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Por Gabriel Gomes
Cerca de 2000 famílias organizadas no Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), ligado à Unidade Popular (UP), anunciaram, na manhã deste domingo (7), quando o Brasil completa 203 anos de Independência, a Jornada de Ocupações por moradia digna e soberania. As ocupações receberam o nome “Palestina Livre”.
O movimento realizou 18 novas ocupações em 15 estados de todas as regiões do país. Sob o lema “Não há independência, nem soberania, sem direito à moradia”, a campanha denuncia as mais de 8 milhões de famílias que hoje vivem no déficit habitacional no país e a insuficiência das políticas de habitação.
“Nosso povo vive com um salário de miséria que não dá para pagar o aluguel e comprar o prato de comida. Nessas condições, falar que o país é independente e soberano é absurdo. Nossa ocupação é por moradia digna, mas também por todos os trabalhadores que vivem nessa sociedade desumana que não liga para nós”, afirmou Priscila Santos, da coordenação estadual do MLB em São Paulo.
Ocupação no Largo da Pólvora, na região central de São Paulo. (Foto: Arthur Lamonier)
‘Palestina Livre’
As ocupações receberam o nome de Palestina Livre e denunciam o genocídio do povo palestino, com mais de 70 mil pessoas assassinadas. Já são mais de 150 mil feridos e 2 milhões de deslocados em Gaza, de acordo com autoridades palestinas e órgãos das Nações Unidas. 80% das edificações da Faixa de Gaza foram destruídas por Israel. “As famílias se solidarizam com o povo palestino e usam a ocupação para denunciar o genocídio contra o povo palestino”, diz o MLB.
Ocupações receberam o nome de Palestina Livre. (Foto: Wildally Souza)
“Também denunciamos a situação do povo palestino que enfrenta a fome e a falta de teto organizadas deliberadamente pelo Estado nazi-sionista de Israel. Um experimento que tende a ser reproduzido contra outros povos do mundo se não for derrotado o quanto antes”, afirmou Priscila Santos.
Algumas ocupações homenagearam outras personalidades da resistência e vítimas da violência policial brasileira como Gregório Bezerra, Elesbão (ex-escravizado fugitivo) e o menino Ryan (assassinado pela PM de Tarcísio aos 4 anos de idade).
Ocupação no Largo da Pólvora, na região central de São Paulo. (Foto: Arthur Lamonier)
No Brasil, atualmente, mais de 60% dos trabalhadores brasileiros vivem com até um salário mínimo (R$ 1518,00) por mês. Nos últimos 12 meses, de acordo com o Índice FipeZAP, o preço do aluguel subiu 10,28%, acima da inflação que teve alta de 5,23% no mesmo período. Assim, 300 famílias sem teto, ocuparam o imóvel abandonado há mais de 5 anos e que agora será um território soberano, livre da fome, do analfabetismo e da miséria.
Ocupação em São Paulo
Em São Paulo, o movimento anunciou a ocupação de um prédio abandonado há mais de cinco anos no Largo da Pólvora, na região central da capital paulista. No local, segundo as informações do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas, o clima é de tensão. A tropa de choque da Polícia Militar do estado foi acionada e tenta fazer uma reintegração de posse.
Clima é tenso em SP. (Foto: Wildally Souza)



