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Por Leila Cangussu
O segundo dia do Despertar 2025 foi marcado por uma celebração de espiritualidade como prática de transformação social. No palco do Vibra São Paulo, o Culto Ecumênico “O sagrado é revolucionário” reuniu vozes de diferentes tradições religiosas: o pastor e deputado federal Henrique Vieira, o frei David, o escritor e líder indígena Daniel Munduruku e o pai de santo Mário Filho, com mediação de Marco Schultz.
Diante de mais de 4 mil pessoas, os participantes reforçaram que a fé não pode ser instrumento de manipulação, mas sim de luta contra desigualdades, racismo e opressão.
Espiritualidade como prática política
Henrique Vieira lembrou que o cristianismo nasce da trajetória de um preso político. “Jesus de Nazaré foi perseguido, torturado pelo Estado e executado com cidadãos de bem comemorando sua morte. Mas ele ressuscitou contra toda forma de opressão”, afirmou, arrancando aplausos.
O deputado destacou a criação da Frente Parlamentar em Defesa do Estado Laico e da Liberdade Religiosa, instalada na Câmara há duas semanas. “O Estado não pode ser extensão de uma religião, em que as pessoas estão seguras com uma bíblia na mão, mas mães de santo correm risco”, disse.
Em tom de convocação, relacionou espiritualidade e mobilização popular às manifestações deste domingo contra a anistia e a PEC da Blindagem. Os atos devem reunir milhões de pessoas em capitais de todo o país, com a participação de artistas como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque, no Rio de Janeiro, e Daniela Mercury e Simone, em Salvador e Maceió. –, afirmou.
Pastor Henrique Vieira durante o Despertar 2025. Foto: ICL
A fé como movimento transformador
Frei David apontou que o maior desafio dos cristãos é superar a superficialidade. “A fé tem que ser revolucionária”, disse, lembrando vitórias como a conquista das cotas para negros em cartórios.
Mário Filho trouxe a denúncia do racismo religioso contra as religiões de matriz africana e ressaltou a fé como elemento de união. “Quem tem fé verdadeira olha para o lado e vê um irmão, não um inimigo.”
Daniel Munduruku emocionou ao citar Gonzaguinha e refletir sobre a infância como semente do futuro. “Precisamos de afeto para afetar as pessoas e construir uma revolução silenciosa”, disse.
Homenagem a Leonardo Boff
O painel terminou com uma homenagem a Leonardo Boff, referência da teologia da libertação. A entrega simbólica foi feita por sua companheira, Márcia Miranda, com a escultura de uma árvore da vida. Boff ressaltou o papel do ICL: “Ou nos salvamos todos ou ninguém se salva.”
Leonardo Boff recebendo homenagem do ICL pelas mãos de sua companheira, Marcia Miranda, durante o Despertar 2025. Foto: ICL
Sobre o Despertar 2025
O Despertar 2025, promovido pelo Instituto Conhecimento Liberta (ICL), reúne 4 mil pessoas no Vibra São Paulo em dois dias de debates e apresentações. O evento é um marco da reorganização progressista no Brasil, articulando política, economia, cultura, espiritualidade e mobilização social.
A cobertura completa segue disponível no portal ICL Notícias e nas redes sociais do instituto.



