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terça-feira, 12 maio, 2026
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Petrobras lucra R$ 32,6 bilhões no 1º tri e vai pagar R$ 9 bilhões em dividendos

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A Petrobras anunciou a distribuição de R$ 9,03 bilhões em dividendos ordinários aos acionistas referentes ao primeiro trimestre de 2026, ao mesmo tempo em que reportou lucro líquido de R$ 32,6 bilhões no período. Em relação ao quarto trimestre de 2025, o valor corresponde a um aumento de 110%.

Porém, embora o resultado tenha superado as estimativas do mercado, representou queda de 7,2% em relação ao mesmo intervalo do ano passado.

Segundo a estatal, o Ebtida ajustado (indicador financeiro que mede lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 59,6 bilhões.

O resultado, de acordo com a estatal, foi sustentado por aumento da produção total própria, que cresceu 16% quando comparada ao mesmo período de 2025, e o incremento da produção e da venda de derivados.

Em relação ao quarto trimestre de 2025, a valorização de 27% do petróleo Brent e a apreciação do real frente ao dólar também contribuíram positivamente para os resultados. O fluxo de caixa operacional foi de R$ 44 bilhões no primeiro trimestre do ano.

A empresa investiu R$ 26,8 bilhões no período analisado, o que representou aumento de 25,6% em relação ao mesmo período de 2025.

“Nossos investimentos estão se convertendo em crescimento da produção de petróleo e de derivados, demonstrando a solidez e a eficácia da nossa estratégia de criação de valor. Batemos, mais uma vez, recordes de produção de petróleo e gás e estamos convertendo em ganhos toda a eficiência de nossas refinarias”, disse o diretor Financeiro e de Relacionamento com Investidores, Fernando Melgarejo.

Pagamento de dividendos

O montante destinado aos acionistas ficou abaixo das projeções de analistas, que esperavam uma remuneração próxima de US$ 2,4 bilhões, equivalente a cerca de R$ 11,8 bilhões. O governo federal, principal acionista da companhia, ficará com aproximadamente 28,67% do total distribuído.

A remuneração corresponde a R$ 0,70097272 por ação ordinária e preferencial em circulação. O pagamento será realizado em duas parcelas, previstas para agosto e setembro.

Produção recorde sustenta resultado

O desempenho da estatal foi impulsionado principalmente pelo aumento da produção e pela valorização internacional do petróleo ao longo do trimestre. A produção comercial subiu 16%, alcançando 2,831 milhões de barris de óleo equivalente por dia, enquanto o pré-sal avançou 17,8%.

O preço médio do barril de petróleo também contribuiu para o resultado. A cotação passou de US$ 75,66 no primeiro trimestre do ano passado para US$ 80,61 neste ano, movimento influenciado pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio e pelos ataques envolvendo Estados Unidos e Irã.

Além disso, os embarques de petróleo cresceram 61,2% na comparação anual, com destaque para a demanda asiática, sobretudo da China, principal destino das exportações brasileiras da commodity.

Câmbio e custos pressionam geração de caixa

Apesar do avanço operacional, a Petrobras enfrentou pressão nos custos, especialmente devido à valorização do real frente ao dólar. O câmbio médio caiu de R$ 5,84 para R$ 5,26 na comparação anual, elevando despesas na área de exploração e produção.

O fluxo de caixa livre da companhia recuou de R$ 26 bilhões para R$ 20 bilhões, refletindo aumento de custos operacionais, despesas com fornecedores e efeitos relacionados ao capital de giro. Analistas também destacaram preocupação com o fato de a empresa ainda não ter capturado integralmente os ganhos recentes da alta do petróleo.

Segundo a estatal, parte dessa defasagem ocorre porque a precificação das exportações para o mercado asiático considera cotações do mês anterior à entrega da carga. Assim, os efeitos mais fortes da disparada do petróleo devem aparecer apenas nos resultados do segundo trimestre.

Refino impulsiona lucro operacional

Entre as áreas de negócio, o segmento de refino, transporte e comercialização apresentou o melhor desempenho. O lucro da divisão disparou 459,6%, chegando a R$ 12,05 bilhões, beneficiado pela alta das cotações internacionais e pelas maiores margens obtidas na exportação de derivados.

Já a área de exploração e produção, principal fonte de receitas da companhia, registrou queda de 12,9% no lucro, impactada pela elevação dos custos de extração e pela valorização cambial.

Dívida cresce

A Petrobras encerrou março com dívida bruta de US$ 27,53 bilhões, acima dos US$ 23,83 bilhões registrados um ano antes. A dívida líquida também avançou, passando de US$ 56 bilhões para US$ 62 bilhões.

Apesar das pressões sobre caixa e endividamento, especialistas avaliam que o segundo trimestre poderá trazer resultados mais robustos, caso a alta recente do petróleo continue sustentando margens maiores de exportação e rentabilidade operacional.





ICL Notícias

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