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quarta-feira, 4 março, 2026
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música e histórias de alunos do ICL

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Por Leila Cangussu

O painel que abriu a tarde do segundo dia do Despertar reuniu a médica e cantora Júlia Rocha, professores do Instituto Conhecimento Liberta e três bolsistas da pós-graduação Repensando o Brasil: Sociedade, Política e História, fruto da parceria entre o ICL e a FESPSP.

Música como ato político

Júlia Rocha abriu a atividade interpretando clássicos como Zé do Caroço (Leci Brandão), Vamos à Luta (Gonzaguinha) e Meu Lugar (Arlindo Cruz), além de apresentar sua composição autoral Pedida Certa.

Em sua fala, defendeu a valorização de novas lideranças sociais e políticas. “Vivemos uma época de pouca renovação e quando vemos jovens lideranças surgindo, precisamos enaltecer, apoiar e valorizar esse processo. Se está difícil para nós que temos voz, imagine para quem não tem a chance de falar e ser ouvido”, disse.

Samba da Ju anima início da tarde do Despertar neste dia 20 de setembro. Foto: ICL

Histórias que transformam

Na sequência, os professores Jessé Souza e Lindener Pareto apresentaram três bolsistas da pós-graduação, que compartilharam relatos de vida atravessados por desigualdade, resistência e superação.

  • Aline Monteiro, jornalista da periferia da Baixada Santista, contou como a educação foi decisiva para romper o ciclo de violência em sua comunidade. “Perdi amigos baleados na porta de casa. A educação me trouxe até aqui, me fez acreditar que podemos ocupar outros espaços”, afirmou.
  • Ana Paula Gomes, professora de História e membro da Educafro, destacou sua trajetória marcada por políticas públicas e cotas sociais. Hoje, atua na Câmara Municipal de São Paulo ao lado da vereadora Keit Lima. “A pós nos mostra que corpos negros são potência de resistência, não vítimas da sociedade. A ajuda que recebemos transforma vidas, que por sua vez transformam a política”, disse.
  • Gesiel, formado em Administração, fez um depoimento comovente sobre reconciliação com sua própria história. Ele relatou o preconceito vivido dentro da própria família, a relação com o pai, a descoberta da sua sexualidade e como a pós foi fundamental para ressignificar sua identidade. “Quando repensarmos nossa história, descobriremos verdadeiramente o Brasil”, concluiu.

Alunos da pós-graduação graduação Repensando o Brasil: Sociedade, Política e História, fruto da parceria entre o ICL e a FESPSP. Foto: ICL

Educação crítica como ferramenta de futuro

O professor Jessé Souza reforçou que o curso Repensando o Brasil nasceu para questionar paradigmas elitistas e racistas que estruturam as desigualdades do país. “O Brasil precisa ser repensado. As ideias que orientam nossa sociedade são elitistas e racistas, e culpadas de termos um povo pobre em um país rico. A educação crítica é a chave para romper esse ciclo”, afirmou.

Encerrando o painel, Lindener Pareto anunciou a abertura de uma terceira turma da pós-graduação, chamando o público a se engajar nessa transformação coletiva.

Sobre o Despertar 2025

O Despertar 2025, promovido pelo Instituto Conhecimento Liberta (ICL), reúne mais de 4 mil pessoas no Vibra São Paulo em dois dias de debates, diálogos e apresentações artísticas. O encontro se consolida como marco da reorganização progressista no Brasil, articulando política, economia, cultura, espiritualidade e mobilização social.





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