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sábado, 16 maio, 2026
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O ‘power point’ da Veja sobre Lula

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Um fato raríssimo aconteceu no meio jornalístico em junho de 2019. A revista Veja, que por anos seguidos publicou reportagens idolatrando Sergio Moro, Deltan Dallagnol e a gangue da Lava Jato, estampou em editorial uma espécie de mea culpa.

Depois que a série Vaza Jato, do site Intercept Brasil, expôs as provas da conduta criminosa do ex-juiz-heroi e dos procuradores para forjar a condenação de Lula, a revista resolveu se reposicionar.

Não que os editores da Veja — e outros veículos de imprensa — desconhecessem os atentados contra o devido processo legal perpetrados por Moro e seus subordinados do MP. A publicação se beneficiava bastante dos vazamentos que lhe foram encaminhados para sustentar as capas sensacionalistas, encharcadas de antipetismo.

Depois da Vaza Jato, porém, com as evidências do banditismo da Lava Jato expostas à luz do sol, tudo mudou. Na primeira semana de julho de 2019, Veja publicou uma das matérias da série, em parceria com o Intercept e, de quebra, pariu o editorial com duras críticas a Moro e à força-tarefa.

“Pela leitura do material, fica evidente que as ordens do então juiz eram cumpridas à risca pelo Ministério Público e que ele se comportava como parte da equipe de investigação, uma espécie de técnico do time — não como um magistrado imparcial”, dizia o editorial.

O leitor incauto pode ter pensado que daquele momento em diante Veja tomaria jeito e passaria a ser uma publicação confiável.

A ilusão durou pouco.

Doses periódicas de antipetismo continuaram a ser servidas periodicamente em suas páginas — e isso não seria um problema se as reportagens críticas se abstivessem de espancar os fatos para encaixá-los nas teses dos editores.

Seguindo essa linha, como costuma acontecer em anos eleitorais, Veja publica agora uma capa em que novamente distorce os fatos para atacar Lula. Uma série de peças parecidas deverão circular nos nesse ano eleitoral, até o dia da votação.

Na capa desta semana, justamente quando Flávio Bolsonaro é flagrado em áudio negociando uma bufunfa milionária a pretexto de financiar o filme com a biografia do pai, a revista estampa ao lado da foto de Daniel Vorcaro a figura de… Lula!

Do outro lado, aparece o diretor Oliver Stone, que o jornal O Globo alega ter recebido dinheiro do Master para fazer documentário sobre o petista — informação que o governo nega.

Mais longe da cara de Vorcaro, nos quadrinhos que simulam um rolo de filme, aparecem Michel Temer e Flávio Bolsonaro.

Não houve áudio de Lula para o banqueiro. Não houve doação do Master para a campanha do petista. Não ocorreu neste governo a construção da fraude do Mater (pelo contrário: na gestão atual a farsa do banco foi desmontada).

Mesmo assim, em montagem feita sob medida para bolsonaristas agitarem as redes sociais, os editores resolveram que Lula está mais perto de Vorcaro do que Flávio .

Sabe-se que uma mentira visual vale mais que mil palavras. Com inveja da GloboNews, Veja resolveu fazer sua versão do “power point” que tantas críticas motivou contra a emissora.

Mas, diferente do que aconteceu no canal de TV, não haverá crise na redação do periódico, ninguém levará bronca ou será demitido: a capa cascateira foi feita de caso pensado, intencionalmente.

Mais uma vez, Veja lança mão de uma de suas especialidades em ano eleitoral: distorcer a realidade.

Ao contrário do que fazia parecer o mea culpa de 2019, a revista volta a trair o jornalismo — essa é a sua natureza, como no caso do escorpião.

Os fatos, porém, são tão evidentes contra o clã Bolsonaro que pouco adianta Veja manipular informações. Em breve essa edição será descartada e a verdade prevalecerá.

E dessa vez não vai adiantar nada o mea culpa dos editores de Veja. Ninguém vai acreditar.





ICL Notícias

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