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quinta-feira, 12 fevereiro, 2026
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Muito mundo a olhar – ICL Notícias

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O Brasil vive um momento muito especial. Primeiro temos as tarifas, depois o julgamento do golpe de Estado e finalmente a ligação entre as duas – as ameaças dos Estados Unidos. É preciso cabeça fria: firmeza e sobriedade. Firmeza na denúncia da injustiça, firmeza na denúncia da violação das regras internacionais do comércio e firmeza na recusa das exigências. Mas também sobriedade – sobriedade na resposta
diplomática, sobriedade na retórica política, sobriedade nas atitudes. O Brasil tem estado muito bem. E atenção: tem muito mundo a olhar.

Quanto às tarifas, julgo que tudo está já dito. Quando, pela primeira vez, ouvi falar do tarifaço e das exigências dos americanos para suspendê-las, ocorreu-me ao espírito as palavras de um grande filósofo que escreveu o seguinte: “há regras há tanto tempo e tão extensamente aceites(…) que ninguém poderia quebrar essas regras facilmente sem um esgar de repulsa.”. Quanto às tarifas, o único sentimento decente é este: o de uma irreprimível repugnância.

Quanto ao julgamento do golpe de Estado, a questão é ainda mais importante. Bem sei, é uma questão política muito delicada tendo em conta o atual momento pré-eleitoral no Brasil. Mas é bem mais do que isso – o julgamento representa um ponto de inflexão na história do Brasil, que anistiou os crimes do anterior golpe militar de 1964. E essa dimensão, a dimensão do passado, é a mais importante. O presente é importante, bem entendido. Mas o passado, é ainda maior – ele diz respeito à história e essa dimensão, esse impacto que o julgamento terá na memória histórica do Brasil, é mais importante, muito mais importante que o próximo resultado eleitoral.

Cuidado, portanto: as regras do direito democrático devem ser estritamente cumpridas. Sem falhas. Ninguém perdoará lapsos nos direitos de defesa. Toda a conversa sobre a futura prisão do anterior presidente, antecipando o resultado do julgamento, é próprio de políticos imaturos, para não dizer pior. As garantias
constitucionais não são liberdades burguesas – são direitos inalienáveis de cada individuo que garantem o essencial do que é ser um Estado de Direito Democrático. Numa palavra: o julgamento deve ser irrepreensível. Uma vez mais: tem muita gente a olhar. E não é apenas o sul global, mas o ocidente progressista que espera que o Brasil resista a chantagem americana e que julgue com independência e com decência o seu anterior presidente. Boa sorte.

 



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