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Em entrevista ao ICL Notícias 1ª edição de quarta-feira (6), o professor e geógrafo Elias Jabbour avaliou os impactos do tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a produtos brasileiros, que passou a valer na véspera. Na avaliação dele, “negociar sob Trump não faz sentido”, pois o presidente estadunidense quer “submeter o Brasil”.
Por isso, Jabbour defendeu que o Brasil precisa se “reindustrializar para enfrentar Trump e futuras sanções”.
O geógrafo também comentou a defesa da China, maior parceiro comercial do Brasil. O país asiático foi o único até o momento a se manifestar contra o achaque de Trump contra o Brasil, apesar da relevância do tarifaço. A alíquota de 50% sobre produtos brasileiros é a maior até agora aplicada por Trump.
“A China está disposta a trabalhar com o Brasil, países da América Latina, do Caribe e com os demais membros dos Brics [grupo originalmente formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul] para defender conjuntamente o sistema multilateral de comércio com a OMC [Organização Mundial do Comércio] no centro, e salvaguardar a justiça e a equidade internacionais”, disse Jabbour.
Tarifaço de Trump: Brasil não é ultradependente dos EUA
Jabbour destacou que, apesar de o Brasil manter cerca de 12% de sua pauta comercial com os EUA, não é um país ultradependente, o que lhe dá margem de manobra.
Segundo o professor, a ampliação das relações com a China e o Sudeste Asiático é possível, mas de médio a longo prazo, e deve ser parte de uma estratégia mais ampla de inserção internacional. Para ele, o Brasil precisa diversificar seus parceiros e fortalecer seu próprio mercado interno.
“O foco não deve ser apenas reagir ao tarifaço, mas criar condições internas para absorver choques externos. Reindustrializar o Brasil é essencial.”
Vulnerabilidade brasileira: fertilizantes e sanções
Jabbour alertou para a dependência brasileira de fertilizantes russos, apontando um risco direto de sanções, caso os EUA ampliem as restrições comerciais contra parceiros da Rússia.
Ele relembrou que a capacidade de produção nacional de fertilizantes foi desmontada durante o governo de Michel Temer, tornando o país mais vulnerável às pressões externas.
Por isso, o professor defendeu a elaboração de um grande plano nacional de infraestrutura, com o objetivo de:
- Reduzir a dependência de exportações para mercados voláteis como os EUA;
- Redirecionar a produção industrial, como a de aço, para o mercado interno;
- Criar bases materiais para enfrentar futuras sanções ou disputas geopolíticas.
Soberania e o papel de Trump no tabuleiro brasileiro
Para Jabbour, a tentativa de impor sanções ou enfraquecer o Brasil não é apenas econômica — é política. Ele aponta que Trump e seus aliados visam desestabilizar o governo Lula, favorecendo forças alinhadas aos interesses norte-americanos dentro do Brasil.
“Há uma força política dentro do país que opera não apenas contra a democracia, mas a favor de uma potência estrangeira”, afirmou.
Ele citou nomes como o deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho zero três do ex-presidente Jair Bolsonaro, e Paulo Figueiredo como exemplos de atores que estariam articulando medidas contra o Brasil, a partir dos EUA.
Negociar ou resistir?
Diante da escalada de tensões, Jabbour pontuou que o Brasil deve demonstrar disposição ao diálogo, mas deixar claro que sua soberania é inegociável.
Para ele, não há viabilidade real de negociação com os EUA sob liderança de Trump, a menos que a crise afete diretamente os interesses norte-americanos, como ocorreu no passado com commodities como o café.
“Defender a soberania deve ser o centro do debate público brasileiro em 2026”, disse o professor.
Dólar futuro e suspeita de especulação
Ele também comentou reportagem exclusiva do site ICL Notícias sobre uma movimentação atípica registrada no mercado de dólar futuro no dia 30 de julho — véspera do adiamento do tarifaço pela Casa Branca. As mesas do BTG Pactual e da Tullett Prebon movimentaram R$ 1,22 bilhão em contratos, em milissegundos. No dia seguinte, o volume caiu 97%.
Para Jabbour, trata-se de uma ação coordenada por “quadrilhas do sistema financeiro” que operam dentro da legalidade, mas contra os interesses nacionais. “Estamos lidando com banditismo de alto nível”, afirmou, ao criticar a ausência de mecanismos de controle cambial no Brasil.
Veja a entrevista completa do geógrafo Elias Jabbour no vídeo abaixo:




