28.3 C
Manaus
sexta-feira, 13 fevereiro, 2026
InícioBrasilÓrgão ligado à ONU diz que há fome generalizada em Gaza e...

Órgão ligado à ONU diz que há fome generalizada em Gaza e culpa Israel

Date:

[ad_1]

ouça este conteúdo

00:00 / 00:00

1x

A principal autoridade mundial em crises alimentares do mundo anunciou nesta sexta-feira (22) que há fome generalizada na Faixa de Gaza, o primeiro caso do tipo no Oriente Médio. Segundo o órgão, o cenário foi construído por Israel.

Segundo a Classificação Integrada da Fase de Segurança Alimentar (IPC, na sigla em inglês), esse nível de fome foi identificado na Cidade de Gaza, a maior do território palestino e alvo de uma nova operação terrestre do Exército israelense, e pode se expandir para o restante do território nos próximos meses se a situação atual não mudar.

“Há fome generalizada em Gaza, em pleno no século 21. Uma fome que se desenvolve sob o olhar de drones e da tecnologia mais moderna. Uma fome promovida abertamente por alguns líderes israelenses como uma arma de guerra. A fome de Gaza é prevenível e deve nos assombrar. É uma fome que foi produzida pela vingança e habilitada pela inépcia mundial. Chega. É necessário um cessar-fogo e a abertura das fronteiras. É tarde demais para muitos [palestinos]. Pelo bem da humanidade, nos deixem entrar [em Gaza]”, afirmou o subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Tom Fletcher.

Fletcher afirmou que o relatório do IPC “é uma prova inegável de uma fome evitável”, causada por “obstrução sistemática israelense” da entrada de ajuda em larga escala em Gaza. O subsecretário disse ainda que há toneladas de comida parada na fronteira, impedida de entrar no território.

Segundo o IPC, ao menos 132 mil crianças com menos de cinco anos correm risco de morrer por desnutrição aguda. Esse número dobrou desde maio e inclui mais de 41 mil casos graves. Mais de 200 pessoas morreram de fome em Gaza desde o início do conflito.

O relatório da IPC vem após meses de alertas de organizações humanitárias de que as restrições impostas por Israel à entrada de alimentos e outros suprimentos em Gaza, somadas à ofensiva militar, estavam agravando sem precedentes a crise humanitária em Gaza e causando níveis elevados de fome entre palestinos, especialmente entre crianças.

Esse marco —a primeira vez que a IPC confirma uma fome no Oriente Médio— deve aumentar a pressão internacional sobre Israel, que trava uma guerra contra o grupo terrorista Hamas em Gaza desde o ataque terrorista de 7 de outubro de 2023, que deixou mais de 1.200 israelenses mortos.

Gaza

Esse nível de fome foi identificado na Cidade de Gaza, a maior do território palestino e alvo de uma nova operação terrestre do Exército israelense

O que diz Israel?

O governo israelense disse que não há fome generalizada em Gaza e repudiou o relatório, que chamou de “falso e distorcido”. Israel disse ainda que mais de 100 mil caminhões de ajuda humanitária entraram em Gaza desde o início da guerra —uma média de 146 por dia, abaixo da quantidade mínima recomendada pela ONU, de 400 a 500—, e que nas últimas semanas “um enorme fluxo de ajuda inundou o território com alimentos básicos”.

Israel afirma querer tomar toda a Cidade de Gaza para dominar os redutos restantes do Hamas, o que, segundo especialistas, agravará ainda mais a crise de fome.

Guerra em Gaza

A guerra entre Israel e o Hamas, desencadeada pelo ataque de proporções sem precedentes realizado pelo movimento islâmico palestino em 7 de outubro de 2023 em território israelense, já fez cerca de 1.200 mortos, a maioria civis, e 251 reféns.

O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, determinou nesta quinta a mobilização de 60 mil reservistas, depois de ter dado ‘luz verde’ à tomada da cidade de Gaza, enquanto decorre o processo de mediação com vista a um cessar-fogo no território palestino e à libertação de reféns israelenses.

A guerra no enclave palestino deixou, até agora, 62.122 mortos, a maioria civis, e 156.758 feridos, além de milhares de desaparecidos, supostamente soterrados nos escombros, e mais alguns milhares que morreram de doenças, infeções e fome, de acordo com números atualizados das autoridades locais, que a ONU considera fidedignos.

Prosseguem também diariamente as mortes por fome, causadas pelo bloqueio de ajuda humanitária durante mais de dois meses, seguido da proibição israelense de entrada no território de agências humanitárias da ONU e organizações não governamentais (ONGs).

O Ministério da Saúde da Faixa de Gaza, comandado pelo Hamas, estima que pelo menos 269 pessoas tenham morrido de fome desde o início da ofensiva, 112 menores de idade. Há muito que a ONU declarou o território em grave crise humanitária, com mais de 2,1 milhões de pessoas em “situação de fome catastrófica” e “o mais elevado número de vítimas já registrado” pela organização em estudos sobre segurança alimentar no mundo.

No final de 2024, uma comissão especial da ONU tinha acusado Israel de genocídio em Gaza e de usar a fome como arma de guerra, situação também denunciada por países como a África do Sul junto ao Tribunal Internacional de Justiça, uma classificação igualmente utilizada por organizações internacionais e israelenses de defesa dos direitos humanos.



[ad_2]

spot_img