Por Igor Mello*
Em meio à escalada de tensões no Oriente Médio após os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, o Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) convocou uma reunião de emergência para tratar do conflito. O secretário-geral da ONU, António Guterres, defendeu um cessar-fogo imediato.
O bombardeio em diversas cidades iranianas deixou ao menos 85 mortos, segundo autoridades locais. O contra-ataque do Irã atingiu diversos pontos de Israel e 14 bases estadunidenses na região.
Em comunicado, Guterres condenou a escalada militar na região e afirmou que o uso da força e as retaliações subsequentes colocam em risco a paz e a segurança internacionais.
O governo Donald Trump vinha reunindo seu aparato militar nas proximidades do Golfo Pérsico a semanas, enquanto representantes dos Estados Unidos e do Irã participavam de rodadas de negociação mediadas pelo Omã.
“Peço o cessar imediato das hostilidades e a desescalada”, declarou. Segundo Guterres, a continuidade dos confrontos pode desencadear um conflito regional mais amplo, com graves consequências para civis e para a estabilidade do Oriente Médio.
Além dos EUA e de Israel, o Reino Unido também participa do esforço militar na região. Em pronunciamento televisivo, o primeiro-ministro britãnico, Kier Starmer, afirmou que o país não participou dos ataques a solo iraniano, mas tem “aviões no ar” no Oriente Médio.
“Nossas forças estão ativas e aeronaves britânicas estão no ar hoje como parte de operações coordenadas de defesa da região, para proteger nosso povo, nossos interesses e nossos aliados. Como o Reino Unido já fez antes, dentro do que é previsto pelo direito internacional”, disse o premier britânico.
Em contraste, outras potências como Brasil, China, Rússia e França condenaram os ataques ao território iraniano.
Conselho de Segurança da ONU em emergência
Diante do aumento das tensões, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) convocou uma reunião de emergência para as 18h, no horário de Brasília. O encontro ocorrerá por solicitação do Bahrein, da França e do próprio governo iraniano.
O conselho tem sido pouco efetivo para a resolução de conflitos globais e a tendência é que esse cenário se mantenha em relação aos ataques ao Irã. Estados Unidos e Reino Unido, envolvidos na operação, têm poder de veto sobre as resoluções do colegiado –assim como Rússia, China e França, que já protestaram oficialmente contra o bombardeio.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que condena a escalada militar no Oriente Médio e declarou que o uso da força por Estados Unidos e Israel contra o Irã, bem como a retaliação iraniana na região, “minam a paz e a segurança internacionais”. Ele pediu cessação imediata das hostilidades e advertiu que a continuidade do confronto pode desencadear um conflito regional mais amplo.
Apelo ao direito internacional
Em seu comunicado, Guterres também reforçou que todos os Estados-Membros da ONU devem respeitar o que é previsto no direito internaciona, incluindo a Carta das Nações Unidas. O documento proibe a ameaça ou o uso da força contra outros países.
Guterres afirmou ainda que não há alternativa viável à solução pacífica das controvérsias internacionais e incentivou as partes envolvidas a retornarem imediatamente à mesa de negociações.
“O fracasso em desescalar pode ter consequências graves para toda a região”, alertou.
* Com informações de Agência Brasil e Brasil de FatoO



