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quarta-feira, 11 fevereiro, 2026
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Parceira no projeto de máquinas chinesas com o Brasil, Universidade de Agricultura da China completa 120 anos — Brasil de Fato

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A Universidade Agrícola da China (CAU) celebrou seu 120º aniversário em 16 de outubro com uma grande conferência em Pequim, reunindo representantes de mais de 140 universidades nacionais e estrangeiras, incluindo parceiros brasileiros envolvidos em projetos de cooperação técnica e científica.

O presidente chinês Xi Jinping enviou uma carta aos professores e alunos da instituição parabenizando-os pelo aniversário e destacando a importância da universidade para a segurança alimentar e o desenvolvimento da agricultura do país.

Entre os parceiros brasileiros, estavam presentes na celebração, instituições como a Universidade de Brasília (UnB), o Instituto Nacional do Semiárido (Insa) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), mediada pela Associação Internacional para a Cooperação Popular, Baobab.

“Reconhecemos a trajetória notável da CAU no avanço das ciências agrárias e na promoção da segurança alimentar, uma missão que se alinha profundamente com os valores e compromissos da nossa própria instituição com a justiça socioambiental”, afirmou Márcio Muniz de Farias, vice-reitor da UnB, em mensagem de felicitações à universidade chinesa.

Projetos Sul-Sul de mecanização e bioinsumos

A principal frente de cooperação entre a CAU e instituições brasileiras envolve a mecanização agrícola voltada para a agricultura familiar. Luiz Zarref, coordenador para América Latina da Baobab, destaca o desenvolvimento, conduzido pela Faculdade de Engenharia da CAU, de iniciativas com o Consórcio Nordeste, a UnB e o Insa, nas quais máquinas de mais de uma dezena de empresas chinesas são testadas em assentamentos da reforma agrária.

“O objetivo é selecionar as máquinas mais adequadas para a produção em território nacional, considerando as especificidades da agricultura familiar brasileira”, explicou Zarref. O projeto conta com o apoio do Laboratório Conjunto em Mecanização e Inteligência Artificial para a Agricultura Familiar, estabelecido em parceria com o Insa.

No Brasil o MST, que é um dos idealizadores da associação, se tornou o principal parceiro dos projetos. Para promover a mecanização agrícola no campesinato brasileiro, a Faculdade de Engenharia possui iniciativas com o Consórcio Nordeste, a Universidade de Brasília e o Instituto Nacional do Semiárido, nas quais máquinas de mais de uma dezena de empresas chinesas são testadas em assentamentos da reforma agrária, com o objetivo de selecionar as mais adequadas para a produção em território nacional.

Outra linha de cooperação envolve a Faculdade de Recursos e Ciências Ambientais da CAU, que trabalha com cooperativas do Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), e diversas instituições federais e estaduais para a introdução no Brasil da tecnologia de compostagem acelerada. De forma resumida, o processo permite transformar resíduos orgânicos urbanos em fertilizante orgânico de alta qualidade em apenas 21 dias.

Centro Brasil-China para Agricultura Familiar

A UnB destacou ainda a colaboração no âmbito do Centro Brasil-China para Agricultura Familiar, focado no intercâmbio de conhecimento, desenvolvimento de tecnologias adaptadas e promoção de políticas públicas que fortalecem a agroecologia.

“Ficamos honrados de participar desse momento histórico que não é apenas uma celebração de um legado de excelência, mas também de um modelo na relação sociedade-universidade”, afirmou Farias. “A UnB acredita que o fortalecimento de nossas parcerias em áreas estratégicas, como revitalização rural, mecanização, bioinsumos, segurança e soberania alimentar, é fundamental para enfrentar os complexos desafios globais da atualidade.”

Em junho deste ano, a CAU também firmou uma Declaração Conjunta com o Instituto Nacional do Semiárido (INSA) para estabelecer um Laboratório Conjunto em Mecanização e Inteligência Artificial para a Agricultura Familiar. O acordo foi assinado durante reunião de alto nível em Brasília entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e a vice-ministra de Ciência e Tecnologia da China, Lin Xin. A parceria prevê o desenvolvimento de tecnologias de inteligência artificial e maquinário de pequeno porte adaptados às necessidades da agricultura familiar no semiárido brasileiro, com foco em monitoramento ambiental e análise de solos.

Depois da assinatura do memorando de entendimento em Brasília entre a CAU e o INSA, do projeto de um laboratório de mecanização e inteligência artificial para pequenas máquinas para agricultura familiar, nós lançamos aqui a pedra fundamental do laboratório”, afirmou ao Brasil de Fato, José Etham de Lucena Barbosa, diretor do INSA. “Isso é um esforço nosso, do INSA, do Ministério, da Finep [Financiadora de Estudos e Projetos, empresa pública vinculada ao MCTI] e dos movimentos sociais em concretizá-lo na parte do Brasil”.

O diretor do INSA reconhece que a implementação das parcerias com a China exige ampla articulação institucional no Brasil.”O INSA sozinho não pode dar conta desse grande objetivo”, destacou Barbosa. “As universidades do Rio Grande do Norte, principalmente a UERN, a UFRN, o IFRN, as da Paraíba – UFPB, UFCG – e o próprio INSA, além do governo e as diversas instituições, formam o escopo que nós temos para objetivar esse memorando de entendimento com a CAU. Eles sabem muito bem o que eles querem, e a gente tem que ser também pragmático nessa direção.”

Trajetória e reconhecimento internacional

Fundada em 1905 como a Faculdade de Agricultura da Universidade Imperial de Pequim, a instituição assumiu papel estratégico após a fundação da República Popular da China em 1949. Sob as diretrizes da Reconstrução Socialista e Autossuficiência Alimentar, faculdades de agronomia de diversas universidades foram incorporadas, formando a Universidade de Agronomia de Pequim.

Após décadas desenvolvendo tecnologias centrais para a organização da agropecuária chinesa, em 1995 fundiu-se à Universidade de Engenharia Agrícola de Pequim, sendo rebatizada como Universidade Agrícola da China. Zarref destaca que, após o forte apoio de diversos projetos nacionais, a CAU alcançou a posição de melhor universidade em Ciências Agrárias do mundo, segundo rankings como ARWU e U.S. News.

Na cerimônia do 120º aniversário, o presidente Xi Jinping enfatizou em sua carta que a universidade deve “aprofundar as reformas na educação e no ensino, fortalecer a inovação científica e tecnológica agrícola e fazer novas contribuições para construir um país agrícola forte e promover a modernização no estilo chinês”.

A conferência contou com a presença de autoridades chinesas, representantes de universidades internacionais e mais de 40 acadêmicos, além de ex-alunos e estudantes da instituição.

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Fonte: Brasil de Fato

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