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sexta-feira, 13 fevereiro, 2026
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‘O genocídio virou um dispositivo político’, diz pesquisador sobre proposta de paz em Gaza

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O pesquisador de Relações Internacionais Arturo Hartmann Pacheco avaliou, em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, que a proposta de cessar-fogo na Faixa de Gaza, mediada pelos Estados Unidos é, na prática, “um acordo de rendição dos palestinos”. Segundo ele, “o genocídio virou um dispositivo político para entrar em negociações”, ao ser colocado como moeda de troca nas conversas entre Israel e o Hamas.

Hartmann aponta que, embora o plano prometa o fim imediato dos bombardeios, mantém o controle israelense sobre Gaza e compromete a autonomia palestina. “No curto prazo, o plano é positivo simplesmente porque significa não extermínio dos palestinos de Gaza. No longo prazo, é o fim da autonomia política”, avaliou. Um encontro entre integrantes da alta cúpula do Hamas e do governo de Israel no Cairo, capital do Egito, foi anunciado nesta segunda-feira (6), para discutir um cessar-fogo definitivo e em contrapartida da entrega de reféns.

Entre os pontos mais controversos estão o desarmamento total do Hamas e a criação de um “Conselho da Paz” sob liderança do presidente dos EUA, Donald Trump, e do ex-primeiro-ministro do Reino Unido Tony Blair. Para o pesquisador, a proposta “tira qualquer autonomia dos palestinos sobre seu território”. Ele comparou a ideia à intervenção britânica no século passado. “É como se Blair, pouco mais de 100 anos depois, fosse o novo mandatário britânico para a Palestina”.

Hartmann também destacou que a cláusula sobre a retirada do exército israelense de Gaza é vaga e permite novas ofensivas. “São termos muito vagos para a retirada israelense, que ficam a critério de Israel, se ele vai se retirar ou não”, aponta. Segundo ele, isso torna possível que o país mantenha o cerco militar sob o pretexto de eliminar “restos do Hamas”.

O pesquisador ainda alertou que o acordo pode restaurar o bloqueio imposto antes de outubro de 2023. “Na verdade, o acordo é um acordo para a volta ao cerco de Gaza”, afirmou. Ele lembrou que o plano tem entre seus articuladores o genro de Trump e ex-conselheiro da Casa Branca, Jared Kushner, e que as decisões sobre reconstrução da região podem beneficiar interesses privados. “Vai ser uma reconstrução decidida de cima para baixo, não a partir das necessidades dos palestinos”, observou.

Ao comentar o cenário político, Hartmann avaliou que o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu depende do conflito para se manter no poder. “O genocídio também é um dispositivo político de manutenção do Netanyahu no poder”, afirmou, lembrando que o premiê enfrenta processos de corrupção e uma ordem de prisão internacional.

Por fim, o pesquisador destacou que a resistência palestina enfrenta uma crise de representatividade e defendeu a criação de um governo de união nacional. “Os palestinos querem um governo de união que supere as divisões internas, o que hoje é muito difícil pela fragmentação do território e da sociedade”, concluiu.

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Fonte: Brasil de Fato

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