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sexta-feira, 13 fevereiro, 2026
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O governador Tarcísio de Freitas fará operação escudo na Faria Lima?

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Por Cleber Lourenço

A sucessão de operações da Polícia Federal e da Receita revelou que o Primeiro Comando da Capital (PCC) não apenas domina cadeias de distribuição e o varejo do tráfico, mas também encontrou na Avenida Faria Lima, coração financeiro de São Paulo, o espaço ideal para lavar e multiplicar recursos. Foram identificados fundos de investimento com patrimônio superior a R$ 30 bilhões sob influência da organização, além de um “banco paralelo” que teria movimentado outros R$ 46 bilhões. Ainda assim, a reação política tem sido tímida e seletiva.

A contradição é evidente: nas quebradas da capital e da Grande São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas autoriza e defende operações de enfrentamento com forte aparato policial, como a chamada “Operação Escudo”. Nessas áreas, o Estado entra com blindados, helicópteros, drones e uma rotina de abordagens violentas que resultaram em mais de 50 mortos ao longo de suas edições, além de centenas de prisões e denúncias graves de abusos, execuções sumárias e violações de direitos humanos. O discurso é sempre o mesmo: tolerância zero contra o crime. Mas quando a investigação aponta que o crime organizado também se sofisticou e se abriga em endereços nobres, a disposição para enfrentar parece evaporar.

A pergunta inevitável é se veremos a mesma energia de Tarcísio em enviar tropas, helicópteros e drones para ocupar a Faria Lima, onde escritórios de fachada, consultorias, gestoras e administradoras forneceram o suporte técnico necessário para que a facção circulasse bilhões sem chamar atenção. O silêncio das autoridades estaduais contrasta diretamente com a retórica de enfrentamento absoluto quando o alvo são jovens negros e pobres das periferias. Há dois pesos e duas medidas em operação: a guerra aberta nas comunidades e a blindagem silenciosa no centro financeiro.

Operações da PF revelaram que o Primeiro Comando da Capital (PCC) não apenas domina cadeias de distribuição e o varejo do tráfico, mas também encontrou na Avenida Faria Lima, coração financeiro de São Paulo (Foto: Reprodução)

Para que não restem dúvidas:

  • O PCC opera com fundos de investimento de mais de R$ 30 bilhões e um “banco paralelo” de R$ 46 bilhões.
  • A Avenida Faria Lima foi alvo de 42 mandados de busca, mas sem reação política proporcional.
  • A “Operação Escudo” nas periferias resultou em mais de 50 mortos e denúncias de abusos.
  • Enquanto comunidades pobres enfrentam blindados e helicópteros, o coração financeiro do país segue sem operações semelhantes.
  • O contraste expõe uma escolha política: repressão seletiva contra os mais vulneráveis e silêncio diante da elite econômica contaminada pelo crime organizado.

Mais do que números frios, as apurações desmontam a narrativa de que o combate ao crime se resume a incursões policiais em favelas e periferias. O PCC já não é apenas uma facção de tráfico de drogas; funciona como uma corporação, com know-how financeiro, quadros especializados em contabilidade e direito, acesso a estruturas de mercado e capacidade de manipular fundos bilionários. O contraste entre o rigor policial aplicado na periferia e a complacência com os arranjos financeiros da facção nos edifícios da elite paulistana expõe não apenas um problema de segurança pública, mas uma escolha política: quem pode ser tratado como inimigo e quem merece condescendência.

Se o governador insiste que não há territórios intocáveis, a lógica deveria se aplicar à avenida símbolo do capital. O mesmo Estado que ocupa comunidades com aparato bélico e discursos inflamados deveria também agir diante da evidência de que o coração financeiro do país serviu de lavanderia para a maior facção criminosa do Brasil. Até agora, a Faria Lima segue sem blindados, sem helicópteros e sem soldados em formação. O que se vê são seus 42 endereços alvo de busca protegidos pelo manto do silêncio oficial, sem cobrança política e sem a mesma urgência aplicada contra a população mais vulnerável.

Operações

Enquanto a periferia convive com operações militares que transformam ruas em campos de guerra, a avenida da elite financeira permanece intacta, com seus prédios espelhados, fundos bilionários e consultorias que seguem funcionando normalmente. A ausência de uma “Operação Escudo” na Faria Lima escancara a seletividade do Estado: a violência é dirigida a quem tem menos poder econômico e menos voz, enquanto os espaços de circulação do grande capital, ainda que contaminados pelo crime organizado, continuam intocados. Essa escolha revela muito mais sobre prioridades políticas do que sobre a eficácia no combate ao crime.



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