Por Juliana Arreguy
(Folhapress) – O empresário e influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo afirmou, em crítica à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que mulheres votam muito mal, em especial as solteiras, já que as casadas teriam a tendência de acompanhar os votos dos maridos.
A afirmação foi feita em vídeo no seu canal no YouTube publicado na quinta-feira (25), no qual também disse, em tom crítico, que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro é feminista.
Figueiredo sugeriu, no vídeo, que quem ficasse descontente com a sua fala poderia “arrancar os pentelhos das calcinhas”. Os trechos foram citados pelo colunista da Folha Celso Rocha de Barros.
Um dia antes da live, Michelle havia divulgado dois vídeos nas redes sociais nos quais afirmou sofrer ataques de seus enteados por divergências políticas sobre a montagem da chapa eleitoral no Ceará. A ex-primeira-dama disse ter sido desrespeitada e maltratada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que foi ungido pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), para ser o representante do clã na disputa à Presidência.
Neto de João Figueiredo, último presidente da ditadura militar, Paulo Figueiredo vive nos Estados Unidos e tem sido uma das principais pontes entre o governo Donald Trump e a família Bolsonaro, de quem é próximo.
Ao comentar os vídeos de Michelle, em uma live de uma hora e 46 minutos de duração, ele criticou a ex-primeira-dama, que é presidente do PL Mulher, pelo que ela disse sobre Flávio. “Onde o Flávio vai pior [nas pesquisas eleitorais] é justamente no eleitorado feminino”, afirmou, antes de ironizar: “Parabéns! Bela ajuda”.
Segundo a mais recente pesquisa Datafolha, Lula ganha de Flávio por 52% a 37% no eleitorado feminino em simulação de segundo turno. No masculino, o bolsonarista vence por 50% a 41%.
Figueiredo disse ainda que Michelle e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que foi ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos no governo Bolsonaro, são feministas.
“Muitas mulheres acham que são feministas só porque elas entendem que precisam ter os mesmos direitos que os homens. Isso não é feminismo”, afirmou ele. De acordo com o influenciador, o feminismo é de matriz marxista e “carrega consigo ideias de todo tipo, como as cotas identitárias das quais Michelle fala com tanto orgulho. ”
Ao longo da transmissão, Figueiredo citou que Flávio não é o único candidato de direita a ter rejeição do eleitorado feminino e afirmou que, se fosse feito um recorte apenas de votos das mulheres nos Estados Unidos, “todos os eleitos teriam sido democratas até hoje, inclusive a Kamala Harris [ex-vice-presidente dos EUA e adversária de Trump na eleição de 2024]”, com exceção de Ronald Reagan.
A afirmação precedeu a declaração de que mulheres votam mal.
“Mulher vota estatisticamente muito mal. Principalmente mulheres solteiras. Mulheres casadas, em geral, tendem a acompanhar o voto do marido. Mulheres solteiras, não. Isso o que estou dizendo… Podem arrancar os pentelhos das calcinhas, fazer o que quiser, principalmente as feministas, que têm mais pentelhos, mas eu quero dizer a vocês: isso é estatística”, disse ele.
Seja nos EUA, seja no Brasil, os dados das urnas não permitem saber o voto de grupos demográficos específicos, devido ao sigilo do voto, mas pesquisas de opinião feitas antes ou depois da votação constatam maior rejeição a Flávio e Jair Bolsonaro e maior apoio, em regra, a candidatos democratas, mas não a todos.
Segundo dados de pesquisas de opinião compilados pelo centro de pequisa Mulheres Americanas e Política, ligado à Rutgers University, as eleitoras preferiram o candidato republicano não só na eleição e reeleição de Reagan (1980 e 1984), mas também na de Bush em 1988.
Isso não significa que automaticamente os democratas teriam conquistado a Presidência em todos os outros pleitos, porque o resultado da eleição depende da distribuição dos votos por estado no Colégio Eleitoral.
No vídeo, Figueiredo “é sempre a esquerda” quem se sai melhor entre o eleitorado feminino e “o que o PL Mulher tem feito para melhorar essa história? Rosca, zero”. Figueiredo também ironizou o fato de Michelle chamar Bolsonaro de galego.
“Vocês não têm vontade de cortar um pouquinho os pulsos, só para ver o que acontece, toda vez que ela fala meu galego? Não soa fake? Principalmente se vocês soubessem as coisas que eu sei…”, insinuou.
Rejeição
A campanha de Flávio tem buscado, desde a divulgação dos vídeos de Michelle, uma forma de frear efeitos negativos junto ao eleitorado feminino. Uma das apostas é a indicação de uma mulher como sua vice na chapa presidencial.
Segundo o mais recente Datafolha, o senador é o presidenciável com maior rejeição entre as mulheres: questionadas sobre quais candidatos não votariam de jeito nenhum no primeiro turno da eleição, 53% das eleitoras citaram Flávio. O presidente Lula (PT), seu maior adversário na disputa, foi citado por 40% das mulheres.
Assim como o filho, Jair Bolsonaro também apresentava maior rejeição entre as mulheres. Ao longo de sua trajetória política, o ex-presidente colecionou frases machistas, como quando afirmou que a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) não merecia ser estuprada “porque é muito feia”. Ele foi condenado a se retratar e a pagar indenização.
Ele também chamou mulheres petistas de “feias” e “incomíveis” em um vídeo e declarou ter “fraquejado” ao ter tido uma filha mulher após ter concebido quatro filhos homens. Além disso, promoveu ataques a jornalistas mulheres.



