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Mudanças climáticas na Ásia intensificam tufões, chuvas e perdas humanas — Brasil de Fato

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Em vilarejos isolados do Nepal, famílias tentam escavar a lama com as próprias mãos em busca de sobreviventes. No norte do Vietnã, colheitas inteiras foram levadas pelas águas, enquanto helicópteros do Exército sobrevoam regiões montanhosas em busca de moradores ilhados. Nas costas da China e da Tailândia, casas submersas e ruas transformadas em rios se tornaram o retrato da atual temporada de chuvas e tufões na Ásia, a mais severa dos últimos anos.

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgou nesta semana que as mudanças climáticas estão ampliando a força e a frequência dos tufões e enchentes no continente. O aquecimento dos oceanos fornece mais energia às tempestades, tornando-as mais violentas e imprevisíveis. A diretora da OMM, Celeste Saulo, afirmou que os efeitos do aquecimento global “estão se tornando mais severos no continente asiático”, com ondas de calor extremas, degelo acelerado nos Himalaias e ameaça crescente à segurança hídrica.

A região do planalto tibetano, que abriga o maior volume de gelo fora das regiões polares, vem perdendo massa glacial de forma contínua nas últimas décadas; um alerta grave para o abastecimento de água de milhões de pessoas na Ásia, segundo dados da OMM.

O relatório da ONU sobre o Estado do Clima Global indicou que 2024 foi o primeiro ano a superar 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais, tornando-se o mais quente em 175 anos de medições. O secretário-geral da ONU, António Guterres, advertiu que “o planeta está emitindo sinais de socorro”, pedindo medidas urgentes para limitar o aquecimento global.

Chuvas e deslizamentos atingem Índia e Nepal

As chuvas torrenciais que atingiram o norte da Índia e o Nepal desde o início de outubro deixaram mais de 110 mortos, conforme balanços divulgados pelos governos dos dois países.

No estado indiano de Bengala Ocidental, 18 pessoas morreram após deslizamentos e inundações destruírem pontes, estradas e ferrovias em Darjeeling e distritos vizinhos, segundo autoridades estaduais. As fortes correntes arrastaram casas inteiras, e o Exército foi acionado para auxiliar nas buscas.

No Nepal, as chuvas provocaram pelo menos 92 mortes e dezenas de desaparecidos, de acordo com o Ministério do Interior do país. Vilarejos inteiros foram soterrados, e estradas que ligam o leste do país à capital, Catmandu, seguem bloqueadas. O Departamento Nacional de Gestão de Desastres informou que mais de 7 mil famílias foram deslocadas e 500 casas destruídas.

As autoridades nepalesas descrevem o episódio como o mais grave desde 2021, quando uma série de inundações arrasou plantações e comunidades inteiras no centro do país. Além dos danos imediatos, o governo teme uma nova crise alimentar, já que hectares de arrozais e plantações de milho foram perdidos nas províncias de Ilam, Panchthar e Dhankuta, uma das regiões mais produtivas do país.

Vietnã: tufões sucessivos deixam rastro de destruição

O Vietnã enfrentou uma das temporadas de tufões mais severas dos últimos anos. Depois do tufão Bualoi, o país foi atingido na semana passada pelo tufão Matmo, que provocou chuvas torrenciais e deslizamentos no norte do território. O Matmo também atingiu China e as Filipinas.

Uma mulher carregando um bebê tenta atravessar uma rua inundada pela chuva causada pela tempestade tropical severa Matmo, em San Roque, Macabebe, Pampanga, Filipinas, em 4 de outubro de 2025. | AFP

O Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural do Vietnã confirmou, no último 8 de outubro, 8 mortes e 5 desaparecidos, além de 15 mil casas inundadas e 402 residências danificadas. Aproximadamente 15 mil hectares de plantações foram perdidos, afetando arrozais e hortas nas províncias de Thai Nguyen e Lang Son.

Em Lang Son, uma seção da barragem Bac Khe 1 cedeu devido ao excesso de chuvas, forçando a evacuação de 803 famílias. No total, 16 mil casas foram inundadas e 1,6 mil permanecem isoladas, segundo dados oficiais.

O governo vietnamita liberou um fundo emergencial de US$ 5,3 milhões para apoiar as quatro províncias mais atingidas. A agência Vietnam News informou que o Exército foi mobilizado para reconstruir pontes e diques e garantir o transporte de alimentos e medicamentos.

Tailândia também registra perdas

Na Tailândia, na última terça-feira (7), o governo declarou estado de emergência em 19 províncias devido às enchentes que afetaram mais de 360 mil pessoas. Pelo menos 22 mortes foram confirmadas, e centenas de comunidades rurais continuam isoladas.

O Departamento Meteorológico da Tailândia informou que os níveis de chuva registrados este ano superaram em 40% a média histórica para o mês de setembro, pressionando diques e represas. O governo anunciou US$ 12 milhões em ajuda emergencial para reconstrução e indenização a agricultores.

Tufões também afetam o gigante asiático

A China registrou uma redução de 1,6% nas emissões de dióxido de carbono no primeiro trimestre de 2025, em comparação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados oficiais do Ministério de Ecologia e Meio Ambiente divulgados pelo China Daily. Apesar desse avanço nas políticas climáticas, o país enfrentou diretamente os efeitos do aquecimento global, com tufões cada vez mais intensos.

O supertufão Ragasa, em setembro, chegou a ventos de 230 km/h, deixando 17 mortos em Taiwan e forçando a evacuação de quase 2 milhões de pessoas na China continental. Os prejuízos ultrapassaram US$ 100 milhões, conforme balanço da agência estatal Xinhua.

Na sequência, o tufão Matmo atingiu as províncias de Guangdong e Hainan, obrigando o deslocamento de 347 mil pessoas. Ventos de até 150 km/h derrubaram árvores, causaram apagões e inundaram áreas urbanas. Em Hainan, voos e trens foram suspensos, e o turismo, setor central da economia local, sofreu forte impacto.

O governo mobilizou milhares de brigadistas e enviou tendas, camas e suprimentos às zonas atingidas. A Xinhua informou que as províncias do sul estão ampliando sistemas de drenagem e alerta antecipado como parte do plano nacional de adaptação climática.

Adaptação climática como prioridade regional

Especialistas da OMM e das Nações Unidas alertam que o ritmo de intensificação dos fenômenos climáticos na Ásia é superior à média global, pressionando os governos a reforçar políticas de adaptação, infraestrutura resiliente e planos de evacuação.

As chuvas torrenciais, as inundações e os ventos extremos registrados neste ano evidenciam um cenário de mudança climática em curso, que desafia as capacidades de resposta dos países e ameaça milhões de vidas no continente.

*Bruno Falci, com informações de Organização Meteorológica Mundial (OMM); Nações Unidas; Xinhua; Vietnam News; China Daily.

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Fonte: Brasil de Fato

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