(Folhapress) – O petróleo superou os US$ 98 nesta segunda-feira (7) e atingiu o maior preço desde junho, em meio a novos ataques dos EUA e do Irã contra navios petroleiros e a uma refinaria da commodity.
Por volta das 13h, o contrato de novembro do Brent, referência mundial do petróleo, avançava 0,98%, a US$ 97,22. Na máxima, chegou a US$ 98,05, alta de 1,84%, no maior nível desde 8 de junho, quando atingiu US$ 98,08.
No mesmo horário, o WTI, referência nos EUA, também subia. A alta era de 1,36%, a US$ 92,72.
A alta reflete o aumento da preocupação dos investidores com a escalada militar entre EUA e Irã no fim de semana e na manhã desta segunda-feira (7). Com os novos confrontos, cresce o receio de interrupções no fluxo global de petróleo, o que pressiona as cotações.
Nesta manhã, as instalações da estatal saudita Saudi Aramco em Jizan voltaram a ser atingidas. No começo de agosto, os houthis, aliados de Teerã no Iêmen, já haviam atacado a refinaria da companhia.
Segundo uma das pessoas a par do episódio, o ataque desta segunda-feira teve proporções semelhantes às do ocorrido no mês passado. A Saudi Aramco não respondeu a um pedido de informações, e os houthis não reivindicaram até o momento o novo ataque contra a Arábia Saudita.
A refinaria de Jizan tem capacidade para processar 400 mil barris de petróleo por dia e está entre as maiores do país.
No sábado (5), forças dos EUA atacaram três petroleiros iranianos no sábado, informou o Comando Central dos Estados Unidos.
Um deles estava próximo à Ilha Kharg, principal polo de exportação de petróleo do Irã. Os ataques ocorreram após ações do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã contra navios de guerra americanos na região.
Em retaliação, a Marinha da Guarda Revolucionária afirmou, no mesmo dia, ter atacado três petroleiros que navegavam por rotas não autorizadas no estreito, além de outras três embarcações americanas em diferentes áreas.
Os três petroleiros iranianos eram Downy, Stark I e Kylo, também conhecido como Noxen, informou a empresa de inteligência marítima Marisks em nota.
O endurecimento do conflito também afeta o tráfego pelo estreito de Hormuz. Segundo dados da empresa de análise Kpler, uma média de dez navios de carga por dia transitou pela passagem nos últimos dez dias, o menor nível desde maio.
A média móvel de dez dias ficou em dez embarcações no domingo (6), abaixo das mais de 15 registradas na sexta-feira (4) e das quase 13 no sábado (5).
Apenas duas embarcações atravessaram o estreito no sábado, enquanto seis fizeram a travessia no domingo, a maioria pela rota iraniana.
Os ataques de sábado representaram uma “grande escalada do conflito marítimo”, afirmou a Maersk.
“Petroleiros comerciais estão agora sendo deliberadamente usados como instrumentos de pressão econômica recíproca, enfraquecendo substancialmente a distinção anterior entre confronto militar e navegação comercial”, acrescentou.
Para a empresa de navegação, o risco é considerado extremo tanto para embarcações iranianas ou associadas ao Irã quanto para navios vinculados aos EUA.
Desde 6 de julho, 27 incidentes envolvendo impactos de projéteis causaram danos a embarcações no Estreito de Ormuz e em seus arredores, segundo a UK Maritime Trade Operations (UKMTO).
No domingo, um superpetroleiro e três graneleiros entraram no estreito. Um petroleiro que tentava deixar a região precisou retornar, enquanto nenhum superpetroleiro deixou a passagem desde quarta-feira, segundo dados da Kpler e da LSEG.



