação.

“Os elementos contemporâneos demonstram que o vínculo operacional e financeiro entre Henrique Moura Vorcaro e integrantes do grupo persistiu mesmo após a deflagração das fases ostensivas da investigação”, afirma Mendonça.

Notas fiscais, pagamentos e registros financeiros citados pela PF indicariam que o grupo continuou operando entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026.

Ao justificar a prisão preventiva, André Mendonça afirma que há “fortes indícios” de participação dos investigados em uma “complexa estrutura” voltada à prática de crimes com “profunda repercussão negativa na sociedade”.

A decisão também sustenta que o grupo apresentava risco concreto de destruição de provas, intimidação de testemunhas e continuidade das atividades criminosas.





ICL Notícias

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