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A escolha de María Corina Machado, líder da extrema direita venezuelana, como vencedora do Prêmio Nobel da Paz gerou críticas e perplexidade entre analistas internacionais. Para Amanda Harumy, especialista em geopolítica latino-americana, a premiação coloca em xeque o próprio sentido do reconhecimento.
“Quando falamos de paz, devemos pelo menos imaginar, ao fim de algum conflito, mediação, diálogo, uma capacidade política. E o que acompanhamos da liderança da María Corina? Tentativas de golpe e desestabilizações que são o contrário da paz”, afirmou Harumy em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
A analista comparou a líder venezuelana ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado à prisão por tentativa de golpe de Estado. “O exercício mais fácil, quando vai falamos de Venezuela, é pensar no Brasil. Nós também passamos por desestabilizações democráticas, tivemos tentativas de golpe, inclusive com o último presidente, Bolsonaro. María Corina é uma líder de extrema direita, assim como Bolsonaro”, disse.
A analista lembra que Corina foi uma das signatárias do decreto Carmona, que apoiou o golpe contra Hugo Chávez em 2002, e teve seu mandato cassado em 2014 após se declarar embaixadora do Panamá na Organização dos Estados Americanos (OEA) sem aval do governo venezuelano. Desde então, está inelegível.
Para Harumy, o modo como a mídia tradicional trata sua trajetória contribui para legitimar uma narrativa falsa. “A mídia internacional, muitos governos apostaram na candidatura da María Corina como capaz de derrubar o governo, de colocar ali a credibilidade eleitoral do processo venezuelano e de desestabilizar”, criticou.
Harumy destacou ainda que o nome de Corina surgiu em um cenário de “vazio de legitimidade” de outros opositores, como Henrique Capriles e Juan Guaidó. “María Corina foi a bola da vez, depois que até mesmo a União Europeia e os Estados Unidos abriram mão daquela aposta no Guaidó”, analisou. Segundo ela, a líder “é uma figura de extrema direita, com uma aliança internacional muito grande e constantemente envolvida em tentativas de derrubar o governo de Nicolás Maduro”.
Contexto geopolítico e postura do Brasil
A analista também alertou para o contexto geopolítico por trás da premiação. “Estamos vendo mísseis apontados para a Venezuela, exercícios militares nas bases norte-americanas, de maneira muito preocupante. Esse prêmio vai ser escutado de diversas formas, mas na Venezuela é mais um instrumento midiático de disputa de narrativa”, pontuou.
Harumy defendeu que o Brasil adote uma postura mais ativa em defesa da soberania da América Latina. “O Brasil, como país fronteiriço e líder da região, precisa construir diplomaticamente uma estabilização, uma defesa à Venezuela e à paz regional. Nós não podemos permitir que a Venezuela se torne um espaço de tensionamento militar”, afirmou.
Sobre a ausência de um posicionamento firme do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o processo eleitoral venezuelano, ela destacou duas razões principais: “a pressão interna da direita e o vazio de um projeto de integração regional atualmente nesse terceiro governo Lula”. Harumy reforça que “nenhum país valida a eleição de outro país. Quem valida os processos democráticos é a Constituição e os tribunais eleitorais de cada nação”.
Para ouvir e assistir
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 9h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
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Fonte: Brasil de Fato



