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quinta-feira, 2 abril, 2026
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‘Não vou deixar de cumprir minha obrigação por medo’, diz Haddad sobre ataques de bets

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O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, disse, em entrevista exclusiva ao ICL Notícias 1ª edição desta quinta-feira (2), que empresas de apostas esportivas — as chamadas bets — promoveram uma campanha de desinformação contra ele após a decisão de tributar o setor.

“Eu não vou deixar de cumprir a minha obrigação funcional com medo de um bando de canalhas que ficaram quatro anos na ilegalidade sem pagar imposto”, declarou.

Haddad associou diretamente os ataques que sofreu nas redes sociais à reação das casas de apostas à tributação proposta durante sua gestão no Ministério da Fazenda. Segundo ele, o setor operou sem recolher impostos durante o governo anterior e passou a reagir quando foi cobrado.

“As bets ficaram quatro anos sem pagar imposto. Aí fizeram uma campanha contra mim, inventaram apelidos e começaram a disseminar desinformação”, disse.

O ex-ministro criticou ainda o impacto social dessas plataformas, classificando-as como prejudiciais à saúde pública.

“Se ela produz doença e não saúde, por que vai ser tratada como Santa Casa de Misericórdia? A bet adoece as pessoas”, afirmou, citando estimativas de que uma parcela dos apostadores desenvolve problemas relacionados ao vício.

Extrema direita e redes sociais

Na entrevista, Haddad também fez uma análise política mais ampla e afirmou que a extrema direita contemporânea tem origem e força nas redes digitais.

Para ele, o ambiente online tem sido instrumentalizado por interesses econômicos e políticos, como no caso das bets, criando um ecossistema de desinformação que influencia o debate público e eleitoral.

“A extrema direita, desde que perdeu, voltou com carga total nas redes sociais”, afirmou.

Para Haddad, diferentemente dos meios tradicionais de comunicação, as redes sociais operam sem os mesmos mecanismos de controle, o que abre espaço para a disseminação de notícias falsas.

“Nas redes sociais não existe isso [controle]. Então como preservar a integridade moral de uma pessoa que está sendo atacada por calúnia e difamação?”, questionou.

Disputa em São Paulo e o desafio do interior

Ao abordar a eleição estadual, Haddad reconheceu a dificuldade histórica do campo progressista no interior paulista, onde o antipetismo é mais forte. Ainda assim, afirmou que pretende disputar esse eleitorado com propostas concretas.

“O desafio político é conversar com o público do interior”, disse.

Entre os temas que pretende levar à campanha estão segurança pública, custo de vida e educação. Haddad citou problemas como a presença de facções criminosas em cidades do interior e o aumento de custos básicos, como água e pedágios.

“Não adianta só criticar. Na eleição, a oposição tem que propor alternativa”, afirmou.

Críticas à gestão estadual

Sem citar diretamente adversários, Haddad fez críticas à atual condução do governo paulista, do governador bolsonarista Tarcísio de Freitas, apontando falta de liderança e foco.

“A máquina de São Paulo é espetacular, mas precisa de liderança para inovar. E eu acho que faltou liderança”, declarou.

Ele também criticou políticas como a adoção de escolas cívico-militares, que, segundo ele, “desprestigiam o magistério” e “degradam a escola pública”.

Haddad defendeu uma agenda voltada à inovação e ao uso de tecnologia na gestão pública. Segundo ele, São Paulo estaria perdendo oportunidades por falta de direcionamento estratégico.

“Como é que vamos utilizar inteligência artificial e processamento de dados na saúde, na educação e na segurança? Tem um caminho pela frente”, disse.

Legado e referência em Erundina

Ao falar de sua trajetória, Haddad resgatou sua gestão como prefeito da capital e a tradição de governos progressistas na cidade, incluindo a ex-prefeita Luiza Erundina.

“As melhores administrações de São Paulo foram as progressistas, que deixaram legado e visão de futuro”, afirmou.

Ele citou realizações como o Plano Diretor, a renegociação da dívida municipal e a obtenção do grau de investimento como exemplos de sua administração.

Haddad destacou que venceu na região metropolitana em 2022 e acredita que pode expandir esse desempenho.

“Ganhei na região metropolitana por 55% a 45%. Agora é dialogar com o interior”, disse.

Para ele, a construção de “novos consensos” será fundamental para superar resistências e ampliar sua base eleitoral no estado.

 





ICL Notícias

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