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terça-feira, 10 fevereiro, 2026
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PESQUISA: Quase metade dos brasileiros quer revolução ou acha que ela já começou

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Quase metade da população brasileira defende a necessidade de uma revolução no país – ou entende que ela até já está em curso. Esse é o somatório das respostas da pesquisa, entre todas as categorias, daqueles que acreditam que mudanças só viriam com rupturas radicais (35%) e dos que pensam que a revolução está em andamento, mesmo que isso venha ocorrendo lentamente (10%).

Esse é um dos resultados da pesquisa nacional de opinião pública encomendada pelo ICL e realizada pela Ágora Consultores, que ouviu quase 10 mil pessoas das diferentes classes sociais. O levantamento foi realizado entre 17 e 23 de novembro de 2025 para conhecer o pensamento do brasileiro. As conclusões do trabalho estão sendo publicadas em primeira mão pela Revista Liberta.

Mas de que revolução o brasileiro está falando? Os sentidos atribuídos a essa ideia podem não ser tão óbvios a um primeiro olhar. Quando os dados começam a ser esmiuçados pelo viés político dos consultados, percebe-se que o sentido atribuído à revolução não indica necessariamente uma guinada socialista, mas, sobretudo, a ideia de se afastar do que está aí.

“Quem propõe mudanças radicais hoje é a direita: destruir o Banco Central, dolarizar, destruir a educação e a saúde pública como as conhecemos”, enumera o cientista político Diego Villanueva, diretor da Ágora Consultores, que realizou a pesquisa. Essa associação da direita a mudanças não se restringe apenas ao contexto brasileiro – também é ouvida em outros países da região, como a Argentina de Javier Milei ou o Equador de Daniel Noboa. “Mesmo o segundo governo Trump é muito mais ‘revolucionário’ do que o primeiro”, argumenta.

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A questão não é secundária num país onde o termo “revolução” já foi historicamente utilizado para se referir a viradas para a extrema direita, como o golpe de 1964. Números que ajudam a ilustrar o significado turvo dessa interpretação sobre uma ruptura aparecem quando, por exemplo, a pesquisa se detém na distinção entre aqueles que votaram em Lula e Bolsonaro na última eleição.

Entre eleitores do petista há quatro anos, a opinião defendida por quase dois terços (63%) na verdade é contra uma revolução, argumentando que “a democracia deve ser respeitada”. Por outro lado, apenas 16% dos votantes em Lula em 2022 concordam com a afirmação de que mudanças no país só vão ocorrer mediante rupturas radicais. Entre os que votaram à esquerda quatro anos atrás, a proporção entre defensores da democracia é quase idêntica (62%) à dos que entendem que o sistema político atual “precisa de ajustes”, mesmo sendo democrático.

Considerando todos os recortes, inclusive além dos eleitores de Lula, o grupo que vê o sistema atual como democrático mas precisando de melhorias encara a democracia como um limite intransponível: mesmo fazendo críticas à corrupção, aos privilégios e ao mau funcionamento do Congresso e do sistema partidário, a ideia é a de que as correções sejam feitas por meio da redução de desigualdades e do fortalecimento das instituições, sem sair do marco constitucional.

Mas, quando as perguntas são feitas aos eleitores de Bolsonaro em 2022, a proporção se inverte. Só 22% deles se alinham com o argumento de defesa da democracia, enquanto 48% sustentam a necessidade de uma ruptura radical. Na prática, quem tem mais abertura a uma revolução, atualmente, são aqueles que se posicionam à direita – o ideal “revolucionário” precisa ser entendido como uma quebra com o sistema atual que, aos olhos desses grupos, não funciona e, com frequência, nem merece ser enquadrado como democrático.

Entre eleitores bolsonaristas de quatro anos atrás, 45% dizem concordar com a ideia de que o sistema vigente é “totalmente falido” e “precisa ser destruído”. Entre os adeptos dessa resposta, prevalece uma ideia de que “vivemos numa ditadura disfarçada”, “o Brasil está à deriva, cada dia pior”, e até termos como “narco-Estado” são utilizados. Para esse grupo, não é mais possível corrigir o rumo do país dentro das regras atuais, e a análise qualitativa traz mais frases que lançam luz sobre essa interpretação: os maiores entusiastas de uma ruptura enxergam o país, hoje, como um regime opressivo, que pode ser definido por uma combinação de “comunismo” e “ideologias de esquerda que só dividem”. Também aparecem expressões para definir a realidade nacional como uma “ditadura do Poder Judiciário” e um contexto em que “o atual presidente só está no poder porque domina o STF ou vice-versa”.

Quando o recorte é expandido para além de Lula x Bolsonaro, chegando também à identificação ideológica, fica ainda mais evidente onde está o desejo da ruptura: apenas 7% dos que se dizem de centro-esquerda acreditam que mudanças demandam rupturas radicais; a proporção até sobe para 25% nos que se dizem de esquerda, mas ainda fica muito abaixo dos índices registrados pela centro-direita e direita – respectivamente, 50% e 51%.

Por outro lado, se os mesmos grupos são colocados diante da proposta de negar uma revolução, porque “a democracia tem que ser respeitada”, novamente ocorre a inversão: 49% dos identificados com a centro-esquerda e 54% dos identificados com a esquerda concordam com a afirmação, opinião que só é compartilhada por 18% da centro-direita e 21% da direita. Mas, mesmo entre os setores contrários a uma ruptura, o entendimento de que melhorias são necessárias é muito mais presente do que uma defesa cega do status quo atual: entre todas as categorias, só 5% dos brasileiros defendem que o sistema atual é melhor do que qualquer alternativa revolucionária.

A questão de fundo, no entanto, permanece sem uma resposta definitiva: que revolução quer o brasileiro, especialmente aquele mais à direita, que hoje apoia a ruptura com mais afinco? “Não têm grandes consensos”, resume Villanueva. “O que estão botando em discussão não é para onde levar a revolução: é sobre mudar ou não mudar.”

O estudo consiste em uma pesquisa de opinião pública cujo universo abrange pessoas com 16 anos ou mais na República Federativa do Brasil, realizada por meio do Painel on-line da Ágora Consultores. Foi adotado um desenho amostral estratificado por Unidade da Federação (UF/Estado), com cotas populacionais conforme dados censitários e aplicação de cotas cruzadas por sexo, faixa etária e zona/área, assegurando consistência e equilíbrio na composição amostral. A amostra totalizou 9.497 entrevistas efetivas, com nível de confiança de 95% e margem de erro amostral de ±1,0 p.p. para distribuições simétricas.

Como etapa adicional de robustez, a base foi ponderada e calibrada por sexo, idade, escolaridade e áreas, e submetida a procedimentos de controle de qualidade e consistência, incluindo validações de respostas, identificação de duplicidades, checagens de coerência interna e análise de tempo de resposta.



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