
Tudo sobre China
Na madrugada da última terça-feira (1), a SpaceX lançou a Fram2, a primeira missão tripulada a orbitar os polos da Terra. O projeto é inédito e levou quatro pessoas de diversas áreas do conhecimento para o espaço. Dentre elas, está o bilionário chinês Chun Wang, que pagou pela missão e é seu comandante.
Ele se define como um apaixonado por viagens, principalmente aquelas para lugares desconhecidos. Sua paixão começou na infância, graças aos avós que o criaram e incentivaram seu interesse por aventura.
“Em 1987, quando tinha 5 anos, meu avô saiu para uma caminhada e trouxe para casa um mapa-múndi que ele havia encontrado. Aquele mapa imediatamente se tornou minha coisa favorita para brincar, e despertou minha curiosidade”, relatou ele ao site Space Flight Now.
Porém, foi somente quando completou 18 anos e entrou para a universidade que ele fez sua primeira longa viagem. Wang precisou se deslocar 172 quilômetros de sua casa para estudar em outra cidade.
Wang se aventurou pelo mundo
A prática se tornou hobby quando ele começou a trabalhar em uma empresa de software em Pequim. Durante quatro anos, Wang viajou por todas as províncias da China de trem.
“Naqueles anos, eu era fascinado por infraestrutura e transporte, especialmente ferrovias. Eu registrava meticulosamente cada viagem de trem até os minutos, até os segundos, e postava esses registros em fóruns e quadros de avisos on-line”, disse o empresário.
Em 2010, ele fez sua primeira viagem internacional, quando foi ao Nepal e depois conheceu a Índia. Wang embarcou no que era então a viagem de trem mais longa e sem paradas pelo Subcontinente indiano, o16317 Himsagar Express, que o levou de Kanyakumari à Caxemira. Segundo ele, a jornada acabou custando cerca de US$ 1000, “era tudo o que eu tinha”.

De acordo com a contagem pessoal do empresário, ele viajou em trens de alta velocidade 854 vezes até 20 de março de 2025. Em relação ao transporte aéreo, Wang disse que a missão Fram2 será seu 1000° voo, sendo o primeiro com destino ao espaço.
Após todas as viagens que fez, ele relatou que sentiu um desejo de ir além dos limites de quão longe em latitude e longitude poderia chegar.
“Em dezembro de 2021, cheguei ao Polo Sul e, em julho de 2023, ao Polo Norte. Não há mais pontos para empurrar a fronteira na Terra, o que torna o espaço uma fronteira emocionante para explorar”, comenta.
De criptomoedas à viagem espacial
Para além do mundo do turismo, o empresário tem um grande interesse em tecnologia. Sua curiosidade pela área também vem da infância. Aos treze anos, ele ganhou seu primeiro computador, um 486SX com MS-DOS 5.0, enquanto fazia o ensino fundamental.
“Na escola, participei de vários concursos de programação, incluindo a Olimpíada Internacional de Informática (IOI) e a ACM-ICPC. Em vez de fazer o exame nacional de admissão à faculdade, fui admitido diretamente na universidade com base no meu desempenho nesses concursos”, explicou Wang.
Essa paixão pela tecnologia o levou a ser cofundador da empresa de mineração de Bitcoin chamada F2pool, em 2013. O empreendimento é a fonte de sua fortuna.

Segundo Wang, um ano após a fundação da companhia, ela já era “o maior pool de mineração de Bitcoin do mundo”. Hoje esse título é da Foundry USA, de acordo com o índice Luxor Technology’s Hashrate, enquanto a F2pool está em quarto lugar.
Mesmo com o sucesso nos negócios de criptomoeda, o bilionário diz que seu interesse mudou. “Agora, me vejo atraído por outro campo novo e emergente – o campo pelo qual tenho interesse desde a infância – o espaço”, comentou.
“Desde que a SpaceX começou a recuperar os propulsores do Falcon 9, a indústria espacial comercial tem avançado em um ritmo incrível. Mais uma vez, vejo algo novo e empolgante se desenrolando, semelhante ao sentimento quando ouvi falar de computadores pela primeira vez e descobri o Bitcoin”, disse o empresário.
Wang fez uma tripulação de amigos
Além de financiador, Wang é comandante da missão Fram2. Ele disse que, na hora de montar a tripulação, não quis incluir nenhum americano. Por isso, esse foi o primeiro voo de uma nave espacial Dragon da SpaceX sem qualquer representante dos Estados Unidos.
“Quando selecionei essa tripulação, intencionalmente a tornei diversa para representar o futuro aberto que esperamos ver para a exploração espacial”, explicou o bilionário.
O ponto inicial e mais importante que ele considerou ao montar a equipe era garantir que uma pessoa da Noruega participasse. Isso seria outra forma de homenagear o navio Fram, o primeiro construído em solo norueguês que foi especificamente projetado para a pioneira expedição polar de 1911.
Esse requisito o levou a selecionar Jannicke Mikkelsen, uma diretora de cinema norueguesa. Sua experiência com a gravação de grandes projetos vem do “One More Orbit”, uma missão aérea de 2020 que tentou quebrar o recorde de volta ao mundo passando pelos polos Norte e Sul.

Já os outros dois tripulantes, a engenheira alemã Rabea Rogge e o explorador polar australiano Eric Philips, são pessoas que Wang conheceu esquiando em Svalbard, um pequeno arquipélago norueguês localizado no extremo norte do globo.
“Eric já foi ao Polo Norte e ao Polo Sul por talvez 30 vezes, enquanto Rabea trabalhou em um projeto CubeSat. Ambos amam o espaço e têm experiência polar, então somos uma ótima equipe ligada por nossa conexão com Svalbard e estamos animados para representar um lugar que amamos durante a missão”, disse o empresário.
Segundo o Sky News, cada lugar na nave espacial teria custado US$ 55 milhões (R$313 milhões) por assento. O que daria um investimento bilionário por parte de Wang para que o projeto acontecesse.
Após o fim da missão Fram2, o empresário quer continuar em aventuras espaciais ambiciosas.
“Quando a Starship se tornar operacional, ela abrirá possibilidades sem precedentes para viagens espaciais privadas e Marte não será apenas um sonho distante. Considerando as diversas possibilidades, acho que é o momento de começar a economizar dinheiro…”, concluiu Wang.
Fonte: Olhar Digital