
Sem perder o charme inato a todos os felinos, os gatos pretos são associados desde a Idade Média às bruxarias e aos exercícios do mal.
Cruzar com um deles à noite dá azar -diz-se- porém são talvez por esses seus mistérios, personagens centrais das mais diversas expressões artísticas, principalmente na literatura, música e artes plásticas.
Viajando pelos Estados Unidos em 1941a convite do governo norte-americano pelo programa da Boa Vizinhança, certo dia Érico Veríssimo viu um gato preto perdido em um campo de neve.
Essa imagem, que tanto o impressionou acabou sendo título do livro de crônicas escritas durante a viagem, mantido ainda no diário da sua segunda viagem, intitulado “A Volta do Gato Preto”.
Deduz-se que a imagem desse gato preto solitário em meio à brancura de um campo nevado refletiu naquele momento, o que ele próprio sentia longe de casa, observando uma cultura tão diversa da nossa.
Em outro contexto, lá para o final do século XIX, o artista suíço Alexander Steinlen eternizou a figura do gato preto em seu “affiche” “Le Chat Noir`, feito por encomenda para o cabaré de propriedade do francês Rodolphe Salis, situado em Paris, mais precisamente na trepidante Montmartre da época.
Ao longo da vida Steinlen tentou várias técnicas e tendências artísticas sem grande êxito, dedicando-se, finalmente, às artes gráficas e aos gatos de todas as cores, que tanto o encantaram e lhe deram fama.
O polêmico americano Andy Warhol, considerado um dos maiores artistas do século XX, antes de surpreender o mundo com a repetição das 32 latas da sopa Campbell’s em 1962, pintou gatinhos pretos também no começo de sua carreira.
E o que dizer da horripilante história criada por Sir Arthur Conan Doyle intitulada “O Gato do Brasil”, cuja trama diabólica se passa em Greysland Court, no condado se Suffolk, na Inglaterra, onde Mr. Everard King mantinha um zoológico particular com animais exóticos que havia trazido do Brasil onde morara por muitos anos, entre os quais a joia da sua coleção: um gato enorme negro como o ébano.
“Comprei-o quando era um filhote recém-nascido, em plena selva, nas cabeceiras do rio Negro”. A mãe foi morta depois de ter liquidado uma dúzia de sujeitos” – explicou Mr. King ao seu primo Marshall. Ambos em disputa pela herança milionária do tio, Lord Southerton.
Ainda nessa linha da literatura do horror, o genial Edgar Allan Poe nos propõe o seu conto “O Gato Preto” publicado no Saturday Evening Post em 1843, onde narra a história de um casal amoroso diante do olhar enigmático de um gato magoado com os inexplicáveis maus-tratos aos que vinha sendo submetido.
Mais ameno, porém não menos importante, Erasmo Carlos fez ferver os inferninhos dos anos 70 com o seu “Negro Gato” de arrepiar, que em toda a sua vida sempre deu azar e só mesmo do alto de um telhado tinha coragem de desacatar.




