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terça-feira, 10 fevereiro, 2026
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Pesquisa aponta Omar Aziz perto de vitória no primeiro turno no Amazonas e revela eleitorado cauteloso

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Estudo mostra vantagem sólida na disputa pelo governo e favoritismo ao Senado, enquanto eleitor demonstra cansaço da polarização nacional

Uma pesquisa eleitoral realizada entre os dias 15 e 19 de dezembro de 2025 revela um cenário de vantagem consistente do senador Omar Aziz na corrida pelo Governo do Amazonas e indica um eleitorado majoritariamente cauteloso, pouco engajado ideologicamente e avesso à polarização política nacional. O levantamento ouviu 2.000 eleitores por telefone em todo o estado, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

De acordo com os dados, Omar Aziz alcança 47,1% dos votos válidos na pesquisa estimulada, aproximando-se da maioria absoluta necessária para vencer ainda no primeiro turno. O resultado é impulsionado pela fragmentação da oposição e por um índice de rejeição significativamente menor em comparação aos adversários diretos.

Eleitorado reativo e decisão tardia do voto

Um dos principais diagnósticos da pesquisa é o perfil do eleitor amazonense em 2025. Apenas 22% dos entrevistados se declaram “muito interessados” em política e assuntos do estado. A maioria, 58%, apresenta interesse médio ou baixo, caracterizando um eleitorado considerado reativo, que tende a decidir o voto mais próximo da eleição, influenciado por estímulos concretos e pela imagem dos candidatos, e não por alinhamentos ideológicos consolidados.

O levantamento aponta ainda que o interesse político cresce de forma significativa entre eleitores com ensino superior completo, chegando a 49%. Nas faixas de menor escolaridade, no entanto, o engajamento permanece reduzido, o que reforça a necessidade de estratégias de comunicação mais simples e diretas por parte das campanhas.

Ceticismo com informações e força do celular

Outro dado relevante diz respeito à confiança nas informações que circulam pelo WhatsApp. Segundo a pesquisa, 90% dos eleitores demonstram ceticismo em relação ao conteúdo recebido pela plataforma, somando aqueles que “confiam pouco” ou “não confiam”. Apenas 6% afirmam confiar muito nas informações compartilhadas.

Esse descrédito é ainda mais acentuado entre eleitores com mais de 60 anos, enquanto o impacto prático para as campanhas é claro: o eleitor prefere checar outras fontes antes de acreditar em mensagens recebidas por aplicativos de conversa.

Paralelamente, o consumo de notícias pelo celular se consolida como hábito central. Metade do eleitorado, 51%, afirma ler notícias no celular todos os dias. O índice sobe para 77% entre eleitores com ensino superior completo e chega a cerca de 60% na faixa etária entre 25 e 44 anos, confirmando o ambiente digital como campo prioritário de disputa eleitoral.

Economia defensiva molda o discurso político

A avaliação da situação econômica familiar ajuda a explicar o humor do eleitor. Para 53% dos entrevistados, a condição financeira é considerada “regular”. Apenas 33% avaliam a situação como positiva, enquanto o restante percebe dificuldades maiores.

Segundo a síntese do estudo, essa percepção não aponta para uma crise aguda, mas para um sentimento generalizado de estagnação e cautela. Esse cenário favorece discursos focados em estabilidade, correção de rumos e previsibilidade, em detrimento de propostas consideradas radicais ou aventureiras.

Rejeição concentra-se em figuras nacionais

No cenário nacional, a pesquisa mostra que a rejeição do eleitor amazonense está fortemente concentrada em dois polos. O presidente Lula registra rejeição de 44%, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 35%. Todos os demais nomes testados apresentam rejeição inferior a 2%, o que indica desconhecimento ou indiferença em relação às demais lideranças nacionais.

O dado reforça a leitura de fadiga política: cerca de 14% dos eleitores afirmam rejeitar todos os nomes apresentados ou não souberam responder, sinalizando distanciamento do embate nacional e reforçando a tendência de decisões mais pragmáticas no plano estadual.

Disputa pelo governo e vantagem estratégica

Na corrida pelo Governo do Amazonas, Omar Aziz lidera com folga. Além dos 47,1% dos votos válidos, ele é o único candidato cujo índice de intenção de voto supera a rejeição, resultando em um saldo estratégico positivo de +18 pontos.

Maria do Carmo aparece com 23% das intenções de voto e enfrenta um saldo negativo de -6, já que sua rejeição supera o apoio atual. David Almeida vem logo atrás, com 22%, mas registra o maior índice de rejeição do cenário, o que gera um saldo crítico de -14 e indica um teto baixo de crescimento.

A disputa pelo segundo lugar permanece aberta e acirrada entre Maria do Carmo e David Almeida, configurando o principal foco de tensão do primeiro turno.

Força territorial e recortes demográficos

O desempenho dos candidatos varia significativamente conforme a região do estado. Omar Aziz apresenta crescimento expressivo no interior, alcançando 52% nas pequenas cidades e 50% nos municípios de porte médio. Esse domínio fora da capital é apontado como um dos pilares de sua vantagem eleitoral.

Maria do Carmo, por sua vez, concentra força em Manaus, onde chega a 28%, mas perde tração nas cidades menores, caindo para 15%. Já David Almeida apresenta melhor desempenho em grandes cidades do interior, com 27%, embora sua base seja considerada mais dispersa.

Há também diferenças relevantes por gênero e faixa etária. Omar Aziz performa melhor entre os homens, enquanto David Almeida encontra maior apoio relativo entre as mulheres. Em termos geracionais, David apresenta um perfil em “U”, com força entre jovens e idosos, enquanto Omar domina a faixa economicamente ativa, dos 25 aos 59 anos, mantendo índices estáveis acima de 40%.

Escolaridade e religião influenciam o voto

A pesquisa aponta que Maria do Carmo cresce conforme aumenta o nível de escolaridade do eleitor, atingindo 33% entre aqueles com ensino superior completo. Omar Aziz, no entanto, mantém uma base transversal, com cerca de 40% em todos os níveis de escolaridade.

No recorte religioso, Omar lidera com folga entre os católicos, com 50%. Entre os evangélicos, a disputa se torna mais equilibrada: Maria do Carmo alcança 29%, David Almeida 23% e Omar recua para 35%, reduzindo sua vantagem nesse segmento específico.

Senado tem favoritos consolidados

Na disputa pelas duas vagas ao Senado Federal, a pesquisa aponta favoritismo claro de Eduardo Braga e Capitão Alberto Neto, que somam 61% e 55% dos votos válidos, respectivamente, considerando o primeiro e o segundo voto do eleitor.

A briga pela segunda vaga, no entanto, permanece aberta. Plínio Valério aparece com 27%, enquanto Wilson Lima registra 26%, mantendo a disputa em um cenário ainda fluido.

Rejeição impõe limites no Senado

O índice de rejeição surge como fator decisivo na disputa senatorial. Wilson Lima enfrenta uma rejeição de 46%, a maior do quadro, o que cria uma barreira estrutural para seu crescimento e dificulta a conversão de eleitores indecisos.

Eduardo Braga, com rejeição de 32%, e Capitão Alberto Neto, com 28%, possuem margem mais confortável para avançar durante a campanha.

Bases eleitorais distintas

Capitão Alberto Neto lidera na capital, com 41%, e alcança seu melhor desempenho entre jovens de 25 a 34 anos, chegando a 49%. O perfil é descrito como urbano e conectado. Eduardo Braga mantém força histórica no interior, especialmente nas cidades médias, onde atinge 55%, beneficiado por rejeição mais baixa nesses municípios.

Plínio Valério se destaca como um candidato de voto de opinião, crescendo de forma consistente conforme aumenta a escolaridade do eleitor, chegando a 40% entre aqueles com ensino superior completo.

Pragmatismo define o cenário

A conclusão estratégica da pesquisa é clara: o eleitor amazonense demonstra cansaço da polarização nacional e tende a priorizar estabilidade econômica, pragmatismo e confiança pessoal. Discursos excessivamente ideológicos ou agressivos aparecem como fator de aumento da rejeição, sem conversão proporcional em votos.

Nesse contexto, Omar Aziz surge em rota consistente de vitória, possivelmente ainda no primeiro turno, enquanto Maria do Carmo e David Almeida travam a disputa mais aberta do pleito. No Senado, embora haja favoritos claros, a definição da segunda vaga segue dependente da dinâmica final da campanha e da capacidade de reduzir rejeições.

Fonte: Pesquisa Eleitoral Comunidados 

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