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quarta-feira, 8 abril, 2026
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PDV dos Correios fica abaixo da meta e desafios na reestruturação permanecem

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Pouco mais de 3 mil funcionários dos Correios aderiram ao Programa de Demissão Voluntária (PDV) até o encerramento do prazo, na noite de terça-feira (7). O balanço final deve ser divulgado nesta quarta-feira (8), mas os dados preliminares indicam uma adesão de 3.075 empregados — cerca de 30% da meta inicialmente projetada.

A expectativa da estatal era desligar 10 mil trabalhadores em 2026 e outros 5 mil em 2027. Diante da baixa procura, o prazo, inicialmente previsto para o fim de março, foi prorrogado por uma semana. A empresa, no entanto, já informou que não haverá nova extensão nem reabertura do programa.

O PDV é uma das principais frentes do plano de reestruturação da estatal, lançado no fim de 2025 para tentar reverter uma crise financeira que já se estende por mais de três anos.

Cem dias após o anúncio das medidas, os resultados ainda são considerados modestos frente ao tamanho do desafio. Além do PDV, os Correios têm adotado iniciativas como otimização de rotas logísticas, controle de produtividade e negociações sobre jornada de trabalho no acordo coletivo 2025/2026.

Segundo a empresa, essas ações, combinadas à redução gradual do quadro de funcionários, devem garantir o cumprimento das metas do plano.

Venda de imóveis

Outra frente importante é a venda de ativos imobiliários. Até agora, 11 imóveis foram vendidos, gerando cerca de R$ 11,3 milhões. A estatal pretende arrecadar até R$ 1,5 bilhão com a alienação de propriedades, mas enfrenta dificuldades: nos primeiros leilões, realizados em fevereiro, apenas 4 dos 21 imóveis ofertados foram arrematados.

Novos leilões estão previstos para os dias 9 e 16 de abril, com 42 imóveis disponíveis em todo o país. Para tentar acelerar as vendas, parte dos ativos será ofertada com descontos de até 25%.

Fechamento de unidades e corte de custos

O plano também prevê o fechamento ou reestruturação de até mil unidades até o fim de 2026, incluindo agências, sem comprometer a prestação universal dos serviços. Desde o início da reestruturação, 127 unidades já foram encerradas.

De acordo com os Correios, as medidas implementadas no primeiro trimestre devem gerar economia anual superior a R$ 500 milhões.

Crise persistente e resultados negativos

Os Correios enfrentam uma crise financeira. O diagnóstico nas contas da empresa identificou déficit estrutural superior a R$ 4 bilhões anuais, patrimônio líquido negativo de R$ 10,4 bilhões e prejuízo acumulado de R$ 6,057 bilhões até setembro de 2025. Ainda não há um número fechado em relação ao saldo do ano.

Segundo a direção da companhia, a crise vem desde 2016, motivada pelas mudanças no mercado postal em razão da digitalização das comunicações, que substituiu as cartas, reduzindo a principal fonte de receita da empresa.

A estatal também atribui as dificuldades financeiras à entrada de novos competidores no comércio eletrônico como um dos motivos da atual crise do setor.

 





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