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terça-feira, 10 fevereiro, 2026
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Para Gustavo Petro, absolvição de ex-presidente Uribe encobre influência paramilitar na Colômbia — Brasil de Fato

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O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, disse que a decisão da Justiça do país que anulou nesta terça-feira (21) a condenação do ex-mandatário Álvaro Uribe por suborno de testemunhas serve ao narcotráfico. O líder da direita colombiana de 73 anos havia se tornado, em agosto, o primeiro ex-presidente do país a ser condenado criminalmente e a perder a liberdade, com a pena máxima prevista por suborno e fraude processual, em uma decisão de primeira instância da qual sua defesa recorreu.

“É assim que se encobre a história da governança paramilitar na Colômbia, a história dos políticos que chegaram ao poder aliados ao narcotráfico e que desencadearam um genocídio no país”, escreveu no X o presidente Gustavo Petro, adversário político de Uribe.

Apesar de gravações de Uribe que o incriminavam, um juiz de um tribunal de Bogotá revogou a condenação pelos dois crimes, que previa 12 anos de prisão domiciliar. Ele afirmou não ter encontrado provas suficientes para incriminar Uribe, considerou ilegais as escutas usadas como evidência e apontou falhas na “metodologia” da juíza que proferiu a sentença anterior.

Gustavo Petro destacou que a absolvição contradiz decisões judiciais anteriores. Para ele, “o Tribunal Superior de Bogotá repete a história, contradiz a Suprema Corte e afirma que a interceptação judicial de um criminoso por um ministro da Suprema Corte, na qual a voz de Uribe aparece falando sobre subornos, é uma forma de privacidade”.

“Agora, Trump, aliado a esses políticos e a Uribe, buscará sancionar o presidente que, ao longo de sua vida, denunciou as alianças entre o poder político colombiano e o narcotráfico paramilitar”, afirmou Petro, referindo-se a si mesmo. Diante do que considera uma ofensiva das elites tradicionais, Petro fez um apelo direto à sua base: “Então chegou a hora das decisões, e não é Trump quem define, é o povo”.

Ele convocou uma grande manifestação nesta sexta-feira na Praça Bolívar, em Bogotá, para “começar a coletar assinaturas para o poder constituinte”.

Cabe recurso

Cotado para ser o candidato da esquerda nas eleições presidenciais do próximo ano, o senador de esquerda Iván Cepeda, que apresentou a denúncia contra Uribe, e o próprio Ministério Público ainda podem recorrer da decisão por meio de um recurso de cassação junto à Suprema Corte de Justiça.

Depois de passar cerca de 20 dias em prisão domiciliar, o ex-presidente Uribe respondeu ao processo em liberdade graças a uma decisão do mesmo tribunal de Bogotá que agora revogou sua condenação. Segundo a decisão de primeira instância, ele pressionou paramilitares detidos para que o desvinculassem de sua organização, responsável por massacres, desaparecimentos e outros crimes no âmbito do conflito armado.

A decisão desta terça-feira a favor de Uribe dá um novo impulso às eleições presidenciais de 2026, nas quais as forças de direita tentam tirar o poder da esquerda. Uma das pré-candidatas alinhadas a Uribe comemorou a decisão e não descartou que o presidente se candidate ao Senado ou à vice-presidência.

O processo judicial mais midiático do século no país começou em 2018, quando a Suprema Corte iniciou uma investigação contra Uribe por seus vínculos com paramilitares após as denúncias de Cepeda. O ex-paramilitar detido Juan Guillermo Monsalve virou a principal testemunha ao relatar como um advogado de Uribe tentou suborná-lo. O advogado Diego Cadena ofereceu benefícios a Monsalve para alterar seu depoimento, mas este o gravou com uma câmera escondida em seu relógio.

A Justiça colombiana condenou Cadena a sete anos de prisão domiciliar por suborno no mesmo processo. Uribe sempre negou vínculos com paramilitares e afirma que o processo é fruto de uma perseguição da esquerda, que está sob a liderança do presidente Petro.

No entanto, seu nome aparece em pelo menos três investigações adicionais pela fundação e financiamento de um grupo paramilitar, vários massacres e o assassinato de um defensor dos direitos humanos. Todas estão sob a responsabilidade da Procuradoria colombiana.

A outra parte pode apresentar recurso de cassação à Suprema Corte. O tribunal analisará primeiro se o recurso é válido e, neste caso, a resolução poderá levar meses ou anos.

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Fonte: Brasil de Fato

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