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terça-feira, 17 fevereiro, 2026
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Os ratos de Carlos Bolsonaro e a farsa da direita moderada

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Por Cleber Lourenço

Carlos Bolsonaro expôs de forma brutal o que sempre esteve claro: para os Bolsonaro, não existe aliança, negociação ou convivência política. O que se exige é obediência cega e silêncio diante dos excessos. Seu desabafo violento contra governadores e líderes da direita enterra de vez o mito da existência de uma “direita moderada” no Brasil. A lógica é simples: ou se submete, ou é descartado.

Na publicação feita neste domingo (17), o vereador afirmou: “Enquanto Jair Bolsonaro está preso, doente e sendo lentamente assassinado a cada dia que passa, Clezão está morto, Silveira à beira do colapso, Filipe Martins torturado diariamente, milhares de presos políticos sangrando a alma na cadeia e os tais ‘direitistas’ se calam.” O recado é direto: quem não repete a narrativa de vitimização é acusado de covardia e conivência.

O texto também chamou os governadores de “ratos” e “canalhas”, reforçando a estratégia do clã: ou se ajoelha diante de Jair Bolsonaro ou será tachado de traidor. O alvo não foi a esquerda, mas os que se equilibram entre o mercado e o bolsonarismo — Tarcísio de Freitas, Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Ratinho Junior e Eduardo Leite.

Esses governadores tentam se apresentar como gestores responsáveis, mas, para o núcleo duro bolsonarista, isso é irrelevante. Como escreveu Carlos: “Fingem que vão resolver algo, falam em indulto para os perseguidos da falsa ‘trama golpista’, mas depois se escondem atrás da ‘prudência e sofisticação técnica’.” Para o bolsonarismo, não há meio-termo, é fundamental a submissão completa.

Mais do que isso, a publicação de Carlos deixa implícito que os póstulantes a sucessores do bolsonarismo precisam, inclusive, endossar e aplaudir a nova intentona liderada por Eduardo Bolsonaro. O deputado, em plena ofensiva, tem promovido ataques e articulado sanções dos Estados Unidos contra o Brasil, numa estratégia de sabotagem que atinge um país inteiro e seus trabalhadores apenas para proteger os interesses particulares da própria família. Trata-se de um grau de submissão tão radical que exige não só lealdade, mas cumplicidade ativa em ações que ferem a soberania nacional.

É nesse ponto que se revela o dilema da direita brasileira. De um lado, esses governadores calculam que podem manter a base bolsonarista sob controle enquanto dialogam com o mercado e a elite econômica. De outro, descobrem que qualquer gesto de “prudência” é imediatamente visto como traição.

Carlos escreve: “A verdade é dura: todos vocês se comportam como ratos, sacrificam o povo pelo poder e não são em nada diferentes dos petistas que dizem combater. Limitam-se a gritar ‘fora PT’, mas não entregam liderança, não representam o coração do povo.” A acusação de oportunismo é direta e demolidora: para os Bolsonaro, todos os outros são apenas parasitas tentando herdar um espólio.

O resultado é a exposição da farsa. Fora do governo Lula, não existe direita moderada. Parece loucura afirmar isso, mas é verdade. Quem ainda defende instituições, democracia e algum tipo de racionalidade política já está lá.

São figuras como Geraldo Alckmin, Simone Tebet, Aluísio Nunes entre outros nomes da direita brasileira. A direita que se apresenta como moderada, quando colocada à prova, se revela apenas como bolsonarismo reciclado, esperando sua vez na fila para herdar um espólio que jamais será entregue sem a marca da humilhação. Dito isto, vale reforçar: não existe bolsonarismo moderado.

Eduardo Leite talvez seja o exemplo mais emblemático. Vende-se como “direita palatável”, com discurso liberal e de modernidade. Mas, ao evitar confronto direto com Bolsonaro, limita-se a ser coadjuvante de um projeto fracassado. Sua suposta moderação apenas reforça a dependência de um extremismo que despreza sua tentativa de distinção.

O bolsonarismo nunca foi projeto de alianças; sempre funcionou como seita. Quem se afasta, mesmo que minimamente, vira traidor. Quem tenta dialogar com instituições democráticas é jogado para fora do círculo. O desabafo de Carlos apenas expôs em público o que sempre foi prática de bastidores: manter controle pela humilhação e pela ameaça.

Aos que ainda falam em “prudência” ou “senso técnico”, resta a ilusão. No Brasil de hoje, não há direita moderada fora do governo. O que existe é oportunismo travestido de gestão e covardia disfarçada de pragmatismo. Carlos Bolsonaro apenas deu o último golpe nessa farsa, decretando o fim de uma direita que não ousa se libertar do extremismo.



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