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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (13) o início de um novo processo de “paz no Oriente Médio” após firmar uma declaração conjunta com os líderes do Egito, Catar e Turquia. O plano prevê a reconstrução da Faixa de Gaza e a retirada gradual das tropas israelenses. Para o pesquisador de relações internacionais Arturo Hartmann Pacheco, a proposta “interrompe o genocídio” em curso, mas não representa uma paz real e tende a transformar Gaza em um território administrado por interesses estrangeiros e corporativos.
“Paz talvez seja uma palavra muito ampla. Temos um processo de interromper o genocídio, que funcionou como uma moeda de barganha para eliminar os grupos internos, principalmente o Hamas”, afirmou Pacheco em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato. Segundo ele, a iniciativa de Trump está centrada em objetivos imediatos e não enfrenta as “estruturas de violência na Palestina, inclusive a colonial israelense”.
A primeira fase do plano foi concluída, com a retirada parcial das tropas israelenses. Com isso, a ocupação de Israel saiu de 75% de Gaza para 53%. “Mas, na melhor das hipóteses, vamos voltar à situação anterior do cerco de Gaza”, indicou o pesquisador. Ele se refere ao bloqueio que vigorava antes do genocídio iniciado em 2023, quando Israel e Egito controlavam rigidamente as fronteiras e a circulação de pessoas e bens, impondo restrições severas ao acesso de alimentos, energia e medicamentos no território.
Mesmo após o anúncio do acordo, novos ataques israelenses foram registrados nesta segunda-feira em Gaza, com ao menos sete mortos. “Israel continua em partes do território internamente na Faixa de Gaza e essas cenas vão se repetir, muito provavelmente diariamente”, avaliou.
Gaza desenhada pelo capital
Para Pacheco, o acordo ainda deixa em aberto quem controlará a segurança e o poder político no território. “Vamos ver quem vai ter o monopólio da violência em Gaza. Trump falou que vai ter forças internacionais compostas principalmente de países árabes, especificamente Egito e Jordânia. Dentro do território, teria uma polícia palestina treinada pelos Estados Unidos, ou por países europeus”, explicou.
Ele avalia que a proposta norte-americana deve substituir a soberania palestina por uma espécie de governo internacional. “É mais provável um governo internacional do que um governo palestino. Um dos planos é ter um conselho de paz presidido por Trump, mas com um executivo nas mãos do Tony Blair, que era primeiro-ministro da Grã-Bretanha na invasão do Iraque”, afirmou.
Para o pesquisador, esse modelo tende a reproduzir a lógica de dependência vista na Cisjordânia. “A reconstrução vai ser um grande impeditivo para qualquer autonomia palestina porque o dinheiro vai ter que vir de fora”, indicou. A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que a reconstrução da Faixa de Gaza custará US$ 70 bilhões e levará décadas.
“Gaza é um território a ser desenhado pelos interesses do capital, de empresas, livremente. O governo do Egito já falou que há empresas egípcias interessadas em ter projetos dentro de Gaza. Isso vai acontecer com a Arábia Saudita, com o Catar, até países europeus”, disse.
Para ouvir e assistir
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 9h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
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Fonte: Brasil de Fato




