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Peru vai às urnas neste domingo escolher entre 35 candidatos à presidência, mas sem favoritos

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Por Rodrigo Durão Coelho – Brasil de Fato

Neste domingo (12), o Peru inicia o processo de escolha de seu novo presidente em meio a um clima de incerteza e apatia social. O sentimento é fruto de anos de turbulência, marcados por sucessivos escândalos de corrupção e processos de impeachment que abalaram a confiança dos cidadãos nas instituições.

A instabilidade é evidente: desde 2018, o país viu passar oito mandatários, resultado de um ciclo de interrupções democráticas. O Congresso foi protagonista dessa desordem, destituindo quatro líderes e forçando a renúncia de outros dois. Diante desse cenário fragmentado, com 35 candidatos e nenhum favorito isolado, analistas consideram esta eleição uma das mais difíceis da história peruana.

“O modelo neoliberal levou ao caos e à ruína a maioria dos peruanos. Politicamente, o executivo, o legislativo e o judiciário estão tomados nos últimos 10 anos por grupos criminosos”, disse ao Brasil de Fato Santos Saavedra Vásquez, presidente do partido Unidad Popular.

“Em 2021, o camponês Pedro Castillo chegou ao poder, o que desagradou as elites, a extrema direita, e usaram todas as artimanhas jurídicas para derrubá-lo. Em 2022, tentaram um golpe de Estado a partir do Congresso. Castillo foi preso e está assim até hoje.”

“Tivemos 4 presidentes em cinco anos, apenas um eleito e três colocados pelo Congresso”, afirma ele.

Pesquisas pouco confiáveis

Os jovens com menos de 30 anos representam 26% do eleitorado e possuem o poder de decidir o pleito. Contudo, a falta de opções empolgantes gera um vácuo: 16% estão indecisos e 11% planejam votar em branco ou anular, conforme dados da Ipsos.

O Peru, onde o voto é compulsório para seus 34 milhões de habitantes, tenta superar a crise política que se arrasta desde 2016. O fujimorismo busca retornar ao poder com Keiko Fujimori, que lidera com 15% das intenções de voto em sua quarta tentativa presidencial.

A disputa pela vaga no segundo turno segue acirrada entre:

  • Ricardo Belmont: ex-prefeito de Lima (80 anos), que ganhou fôlego nas redes sociais via TikTok.
  • Carlos Álvarez: comediante com plataforma de direita.
  • Rafael López Aliaga: candidato de perfil ultraconservador.

Mas Vásquez afirma que esses números não são confiáveis porque “as pesquisas eleitorais no Peru são sempre manipuladas”.

“Elas sempre defendem os interesses da classe dominante, por isso apontam liderança de quem interessa a eles. Em 2021, Castillo não aparecia nem com 1% das intenções de voto e acabou ganhando”, diz.

Ele diz que “as expectativas do campo popular são grandes, há dois ou três nomes como representantes do campo popular, com chances de chegar ao segundo turno marcado para julho”.

Roberto Sánchez Palomino disputa a presidência do Peru em 2026 pela legenda Juntos pelo Peru. À frente do partido de orientação social-democrata e visto como um sucessor político de Pedro Castillo, Sánchez centra sua plataforma na reforma do Judiciário e na revisão dos contratos de exploração do gás de Camisea.

Outros nomes são o economista Alfonso López Chau, ex-reitor da UNI (Ahora Nación); o congressista e ex-ministro Roberto Sánchez (Juntos pelo Peru); e o advogado Ronald Atencio, que encabeça a Aliança Venceremos, coalizão que une o Nuevo Peru, Voces Del Pueblo e diversos movimentos progressistas.

Apesar da desconexão com a cúpula política tradicional, a juventude peruana mantém sua veia ativista. A “Geração Z” foi o motor dos protestos de 2024 que resultaram na saída de Dina Boluarte do poder. No momento, porém, esse engajamento volta-se para a crise de segurança, já que a escalada da violência urbana se tornou a maior inquietação dos votantes para este pleito.

“As forças do fascismo seguem fortes. Temos a filha do ditador Fujimori e outro representante dos interesses dos EUA, Aliaga, que querem instituir um governo como o de Milei na Argentina. Mas o momento é de disputa”, afirma Vásquez.





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