25.3 C
Manaus
segunda-feira, 16 fevereiro, 2026
InícioBrasilO que nasce depois do encerramento

O que nasce depois do encerramento

Date:

[ad_1]

Não fiz grandes resoluções para 2025. Mas havia em mim uma espécie de pressentimento — desses que não gritam, apenas permanecem. Uma certeza mansa, insistente, avisando que aquele seria um ano decisivo. Um ano de atravessamentos. E foi.

Por ser a última coluna do ano, repito um gesto que já virou ritual: olhar para trás. O retrospecto não é saudade, é ajuste de eixo. Serve para equilibrar a angústia do “ainda falta tanto” com a gratidão profunda pelo que, apesar de tudo, foi vivido.

2025 foi um ano de decepções amargas e despedidas necessárias. Ano de golpes e contragolpes. De confirmações dolorosas sobre crenças, pessoas e comportamentos. No trabalho, foi árduo. Na vida, recompensador. Às vezes, é assim que a balança se equilibra.

O tal ano 9 — para quem acredita em numerologia — chegou como chegam os encerramentos verdadeiros: sem pedir licença. Trouxe fechamentos que eu mesma subestimei, mas que eram urgentes. Porque toda morte simbólica abre espaço. E só no espaço o novo encontra onde chegar.

Depois de seis anos de gestação, estreou Te Conto no Caminho, minha série de esportes de ação. Realizei um dos mais importantes eventos de gastronomia de São Paulo — e o reconhecimento veio, finalmente, sem ressalvas. No ICL, vivi o peso histórico de anunciar o julgamento, a condenação e a prisão de generais e de um ex-presidente covarde e perigoso. Reafirmei valores. Reforcei vínculos. Construí chão firme com um grupo diverso de pessoas nas quais sei que posso confiar quando o mundo oscila.

Vi meu filho se formar no ensino médio e atravessar a ponte invisível que separa a adolescência da vida adulta. Nada prepara uma mãe para esse momento — nem a alegria, nem o silêncio que ele traz.

Foi-se também uma “amizade” de 14 anos. Teve beleza, teve riso, teve história. Mas terminou como terminam as relações que apodrecem: de forma tóxica, mesquinha, ardilosa — quase um folhetim das nove. Em troca, abriu-se um vazio imenso. E no vazio entraram a luz, o ar mais leve e a possibilidade de reparação. O amor chegou por uma dessas frestas que a gente demora a enxergar. Mas quando ele se fez notar, eu vi. E não desviei o olhar.

Ao encarar 2026, carrego certezas que ultrapassam minha vida pessoal. Quero mirar mais o coletivo. Pensar onde minhas ações — no privado e no público — podem se transformar em contribuição real para uma sociedade mais justa, mais diversa, menos violenta, sobretudo com as mulheres, e radicalmente mais humana.

Estou neste mundo há meio século. A curiosidade segue intacta. O desejo de aprender também. Mas aprender, agora, já não basta. Aprendizado precisa virar coragem. Precisa virar gesto, escolha, enfrentamento. Há lutas e bandeiras que não aceitam mais invisibilidade.

Não tenho mais interesse em silêncios confortáveis. Nem em conciliações que custam a dignidade. Se tenho uma voz, vou usá-la. Vou falar mais alto — mesmo que isso tenha custo. Se incomoda, é porque ainda é necessário. Já não há tempo para recuar. Já não há luxo no silêncio.

Perdoem-me por uma coluna tão pessoal. Peço licença pelo desabafo. Ele era urgente.

A quem caminhou comigo em 2025, lendo, discordando, refletindo, ficando: que a gente se reencontre em 2026. Nas trincheiras das nossas lutas, sim — mas também na beleza incontornável das nossas conquistas.

Obrigada.

E que venha 2026 — menos disposto a agradar e mais comprometido em transformar.

 



[ad_2]

ICL Notícias

spot_img
spot_img
Sair da versão mobile