O governo federal deu início a uma nova fase do programa de renegociação de dívidas, o Novo Desenrola Brasil, com foco em aliviar o orçamento das famílias e reduzir o nível de inadimplência no país. A medida provisória foi assinada nesta segunda-feira (4), e a adesão começa já nos dias seguintes, diretamente pelos canais oficiais dos bancos.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, deu detalhes do programa. Voltado para pessoas com renda de até cinco salários mínimos (cerca de R$ 8.105), o Novo Desenrola contempla dívidas contraídas até 31 de janeiro de 2026, desde que estejam em atraso entre 90 dias e dois anos. Entram na renegociação débitos de cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal (CDC) e também contratos do Fies.
Entre os principais atrativos estão os juros limitados a 1,99% ao mês e descontos que podem variar de 30% a 90% sobre o valor original da dívida. Segundo o governo, o desconto médio deve ficar em torno de 65%, o que pode representar uma redução significativa para milhões de brasileiros.
Outro ponto relevante é a possibilidade de usar até 20% do saldo do FGTS para abater parte da dívida. Nesse caso, a operação será feita entre instituições financeiras: após autorização do trabalhador, a Caixa Econômica Federal transfere o valor diretamente ao banco credor.
Diferentemente da edição anterior, lançada em 2023, a renegociação não será feita por uma plataforma centralizada. Agora, o processo ocorre diretamente com os bancos onde a dívida foi contraída. A expectativa é que haja um prazo de carência de até um mês para o início dos pagamentos, momento em que o nome do consumidor poderá ser retirado dos cadastros de inadimplência. O parcelamento pode chegar a até quatro anos.
Beneficiários do Novo Desenrola Brasil não poderão acessar plataformas de bets
Como contrapartida, quem aderir ao programa ficará impedido de acessar plataformas de apostas online por um período de um ano. Ao comentar a medida, o presidente Lula afirmou: “Agora, o que não pode é renegociar a dívida e continuar perdendo dinheiro apostando em bet“.
O lançamento ocorre em um cenário de alto endividamento. Dados do Banco Central mostram que, no fim de 2024, cerca de 117 milhões de brasileiros tinham algum tipo de dívida com instituições financeiras. Além disso, quase 30% da renda das famílias está comprometida com o pagamento de débitos — o maior nível da série histórica.
A nova fase do Desenrola também surge em um contexto político desafiador. Com dificuldades para avançar em pautas estruturais no Congresso, o governo tem apostado em medidas com impacto direto no cotidiano da população, especialmente aquelas ligadas à renda, crédito e consumo.
Internamente, programas como esse são vistos como ferramentas capazes de melhorar a percepção econômica entre os eleitores, sobretudo entre os mais afetados pelo endividamento. A estratégia busca, ao mesmo tempo, reduzir a dependência de negociações no Legislativo e reforçar a narrativa de recuperação econômica e social.
Na primeira versão, em 2023, o Desenrola beneficiou mais de 15 milhões de pessoas e viabilizou a renegociação de cerca de R$ 53 bilhões em dívidas. Agora, a expectativa é ampliar esse alcance e oferecer um novo fôlego financeiro para as famílias brasileiras.



