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terça-feira, 10 fevereiro, 2026
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Os cachorros que não precisam de apito

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Apesar dos desejos de um feliz ano novo, 2026 amanheceu ardido. A América Latina voltou ao foco dos poderosos do mundo e o presidente estadunidense que se acha merecedor de prêmios pela paz, tratou de distribuir mais tiro, porrada e bomba. Mais guerra e fez questão de se conectar ainda mais  com símbolos nazifascistas.

Coincidentemente, amanhã (Sexta-feira, 16/01), completam-se seis anos em que o secretário de cultura brasileiro — Ricardo Alvim —, em rede nacional, fez um pronunciamento com passagens quase idênticas a um discurso de Joseph Goebbels, ninguém menos que o ministro da propaganda de Adolf Hitler. Se lembrar é preciso para não repetir, estamos esquecendo rápido demais de coisas que aconteceram há dois segundos na linha da história.

O ano era 2020 e estávamos prestes a mergulhar na tenebrosa pandemia. O pronunciamento de Alvim foi todo ao som do prelúdio da ópera Lohengrin, do alemão Richard Wagner, o compositor preferido de Hitler. O músico chegou a ser citado na autobiografia de Hitler, Mein Kampf.

O surto coletivo que foi este momento no Brasil destampou um bueiro de pessoas sem vergonha de se declararem racistas, xenofóbicas, etc e tal, mas ele segue dando frutos com odor apodrecido, pois esta semana nos deparamos com uma família do Rio Grande do Norte, na cidade de Mossoró, com um adolescente de 13 anos fantasiado de oficial nazista, na formatura de uma das irmãs. Todos pardos, todos sorridentes ao lado daquele menino usando uma fantasia toda banhada de sangue.

O “nazista potiguar” possui tantas camadas de assombro, que fica até difícil enumerar, mas a principal é como chegamos ao ponto de tamanha de desinformação (ou excesso dela), que traz como consequência um jovem, no Rio Grande do Norte, fazendo a saudação nazista. Talvez em parte se explique pelo fato de que alguém, investido de um cargo público e fazendo tantas referências ao regime nefasto, possa saír ileso, tranquilo para pregar absurdos em toda a parte.

Um alerta para o crescimento de grupos neonazistas no Brasil foi enviado à Organização das Nações Unidas pelo Conselho Nacional de Direitos Humanos. O monitoramento encontrou, no início de 2022, mais de 530 grupos extremistas, espalhados em todas as regiões brasileiras. A impunidade nunca sai de graça.

Muito se fala de guinadas do mundo à direita. Muito se fala de extrema-direita. Tanto se fala que muito se naturaliza, ou seja, normalizamos que em pleno século 21 existam partidos que tenham como base o extermínio e a noção de supremacia racial. E se a coisa é absurda no mundo, o que dirá em territórios como o brasileiro, feito majoritariamente de pretos e pardos.

Enquanto isso, na parte norte do continente americano, Donald Trump tratou também de reforçar sua imagem como herdeiro do nazifascismo. Está ele lá, no post divulgado pelo departamento de agricultura daquele país, com e um enorme bigode feito de leite saído, com um copo da bebida diante de si. Para completar, uma de suas secretárias surge em um púlpito, com o slogan nazista “One of ours, all of yours”.

Contextualizando

A frase faz referência ao extermínio em massa em uma cidade da Tchecoslováquia, durante a Segunda Guerra Mundial, pelas tropas da SS, a elite militar nazista. O “bigode de leite”, remete diretamente ao panfleto do Conselho Nacional de Laticínios, em 1920, que afirmava que as pessoas que consumiam mais leite seriam mais avançadas na ciência e no intelecto humano. A história da agricultura do Estado de Nova York registrou que povos arianos estavam entre os maiores consumidores de laticínios.

Por toda a internet estes símbolos estão sendo chamados de “apitos de cachorro”, ou seja, uma aceno que apenas um determinado grupo entende como um chamado. Não é o caso. Não é preciso ser neonazista para saber o que estes símbolos significam. É uma ameaça, uma provocação. É uma mensagem explícita, brutal e perigosa que vai longe. Chegou lá no Rio Grande do Norte.

Complicado é o menino não saber que ele não é o caçador e sim a caça. O problema é o jovem envergando o uniforme de quem não pensaria meia vez em trancá-lo em forno crematório para em seguida apertar o botão de “ligar”.

O menino pediu desculpas e disse: “Estou errado”. Para o bem do país e dele próprio, esperamos que esteja sendo sincero.



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